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Como tirar o máximo proveito dos dados sem deixar de proteger a privacidade das pessoas?

Dados pessoais devem ser utilizados para beneficiar o indivíduo e a sociedade, ao mesmo tempo que são protegidos sob claras políticas de privacidade

Por Jun Ueda*

21/01/2021 às 20h20

Foto: Adobe Stock

Os dados são o petróleo do século 21. Nesta nova era, há perguntas importantes que as organizações precisam responder: como as empresas podem analisar o comportamento do usuário e os dados operacionais para gerar novas ideias e novos processos de negócios? E como superar os desafios da proteção da privacidade para se beneficiar desses dados?

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Espera-se que sejam gerados 175 ZBs (zettabytes) de dados até 2025. Diante disso, as empresas que realizam a Transformação Digital (DX) e tratam os dados como ativo crítico devem garantir a segurança deles. No entanto, violações frequentes e uso indiscriminado de informações pessoais pelas empresas causam insegurança e preocupação sobre como esses dados são usados. Em suma: as empresas precisam recuperar a confiança dos clientes.

Para isso, é necessária a adoção de verdadeiras fortalezas para armazenar esses dados ​​em uma ampla gama de ambientes – do ciberespaço ao mundo físico. Existem três tecnologias ativadoras disponíveis no mercado, que podem ser usadas para essa tarefa: XAI (IA explicável), IDYX (troca de identidade) e Avaliação de Risco de Privacidade.

O XAI combina os componentes de Wide Learning, Deep Tensor e Knowledge Graph em um sistema que ajuda no processo de tomada de decisão dos projetos de IA. A troca de identidade (iDYX) permite que os usuários determinem a autenticidade das informações pessoais distribuídas on-line. Já a Avaliação de Risco de Privacidade é capaz de identificar o nível de segurança adequado para que as empresas não sofram vazamento de dados, além de prever o tamanho do dano causado por ele.

Segurança Proativa

No passado, os dados eram protegidos contra ataques cibernéticos por criptografia – no entanto, isso pode limitar o valor dos dados quando processados ​​e usados. O desafio é encontrar um equilíbrio entre uso e proteção.

Segundo o professor Daniel Weitzner, diretor da Internet Policy Research Initiative no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e principal pesquisador do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do Instituto, a tecnologia ainda não alcançou com perfeição o que a lei está exigindo. Então, de certa forma, há uma enorme oportunidade pela frente.

Weitzner considera uma preocupação primordial ter a capacidade de rastrear o contexto e a finalidade do uso de dados. Para ele, é essencial poder confirmar se os dados pessoais foram usados ​​apenas como o originalmente previsto, sem desvios. As questões de privacidade e segurança estão evoluindo, e as empresas e outras áreas responsáveis ​​não têm experiência em lidar com elas. Mesmo que as tecnologias se tornem disponíveis, ainda leva tempo para os desenvolvedores entenderem o que de fato a sociedade espera.

No futuro, à medida que a tecnologia amadurecer, os usuários poderão manter seus dados pessoais em uma espécie de estrutura confiável, assim como hoje depositam dinheiro em suas contas bancárias. Eles poderão ver claramente como seus dados pessoais foram usados, da mesma forma como veem hoje suas transações nos extratos bancários.

Em linhas gerais, os dados pessoais devem ser utilizados para beneficiar o indivíduo e a sociedade, ao mesmo tempo em que são protegidos sob claras políticas de privacidade. À medida que as tecnologias evoluem, a percepção dos dados pessoais muda, pois as empresas conseguem acessar cada vez mais a fundo os rastros digitais dos clientes, ao mesmo tempo em que os usuários passarão a ter maior controle sobre essas informações e seu destino.

*Jun Ueda é Diretor de Operações da Fujitsu Brasil