Home  >  Segurança

Cibercriminosos levam anúncios falsos de vacina contra covid-19 para a Darknet

Pesquisadores da Check Point identificaram um salto de 400% no número de anúncios falsos de vacinas. Preços também dispararam

Da Redação

15/01/2021 às 10h46

Foto: Adobe Stock

No início de dezembro de 2020, pesquisadores da Check Point relataram como uma série de vacinas e medicamentos falsificados contra o coronavírus estavam disponíveis e à venda na darknet. Foram identificados vários fornecedores anunciando vacinas com preços a partir de US$ 250, com alguns chegando a até US$ 1.000.

A pesquisa da Check Point teve início em dezembro, cujo resultado foi publicado no primeiro relatório no dia 11 daquele mês, período em que as vacinas da Covid-19 se tornaram oficialmente disponíveis em todo o mundo. As atualizações dos pesquisadores comparam as informações encontradas com as novas descobertas feitas durante a primeira semana de janeiro de 2021.

Inicialmente, a pesquisa por vacinas da Covid-19 na darknet resultou em várias páginas de centenas de ofertas, o que representou um aumento geral de 400% de anúncios desde o início de dezembro do ano passado. Os preços das vacinas também aumentaram significativamente. No relatório anterior da Check Point, o preço médio era de US$ 250. Agora, a pesquisa recente mostra que os fornecedores dobraram ou até quadruplicaram seus preços, pedindo US$ 500 ou até US$ 1.000 por uma dose não especificada.

A gama de marcas de vacinas também mudou, de acordo com o relatório. Antes de as vacinas aprovadas começarem a ser distribuídas globalmente, havia fornecedores oferecendo-as com a indicação “fabricadas na China", que não tinham marca e não eram aprovadas pela FDA (Food and Drug Administration, agência dos Estados Unidos). Desde a distribuição global de marcas aprovadas pela FDA, a maioria dos fornecedores, agora, está anunciando sua venda como marcas nomeadas ou simplesmente não especificando a marca da vacina.

Como acontecem as transações na Darknet

Para testar como se dá uma transação de darknet, os pesquisadores fizeram um pedido de uma dose de vacina de um fornecedor usando o aplicativo Telegram para a interação. Eles conseguiram os detalhes de contato e o número de telefone do fornecedor por meio de um fórum da darknet, o qual ofereceu uma suposta vacina de origem chinesa ao valor de US$ 750.

O pagamento foi efetuado em Bitcoin, o que dificulta o rastreamento dos fornecedores. Os pesquisadores, então, informaram um endereço de entrega e solicitaram os detalhes do envio. Após alguns dias sem resposta, eles receberam uma mensagem do fornecedor dizendo que a vacina havia sido enviada para o endereço indicado. A suposta medicação nunca chegou e a conta do fornecedor foi excluída logo após a transação.

Crescimento do mercado darknet

A partir da última pesquisa, os pesquisadores da Check Point verificaram que vários fornecedores afirmam oferecer doses de vacina a “granel”, não apenas doses únicas. Isso pode indicar, segundo os pesquisadores, o crescimento de um mercado clandestino que visa atrair aqueles que podem pagar para comprar grande quantidade de vacinas para seus familiares e amigos, sem esperar pelos programas oficiais de vacinação.

As preocupações e temores sobre a atual segunda onda de infecções é tal que as vacinas poderiam ser importadas e exportadas, contornando as regulamentações, e vendidas em um mercado paralelo. Jonathan Cushing, da Transparency International, uma organização de vigilância anticorrupção, emitiu um alerta semelhante em novembro.

Um dos fornecedores com quem os pesquisadores se comunicaram afirmou ser capaz de vender um pedido de 10 mil frascos, o suficiente para 5 mil pessoas (cada vacina deve ser entregue em duas doses, com 21 dias de intervalo). Devido ao tamanho da remessa, o fornecedor sugeriu enviá-la de três a quatro remessas diferentes, a um preço total de US$ 30.000.

Pesquisadores da Check Point identificaram um salto de 400% no número de anúncios falsos de vacinas. Preços também dispararam