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Blockchain criado por IBM e Maersk já registra 160 milhões de processos

Empresas afirmam ter 94 participantes no sistema, incluindo mais de 20 operadores portuários e terminais

Lucas Mearian - Computerworld EUA

21/08/2018 às 10h18

porto conteineres
Foto: Shutterstock

Legenda: porto conteineres

Após lançar uma prova de conceito no início deste ano, com a criação de uma joint-venture, IBM e Maersk apresentaram a TradeLens, versão de produção de uma plataforma de registro eletrônico em blockchain para rastrear remessas globais. As empresas afirmam já contar com 94 participantes no sistema, incluindo mais de 20 operadores portuários e terminais.

O ledger de envio eletrônico desenvolvido em conjunto registra os detalhes dos embarques de carga à medida que eles deixam sua origem, chegam aos portos, são enviados para o exterior e são recebidos.

Durante o processo de transporte, todas as partes envolvidas na cadeia de suprimentos podem visualizar informações de rastreamento, como horários de chegada de remessas e documentos como liberações alfandegárias, faturas comerciais e conhecimentos de embarque em tempo quase real, por meio de um sistema de blockchain autorizado.

Mais de 160 milhões de eventos de embarque já foram capturados na plataforma, de acordo com as empresas. "Esses dados estão crescendo a uma taxa próxima a um milhão de eventos por dia", disseram as companhias.

Novo processo

Tradicionalmente, os sistemas de informação da indústria marítima internacional têm usado documentos legais em papel e os dados eletrônicos são transmitidos via intercâmbio eletrônico de dados - uma tecnologia de 60 anos que não representa informações de dados em tempo real. Os participantes do embarque também compartilham documentos via e-mail, fax e correio.

Quando as informações são inseridas ou digitalizadas manualmente, o TradeLens pode rastrear dados críticos sobre cada remessa em uma cadeia de suprimentos, oferecendo um registro imutável entre todas as partes envolvidas, disseram as empresas.

Alguns manifestos de envio também podem ser movidos por meio de uma API para a plataforma TradeLens, para que os fabricantes e outras pessoas na cadeia de suprimentos tenham mais informações e melhor visibilidade do processo.

Juntamente com transitários, transportadoras e empresas de logística, mais de 20 operadoras de portos e terminais estão usando ou concordaram em pilotar a TradeLens, incluindo PSA Cingapura, International Terminal Terminal Services Inc., Patrick Terminals e a Modern Terminals Ltd. em Hong Kong. As autoridades alfandegárias dos Países Baixos, Arábia Saudita, Cingapura, Austrália e Peru também estão participando.

A Modern Terminal, com sede em Hong Kong, tornou-se uma parceira beta do blockchain da TradeLens no início deste ano. "A documentação digitalizada que pode ao mesmo tempo ser autenticada reduzirá os custos e aumentará a segurança da cadeia de suprimentos", disse Peter Levesque, CEO da empresa.

Como operadora portuária, a Modern Terminals não tem necessidade de rastrear remessas fora de seu ambiente operacional, mas mantém o status de containers entrando e saindo de seus terminais por meio de um Terminal Operating System (TOS), muitos dos quais utilizam EDI e LANs sem fio e identificação por radiofrequência (RFID) para monitorar os movimentos de carga.

A documentação que acompanha um container de carga do chão da fábrica até a prateleira da loja é trabalhosa e aberta, disse Levesque. Um registro eletrônico baseado em blockchain fornecerá uma plataforma na qual toda a documentação ao longo do caminho poderá ser visualizada e atualizada quase em tempo real e em um ambiente seguro por participantes autorizados da cadeia de suprimentos.

Ele também dará aos agentes de alfândega, comércio e patrulha de fronteira em todo o mundo "um grau mais alto de certeza sobre o que está na caixa e quem a carregou", acrescentou Levesque.

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