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Telegram abandona projeto de blockchain e criptomoeda

Projeto foi embargado após longa disputa judicial nos EUA. Fundador do app de mensagens escreveu longa carta de repúdio à decisão

Da Redação

14/05/2020 às 8h00

Foto: Shutterstock

O Telegram anunciou na terça-feira (12) que vai desistir de continuar a criação de sua plataforma própria de blockchain, a Telegram Open Network (TON), e da ideia de criar sua própria criptomoeda, o Gram. A desistência é resultado de uma disputa com a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA.

“Hoje é um dia triste para nós aqui no Telegram. Estamos anunciando a descontinuação do nosso projeto de blockchain ”, escreveu Pavel Durov, fundador e executivo-chefe do Telegram, em seu canal dentro do próprio Telegram. O fundador da plataforma fez um longo post sobre o assunto com dura críticas aos Estados Unidos.

O Telegram previa lançar a plataforma até abril de 2021, resultado de um trabalho que já durava cerca de dois anos e meio. "O TON foi projetado para compartilhar os princípios de descentralização pioneiros em Bitcoin e Ethereum, mas para ser muito superior a eles em velocidade e escalabilidade", escreve Durov em seus post.

De acordo com a postagem de Durov, o tribunal dos Estados Unidos afetou a criação da moeda Gram, o que motivou o cancelamento do projeto em escala global. "Por quê? Porque, segundo ele, um cidadão americano pode encontrar uma maneira de acessar a plataforma TON após o lançamento".

O texto de Durov amplia as críticas: "Esta decisão do tribunal implica que outros países não têm soberania para decidir o que é bom e o que é ruim para seus próprios cidadãos. Se os EUA de repente decidissem proibir o café e exigissem o fechamento de cafeterias na Itália, porque algum americano poderia ir até lá - duvidamos que alguém concordaria".

E segue: "Então, sim, é verdade que outros países não têm soberania total sobre o que permitir em seu território. Infelizmente, nós - os 96% da população do mundo que vivem em outros lugares - dependemos dos tomadores de decisão eleitos pelos 4% que vivem nos EUA".

Durov ainda deixa claro no texto que os usuários fiquem atentos a possibilidades de terceiros usarem o projeto como forma de planejar golpes e pede atenção: o Telegram não está mais envolvido em projetos deste tipo.