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Divisão da cadeia de suprimentos de chips custará caro, diz fundador da TSMC

Fundador da maior fabricante de chips do mundo disse que esforços de criar caminhos alternativos para produção de chips tornará o produto mais caro

Redação

19/07/2021 às 13h00

TSMC fabricante semicondutores
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Legenda: Shutter Stock

A escassez de chips continua sendo uma preocupação na cadeia de suprimentos de muitos setores. Embora governos estejam se esforçando para encontrar alternativas que supram a escassez, iniciada com as barreiras impostas pela Covid-19, Morris Chang, fundador da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), alertou que os esforços dos governos de todo o mundo para construir cadeias de suprimentos de chips domésticos podem elevar os custos e ainda assim não alcançar a autossuficiência, segundo informações da Bloomberg.

Em encontro virtual dos líderes da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, Chang, que falou como enviado de Taiwan, comentou que o negócio de semicondutores ficou sob pressão, em meio a uma escassez global de chips, ocasionando um alarme para a necessidade de autossuficiência em Tóquio, Washington e Pequim.

“O livre comércio nas últimas décadas impulsionou significativamente o desenvolvimento da tecnologia de semicondutores”, disse Chang a repórteres na sexta-feira (16). “Uma tecnologia mais complexa fez com que a cadeia de suprimentos fosse offshore”, disse ele. “Se tentarmos voltar no tempo, os custos aumentarão, o desenvolvimento de tecnologia diminuirá”.

Chang disse que os governos podem ainda não ser capazes de construir uma cadeia de suprimentos autossuficiente depois de gastar centenas de bilhões de dólares e muitos anos nisso.

Recentemente, Estados Unidos, Reino Unido e China manifestaram ações para tornar a cadeira menos dependente da TSMC e de outras empresas estrangeiras de chips.

O governo dos EUA, por exemplo, propôs uma conta de US$ 52 bilhões para aumentar a produção de chips e impulsionar a pesquisa e desenvolvimento de semicondutores em solo americano. A União Europeia planeja dobrar a produção de chips para pelo menos 20% do fornecimento mundial até 2030 e Xi Jinping, presidente da China, nomeou seu czar econômico, Liu He, para supervisionar os esforços do país para reduzir essa dependência.

Chang continuou a defender o modelo de negócios de fundição em que foi pioneiro, o que fez com que a produção global de chips ficasse altamente concentrada em Taiwan, principalmente para semicondutores de última geração usados em smarpthones e servidores.

No entanto, a TSMC agora está gradualmente se afastando desse caminho com vários projetos no exterior, como a construção de fábricas no Arizona e no leste da China, bem como analisando uma nova fábrica no Japão.

Ainda assim, Chang disse que o método antigo ainda é o melhor para atender à demanda do consumidor global.

“É prudente ter uma cadeia de fornecimento de chips autossuficiente para algumas aplicações de segurança nacional. No entanto, para a enorme demanda do setor privado, é melhor manter uma cadeia de suprimentos de chips baseada no sistema de livre comércio”, disse ele.