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Neurocientista dá dicas para manter cérebro 100% conectado

Da Redação

09/03/2019 às 10h00

Foto: Shutterstock

Na próxima semana, entre 11 e 17 de março, é celebrada a chamada Semana Mundial do Cérebro (Brain Awareness Week), uma iniciativa organizada pela instituição norte-americana Dana Foundation que conta com a participação de diferentes ONGs e universidade pelo mundo.

Segundo a neurocientista e professora brasileira Carla Tieppo, entender o funcionamento do cérebro é a melhor forma para fazê-lo operar no máximo da sua capacidade, seja em funções como memória, concentração e foco, e também no gerenciamento de emoções.

A especialista também destaca as mudanças que ocorrem ao longo da vida com a chamada plasticidade cerebral, que engloba os mecanismos neurobiológicos pelos quais o cérebro humano aprende e domina novas habilidades.

“A capacidade de plasticidade do cérebro tem variações ao longo da vida. Durante a infância e a adolescência, a neuroplasticidade flui. Na vida adulta, surgem vários freios moleculares e fisiológicos que agem para desligar essa neuroplasticidade, mas isso não acontece totalmente”, afirma Carla.

Para que o cérebro mais velho consiga absorver novas habilidades, é necessário um esforço a mais, aponta a neurocientista, que aponta como exemplos atletas, músicos, cirurgiões, artistas e escritores. Isso porque, além do talento inato, essas pessoas também investiram horas praticando até que conseguissem se destacar em suas respectivas áreas.

Além da prática, Carla aponta  também a existência de outros fatores que ajudam o cérebro adulto a aprender uma nova habilidade. A lista inclui, por exemplo, motivação, pensamento positivo e visualização do objetivo.

Confira abaixo os seis passos destacados pela neurocientista para conectar o cérebro e aumentar a capacidade de plasticidade e domínio de um cérebro adulto:

Razões: Encontre seu porquê

Qual é seu objetivo? Qual habilidade, comportamento ou mentalidade que você quer aprender, mudar, dominar ou aperfeiçoar?

Ter clareza em torno do seu objetivo gera confiança, motivação e excitação ao invés de medo e incerteza;

Saber qual é o seu objetivo permite estabelecer “metas mínimas”;

Essas metas mínimas te preparam para algumas vitórias fáceis iniciais. Vitórias fáceis que fecham um ciclo de feedback e disparam os caminhos de recompensa da dopamina no cérebro. Recompensa aumenta o aprendizado e ativa motivação;

Envolvimento: Absorva-se em aprender a tarefa. Tenha feedback dos melhores

Foque em aprender uma nova habilidade;

Determinação em uma tarefa é vital (multitarefa leva ao esgotamento cognitivo);

Tenha um professor, treinador ou guia para te fornecer um feedback;

Um aviso para professores, treinadores ou guias: você deve agir como um recurso e não como um microempresário do processo. Motivação vem da autonomia e do domínio. Nós todos respondemos a recompensas internas e não externas;

Encontre o ponto principal entre o tédio e o medo

Encontre seu fluxo. Do ponto leve ao moderado de ativação, o cérebro está em ótimo estado para aprender. Em níveis muito baixos ou muito altos de estimulação, a aprendizagem é inibida. Nós vemos isso em todos os níveis neurobiológicos desde a sinapse até o comportamento;

Tédio é um sintoma de subexcitação – talvez a nova tarefa não esteja testando você. Tente preparar um objetivo maior, mudar alguns pontos do objetivo ou mudar o ambiente em que você está treinando;

Medo é um sintoma de excesso de excitação – talvez a tarefa esteja muito difícil. Isso supera seu nível de habilidade? Talvez você não tenha “mirado” seu desafio em partes ou projetos viáveis;

Imagine: ensaie em sua mente

Pensar e fazer estão no mesmo cérebro. As mesmas áreas do cérebro são ativadas quando você completa uma atividade motora e quando você ensaia mentalmente a mesma tarefa;

Músicos e atletas comumente usam ensaio ou visualização mental para ajudar a ativar o domínio;

Você pode ensaiar mentalmente como você vai responder emocionalmente a um evento. Tente ensaiar como você vai responder emocionalmente se você acertar um obstáculo ou falhar;

O ensaio mental pode ser pensado como prática quando você não consegue praticar

Repita: prática torna-se perfeita devido à neuroplasticidade

Pratique (pratique e pratique) sua nova habilidade, comportamento e mentalidade;

Neurônios que “acendem” juntos, ficam ligados. Neurônios que estão fora de sincronia falham ao se conectar;

Prática supera o talento. O gênio não nasce gênio. Em vez disso, ele constroi sua capacidade de dominar o que quer fazer;

É aqui que a determinação entra. Detalhe, a prática nem sempre é divertida.

Ampliar: mudar requer que você se mova para fora da sua zona de conforto

Repetir a mesma tarefa várias vezes não é o suficiente para melhorar. Você deve praticar no limite da sua capacidade;

Amadores praticam até fazerem tudo corretamente. Profissionais praticam até que não possam errar

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