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4 previsões para a segurança dos pagamentos em 2021

Experiências deste ano devem acelerar a inovação e forçar as empresas a aprenderem com seus erros para que eles não sejam repetidos no próximo

Paul Fabara*

22/12/2020 às 13h48

Foto: Adobe Stock

Em paralelo a este ano de pandemia que, em certos momentos, pareceu interminável, as economias globais se adaptaram e aceleraram mudanças que tiveram forte impacto no comportamento do consumidor, nos padrões de fraude e nas necessidades de mitigação de riscos.

Na projeção para o ano que vem, acredito que muitas das mudanças ocorridas nos pagamentos digitais serão mantidas.

Leia também: O que podemos esperar para a computação em nuvem em 2021?

Mas o mais importante é que as experiências deste ano devem acelerar a inovação e forçar as empresas a aprenderem com seus erros para que eles não sejam repetidos em 2021.

Listo a seguir algumas tendências que identifico para o próximo ano:

Com novos hábitos de consumidores, novas responsabilidades

Os hábitos adquiridos pelo consumidor durante a pandemia se tornarão o novo normal, e os estabelecimentos comerciais precisarão atualizar suas estratégias de prevenção de fraude. Segundo o estudo Back to Business da Visa, 78% dos consumidores globais pesquisados adaptaram sua forma de pagar por causa de uma preocupação maior com a segurança. Quase metade deles (48%) disse que não compraria em um estabelecimento comercial que só oferecesse métodos de pagamento que exigem contato com o caixa. Acredito que as preferências desses consumidores não são temporárias e vieram para ficar.

Esses comportamentos forçarão os estabelecimentos a inovar para crescer e atender as preferências do consumidor. Os estabelecimentos comerciais que investirem em novas formas de atrair clientes e de pagar, como on-line, in-app, por aproximação e IoT (vestíveis, in-car, alto-falantes inteligentes, eletrodomésticos inteligentes etc.), serão recompensados por meio da aquisição de novos clientes, da retenção de clientes existentes e do crescimento das vendas.

Por outro lado, os fraudadores também estão entrando no mundo on-line – alguns deles, com o apoio de certas nações. Proteger os pagamentos é uma tarefa complexa e nem todos na indústria têm expertise para fazer isso bem. Os estabelecimentos comerciais precisarão atualizar suas estratégias de prevenção de fraude para operar um comércio omnichannel e, se não dispuserem de expertise internamente, devem recorrer a parceiros eficazes e de boa reputação, capazes de entregar resultados alinhados com seus objetivos e interesses comerciais.

A modernização das infraestruturas de pagamento revelará novas vulnerabilidades em potencial

Um número crescente de Bancos Centrais e fintechs estão desafiando a tradição e explorando novas formas de enviar fundos, liquidar pagamentos e compartilhar informações. Pagamentos em tempo real, moedas digitais e Open Banking suportam inovações compatíveis com as expectativas dos consumidores versados no digital e ajudarão a impulsionar o comércio digital nas próximas décadas. Por outro lado, pagamentos mais rápidos abrem oportunidades para fraudes mais rápidas; além disso, não podemos nos esquecer da privacidade dos dados ao compartilharmos informações.

Fintechs e Bancos Centrais precisam implantar mecanismos capazes de identificar padrões atípicos que podem sinalizar uma fraude. Também é importante que os princípios de Open Banking e do compartilhamento de dados sejam usados de forma responsável e ética em todos os produtos, serviços e tecnologias. Os volumes dos pagamentos em tempo real continuarão crescendo em 2021, as moedas digitais continuarão se popularizando e a privacidade de dados e do consumidor continuarão sendo um dos tópicos mais discutidos. E, com isso, os players da indústria continuarão trabalhando juntos para resolver as novas vulnerabilidades reveladas.

As agências governamentais implementarão medidas de autenticação mais fortes após as perdas com fraudes em 2020

As fraudes cresceram na primeira fase da pandemia nos EUA, na qual os fraudadores usaram identidades roubadas para sacar benefícios do governo federal destinados aos cidadãos vulneráveis afetados pela pandemia. A perda potencial poderia chegar a mais de US$ 26 bilhões em todo o país.

As agências governamentais devem trabalhar para evitar novas perdas, caso novos estímulos públicos sejam disponibilizados em 2021 — revendo os processos e as tecnologias usados para verificar a elegibilidade e a distribuição dos benefícios. O fortalecimento das capacidades de autenticação para melhor avaliar se as pessoas se qualificam ou não para um benefício público deve ser prioridade no próximo ano.

Se as agências não tiverem expertise para fazer isso internamente, devem recorrer a parceiros de confiança na área de pagamento. Instituições financeiras, redes de pagamento e processadores do mundo todo precisam se preparar agora para implementar camadas e estratégias de prevenção de fraude adequadas para que os benefícios públicos cheguem aos verdadeiros beneficiários, e não aos fraudadores.

A identidade digital continuará ganhando espaço, levando à migração para soluções de autenticação forte do cliente

O abandono das senhas e da autenticação baseada no conhecimento será acelerado com a adoção de padrões de autenticação forte do cliente, como FIDO (sistemas de login seguros e rápidos em sites e aplicativos), disponível agora em todos os principais navegadores e dispositivos móveis.

Os planos para sistemas de identidade eletrônicos liderados por bancos e o setor público (e-ID) avançarão juntamente com estruturas e regulamentos de confiança para informar como as várias partes podem interagir. A demanda por soluções que ajudem os bancos e os estabelecimentos comerciais a verificar a identidade do consumidor digitalmente, acelerada pela Covid-19, vai crescer. Quem não conseguir fazer uma gestão eficaz das identidades se tornará alvo dos fraudadores.

*Paul Fabara é Chief Risk Officer da Visa