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Futuro aberto: por que a computação em escala não existe sem a nuvem híbrida?

Edge computing vira o conceito de computação em nuvem de cabeça para baixo; E dada a sua natureza diversa, consistência é fator chave

Por Thiago Araki*

15/03/2021 às 19h01

Foto: Adobe Stock

Há alguns anos estamos acompanhando o surgimento de cenários que levam a TI corporativa para as bordas, desde o uso de veículos autônomos controlados por inteligência artificial (IA) até vastas redes de sensores que dependem da tecnologia 5G para obter conectividade instantânea e tempos de reação cada vez menores. Seja a Internet das Coisas (IoT), fog computing ou edge computing, o objetivo é trazer recursos de computação – como poder de processamento e armazenamento – para mais perto do usuário final ou fonte de dados, a fim de melhorar a escalabilidade, capacidade de resposta e experiência global de serviço.

Edge computing está mudando a maneira como os líderes da indústria pensam sobre o data center. De acordo com o estudo Data Center 2025: explorando as possibilidades, realizado pela Vertiv, mais da metade dos profissionais ouvidos têm sites de edge ou planeja tê-los em 2025. Os participantes da pesquisa acreditam que seu número total de sites de edge possa avançar 226% nos próximos cinco anos.

Podemos considerar o edge (ou computação de borda, em português) a nova fronteira da computação, uma extensão do data center, como ambientes físicos, virtuais, nuvens privadas e públicas. De certa forma, o edge é a conjunção das outras quatro, combinando componentes de cada uma para criar uma infraestrutura projetada especificamente para atender às demandas dos clientes que os modelos tradicionais de TI não conseguem. Mas, ao contrário das outras, o edge tem dois fatores-chave bem definidos: simplesmente não existe sem a nuvem híbrida e sua base deve ser aberta para evitar falhas. Essas afirmações parecem ousadas, mas são precisas. Se o edge é o futuro realista para a TI corporativa, requer nuvem híbrida e open source para prosperar.

Edge: híbrida ou nada

Edge computing vira o conceito de computação em nuvem de cabeça para baixo. Enquanto as implantações cloud tradicionais são centralizadas em uma única infraestrutura capaz de escalar verticalmente, com base nas necessidades de negócios, o edge se concentra no scale-out (escalar horizontalmente) e em uma maior amplitude geográfica.

Podem ser servidores pequenos instalados em torres de telecomunicação, sensores que monitoram uma rede elétrica global ou sistemas de automação de indústrias 4.0 que preveem as necessidades de manutenção. Qualquer que seja a carga de trabalho específica para o edge, a necessidade é a mesma: respostas mais rápidas a serviços mais oportunos, independentemente do tipo. O eBay, por exemplo, está adotando a computação de borda, descentralizando seus data centers, para criar uma experiência mais ágil e consistente, trazendo dados e serviços online para mais perto dos usuários.

Dada a natureza diversa da computação de borda, a consistência é um fator-chave. Uma implementação de edge poderia, em teoria, consistir em centenas de milhares de sensores minúsculos conectados em um nível de agregação de dados que ajudam a fornecer feedback em tempo real. É basicamente impossível gerenciar cada uma dessas implantações se elas não compartilharem um plano de controle mais seguro por meio de automação, gerenciamento e orquestração.

Essa uniformidade é alcançada com a nuvem híbrida. A partir de dispositivos edge e da rede conectada ao data center centralizado, a implantação de uma nuvem híbrida traz facilidade de controle ao que, de outra forma, seria extremamente complexo. A nuvem híbrida fornece a todos esses componentes diferentes uma base comum sobre a qual se apoiar, seja Linux, Kubernetes ou Ansible, e permite que as equipes de TI gerenciem dezenas de milhares de dispositivos conectados da mesma forma que gerenciam sua TI centralizada.

Open no data center e no edge

A inovação pode ser facilmente prejudicada pela fragmentação e, pior, pela introdução de modelos “proprietários” ou de núcleo aberto. Os últimos 25 anos do UNIX são uma prova de como esse desafio pode ser complexo. Nele, cada fornecedor de hardware tinha seu próprio sistema operacional que só funcionava em suas próprias máquinas. A introdução do Linux de nível empresarial encerrou esse modelo e deu início ao ciclo de inovação que mais tarde levou à virtualização, computação em nuvem, containers, Kubernetes e, hoje, edge.

Se essa inovação fosse encadeada por tecnologias moldadas por “edições de edge”, em vez de conduzida por padrões abertos e comuns da indústria, a fragmentação entraria em cena novamente. Por isso é fundamental a criação de padrões em comunidades de desenvolvimento open source e em grupos de trabalho do setor, como o LF Edge, Kubernetes Edge & IoT Working Group, OpenStack Edge Working Group, Akraino Edge Stack, OPNFV, entre outros.

Isso não significa que todas as soluções de borda serão baseadas em tecnologias open source. O compromisso com o código aberto não acontece apenas quando é conveniente ou quando surge algo novo e atraente, como a computação de borda. Ao mesmo tempo, colocar recursos ou capacidades proprietárias em camadas sobre um “núcleo aberto” é a antítese dos padrões de código aberto; meio aberto significa totalmente fechado, seja um sistema operacional ou a borda.

Hoje, quando olhamos o edge, vemos uma nova onda de inovação emergindo. A promessa e o poder da computação de borda são reais e a intenção das comunidades de código aberto é ajudar as organizações a capitalizar esses benefícios sem medo de fragmentação ou cativeiro. Aberto, híbrido e capaz de atender às necessidades do atual momento global, o edge é o caminho rumo ao futuro de uma tecnologia mais ágil, segura e com menos tendência a falhas.

*Thiago Araki é Senior Manager, Latin America Office of Technology na Red Hat