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Implementar soluções em nuvem: 3 etapas e 7 aspectos para considerar

Implementar uma solução em nuvem pode ser o primeiro passo da jornada que busca reduzir custos, mas é importante ter a clareza dos seus desafios

Por Fabiana Schurhaus*

24/03/2021 às 19h09

Foto: Adobe Stock

Cada vez mais o uso de tecnologia de computação em nuvem está em evidência e essa temática explodiu muito desde o ano passado. Ela está por atrás de muitos serviços disponíveis hoje e continuará sendo a base dos serviços no futuro. Há muitos artigos disponíveis que descrevem por que a computação em nuvem é relevante e seus benefícios. Porém, também é importante considerar por onde começar e como abordar a jornada de computação em nuvem na sua empresa.

Existem diversas ofertas e provedores de serviços em nuvem, que ora são competidores ora são complementares. Você deve considerar todas as opções para escolher a mais adequada para seu negócio e, em geral, isso demanda o envolvimento de diferentes ofertas (ou serviços). Ter uma boa arquitetura e estratégia de nuvem é essencial para facilitar e acelerar sua jornada de transformação digital. Com o objetivo de desmistificar o assunto, ressalto abaixo três etapas cruciais para esta jornada:

1. Definir a estratégia de nuvem

A computação em nuvem é considerada hoje um termo amplo que abrange uma série de camadas diferentes como é o caso da infraestrutura, plataforma de aplicações, processos de negócio, softwares, entre outras. Como não existe uma única proposta de valor para as organizações, cada uma pode ter uma estratégia diferente de migração para a nuvem e parte dela está ligada ao modelo de serviço que será escolhido. Podemos ter a combinação de um ambiente on-premises tradicional com nuvem pública e/ou nuvem privada com nuvem pública - aqui é o modelo de nuvem híbrida; um ambiente totalmente na nuvem pública; um ambiente em nuvem privada; um ambiente de diferentes provedores de nuvem pública, ou seja, o modelo de multicloud. No fundo, quem determina qual é o melhor modelo de nuvem a ser implementado é a estratégia que sua empresa quer adotar.

2. Arquitetura da solução em nuvem

Assim que a estratégia de nuvem for definida, a próxima etapa é detalhar a arquitetura da solução. A seguir, estão os aspectos críticos a serem considerados nesta fase:

Segurança/Compliance: este é um dos principais inibidores para as organizações adotarem soluções em nuvem. Para que seja fornecida a segurança adequada, devem ser considerados: controles de segurança na nuvem, segurança e privacidade de dados, criptografia, conformidade com questões legais e contratuais;

Alta disponibilidade e recuperação de desastres: a natureza da nuvem significa que você tem controle limitado sobre as interrupções programadas e não programadas. Apesar da infraestrutura e da plataforma terem alta disponibilidade, elas não garantem que a solução e/ou a aplicação irão automaticamente implementar estes recursos em todas as suas camadas. É fundamental projetar a solução como um todo para garantir a continuidade das operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, buscando minimizar os impactos no negócio. Algumas opções são hospedar a solução em várias regiões e zonas de disponibilidade de nuvem, optando por provedores que tenham regiões multizona, monitorar e escalonar quando necessário, e a utilização de containers para provisionamento dinâmico de serviços;

Backup e restauração de dados: os provedores de nuvem oferecem várias opções de serviço de backup. Os arquitetos da solução devem considerar esses serviços e estratégias para ter a capacidade de restaurar o sistema em caso de perda de dados;

Pipeline de DevSecOps: as ofertas de nuvem, especialmente soluções de PaaS/IaaS oferecem uma ampla variedade de recursos DevSecOps para alcançar integração, entrega, implementação e operações contínuas. É fundamental definir a estratégia de execução do toolchain de DevSecOps para não gerar dependências dos provedores de nuvem. Além disso, é fundamental numa estratégia multicloud definir os ambientes de desenvolvimento, homologação e produção com consistência em um mesmo provedor de nuvem. Não dá para desenvolver e testar em uma cloud e implementar em produção em outra;

Uso de containers: as capacidades de escalabilidade, padronização e a alta disponibilidade providas pela plataforma de containers estão entre os grandes diferenciais para disseminar uma arquitetura de microsserviços. A ampliação e/ou redução automática de recursos podem ser alcançadas instantaneamente para oferecer capacidade adicional aos serviços, dependendo da carga de trabalho da solução;

· Latência: a latência da rede é um aspecto importante a ser considerado especialmente em um ambiente de nuvem híbrida. Os provedores de serviços de nuvem podem auxiliar no roteamento inteligente de usuários finais para o datacenter em nuvem com o melhor desempenho de rede;

Escalabilidade e Elasticidade: é a capacidade de um recurso de TI de lidar com demandas crescentes ou decrescentes de maneira capaz e é um dos recursos mais benéficos e populares da nuvem. Um dos grandes benefícios da nuvem é a possibilidade de você projetar o seu sistema para consumir a menor quantidade de recursos possível, evitando a ociosidade do seu parque tecnológico, algo que provavelmente você já viu na sua empresa.

3. Decidir sobre uma oferta de nuvem adequada

A próxima etapa para a implementação da nuvem é decidir se as ofertas dos provedores são adequadas para a sua estratégia e arquitetura de nuvem. Existem algumas ferramentas e abordagens disponíveis para avaliar a aderência da nuvem, com base nas cargas de trabalho, requisitos não-funcionais, tecnologias atualmente em uso e a gama de hardware/software existente. Essas ferramentas podem ajudar na avaliação do ambiente de implantação de destino, a aderência e os benefícios da nuvem que podem ser alcançados.

Implementar uma solução em nuvem não significa apenas hospedar uma solução legada existente em uma nova infraestrutura. Este pode ser um primeiro passo da sua jornada que poderá reduzir custos, mas é importante ter a clareza dos benefícios, como escalabilidade, flexibilidade, agilidade, inovação, entre outros fatores. Também faz parte do processo trabalhar internamente na evangelização do time técnico e de negócios sobre a estratégia, cultura de inovação e experimentação, promovendo uma nova mentalidade sobre este paradigma. Todo o potencial da nuvem está no uso dos serviços apropriados.

*Fabiana Schurhaus é Líder da Comunidade Técnica da IBM Brasil