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Troca de mensagens com Mark Zuckerberg sugere que empresa optou por copiar aplicativos como abordagem de negócios

A cópia de aplicativos concorrentes seria “mais rápido do que inovar”, segundo mensagens trocadas em 2012 pelo CEO do Facebook e outros executivos

Da Redação

04/08/2020 às 11h30

Foto: Adobe Stock

Em e-mails de Mark Zuckerberg com outros executivos do Facebook, de abril de 2012, divulgadas na última quarta-feira (29) como parte da investigação do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos, o CEO dizia que a gigante estava agindo lentamente na produção de novos aplicativos móveis.

Na troca de mensagens, os funcionários concordaram que "copiar é mais rápido do que inovar”, de acordo com publicação do The Verge.

Zuckerberg e outros executivos estavam frustrados com a lenta prototipagem interna e avaliaram os benefícios de copiar e iterar rapidamente aplicativos menores como o Pinterest. "Gostaria de saber o que poderíamos fazer para avançar muito mais rápido", disse o CEO.

A cadeia de mensagens começa com Zuckerberg recontando uma reunião com os fundadores do aplicativo de rede social chinês Renren. "Na China, existe uma forte cultura de clonagem rápida e criação de muitos produtos diferentes", escreveu ele.

"Ver tudo isso e o ritmo que novos aplicativos móveis parecem estar saindo de outras empresas me faz pensar que estamos nos movendo muito lentamente”, disse Zuckerberg em uma das mensagens ao contar sobre uma reunião com fundadores do aplicativo da rede social chinesa Renren.

De acordo com o The Verge, outros funcionários copiados no e-mail, concordaram que "copiar é mais rápido do que inovar", ainda que isso gerasse uma má reputação da empresa no setor. "Dedicamos muito tempo a produtos e iterações em produtos que não são usados", disse uma pessoa.

"Se você deu a ordem de cima para baixo, copie, por exemplo, o Pinterest ou a dinâmica dos jogos no Foursquare… Tenho certeza de que [uma] equipe muito pequena de engenheiros, um [gerente de produtos] e um designer farão isso super rapidamente”.

O último e-mail da troca faz menção a dois produtos internos conhecidos como “Snap” e “Roger”, dos quais pouco se sabe a respeito. Esse e-mail considerou a abordagem favorável e comparou com o lento desenvolvimento dos dois produtos. Segundo o site, Roger, aparentemente, era um sistema de mensagens comparável ao WhatsApp, adquirido pelo Facebook em 2014, e Snap era um concorrente em potencial do Instagram.

“Dedicamos muito tempo para garantir que nossos projetos se encaixem em convenções ou configurações, à prova de futuro. […] Percebi que isso é algo que atrasou Roger e outros projetos", dizia a mensagem. “As startups têm o melhor dos dois mundos: [elas] sugam nosso gráfico para construir um novo sistema […] e isso permite que elas criem uma experiência de produto diferente”.

Durante a audiência, Pramila Jayapal, deputada democrata, sugeriu que o Facebook usou a ameaça de clonagem de produtos para empurrar concorrentes menores para a venda, incluindo o Instagram, adquirido dias após o envio desses e-mails. "O Facebook já ameaçou clonar os produtos de outra empresa enquanto tentava adquiri-la?", ela perguntou. "Congressista, não que eu me lembre", respondeu Zuckerberg.

O período posterior às mensagens levou o Facebook a ganhar uma reputação de clonagem de aplicativos ou funções, como o lançamento do Instagram Stories, que copia as funções do Snapchat, e, mais recentemente, o Instagram Reels, semelhante ao TikTok. O Facebook lançou um aplicativo também inspirado no TikTok chamado Lasso e um aplicativo como o Pinterest, chamado Hobbi.

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