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Sustentabilidade como valor de negócio: os planos da Schneider Electric para neutralizar suas emissões de carbono até 2025

Eletricidade e automação destravam ações para reduzir pegada de carbono. Lideranças devem assumir o compromisso, avisa Philippe Delorme, da Schneider

Carla Matsu

13/10/2020 às 9h29

Foto: Divulgação

“Você não pode melhorar aquilo que não pode medir”, pontua Philippe Delorme, Vice-Presidente Executivo de Energy Management e membro do Comitê Executivo da Schneider Electric, em entrevista a Computerworld Brasil. A centenária multinacional francesa que oferece soluções digitais em automação e energia tem liderado discussões e ações corporativas a respeito da sustentabilidade enquanto valor de negócio. Ponto fundamental para uma política de sustentabilidade vingar dentro das organizações, diz Delorme, cobra que ações e resultados sejam acompanhados. Mas não só isso. A automação, uma habilidade entregue pela Internet das Coisas e gerenciada por sistemas digitais na nuvem, dá o arcabouço necessário para a sustentabilidade pensada nos dias de hoje. Entretanto, Delorme destaca que o compromisso começa “de cima”: com as lideranças. “O CEO tem de abraçar essa transformação. E para isso funcionar precisa ser construído em todos os níveis da companhia, todos os processos e ações, com objetivos muito bem medidos”, complementa.

Políticas de sustentabilidade corporativa têm sido fortemente cobradas por todos os stakeholders. Um futuro mais sustentável e um capitalismo responsável foram temas-chave do Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, na Suíça. “Vimos a sustentabilidade subindo a agenda em 2020”, lembra Delorme que participou da edição deste ano. “Tornou-se prioridade número um para todos, seja no mundo corporativo, no mundo político e no econômico. A questão não é mais porquê. A população mundial percebeu que é uma urgência para se viver”, argumenta. “Essas pessoas são clientes do mundo corporativo e o mundo corporativo quer responder às necessidades dos clientes. Outro ponto é a pressão dos conselhos. A maioria tem pressionado por planos de sustentabilidade, com subcomitês criados e que sinalizam para o CEO: ‘é melhor construir um plano e mostrar que é sério, caso contrário alguém irá fazer o seu trabalho’”, alerta Delorme.

Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul, joga luz sobre alguns números que endossam a urgência do tema. “É preciso reduzir em 7,6% ao ano a emissão de gases de efeito estufa entre 2020 e 2030”, diz ele ao citar a última edição do relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). “Só assim será possível limitar o aumento do aquecimento global a 1,5 °C (objetivo ideal do Acordo de Paris, baseado em dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), e, portanto, evitar uma catástrofe”, reforça. Para o executivo, empresas de todos os setores podem aderir ao modelo do ‘mais com menos’. “Da eficiência no core business e da sustentabilidade como meio de existência. Não há negócio sem sustentabilidade”, acrescenta Segrera.

Em julho deste ano, o mais recente relatório do G&A Institute, que acompanha as tendências de sustentabilidade de empresas públicas, concluiu que 90% das companhias que integram a lista S&P 500 abriram seus relatórios de sustentabilidade. Para especialistas, ao tornarem públicos tais documentos as companhias reconhecem o impacto que o ESG (sigla em inglês para práticas ambientais, sociais e de governança) tem nas relações com investidores, no comportamento do mercado e no sucesso financeiro. Ao mesmo tempo, acabam dando exemplo.

Uma nova era para a sustentabilidade com IoT

Para Segrera, a escalada da Internet das Coisas se mostra como a única maneira de ser eficiente e sustentável em um mundo onde dispositivos avançam de forma exponencial para suas condições existenciais serem conectadas via de regra. “Teme-se que investir na Internet das Coisas seja caro, mas, digo de antemão, vai sair muito mais caro virar as costas para ela”, salienta. “Como um lembrete do que estamos falando, o volume de redução de emissões de CO2 com a IoT é enorme – equivalente a uma crise da covid-19 todos os anos até 2030 e além. E a boa notícia é que é possível expandir”, compara o executivo.

Segundo Segrera, existem plataformas IoT que permitem automatizar e conectar infraestruturas inteiras gradualmente. Esses sistemas permitem otimizar o desempenho da operação, aumentar a eficiência e ainda possibilitam a gestão e medição de recursos e auxiliam na tomada de decisões. “O digital é muito criticado por sua suposta intensidade energética, mas, na verdade, gera mais economia do que demanda e, mais ainda, pode ser descarbonizado (junto com a descarbonização da eletricidade)”, frisa o executivo.

Com tecnologias inovadoras, em um cenário adaptado à sustentabilidade, uma empresa consegue ser pelo menos 25% mais eficiente no consumo de energia, apontou o último Relatório Corporativo de Progresso de Energia e Sustentabilidade 2020, da Schneider Electric. Em relação ao CapEx (despesas de investimento), é possível otimizar custos e tempo de engenharia em 35%, e chegar a 80%. Ainda segundo o relatório, a produtividade das organizações aumenta em 24%, podendo chegar até 50%. Quanto à disponibilidade e vida útil dos equipamentos, o índice é de 22% em média, e alcança até 50%. E os custos de manutenção aumentam 28%, e podem atingir até 75%. Com isso, as emissões de carbono podem ser cortadas pela metade.

Do data center à economia circular

Gigantes como Amazon, Microsoft, Apple e Google também anunciaram seus compromissos para neutralizar suas emissões de carbono resultantes de suas operações globais. Segrera diz que o primeiro passo para criar um modelo de negócio sustentável, é estar atento ao que sua produção causa ao meio ambiente. “Para isso, é preciso medir sua pegada de CO2. Se você está no setor, precisa saber quanta energia é consumida para fabricar seu produto. Se você trabalha com TI, descubra quanto CO2 seu data center emite. Se você está em um prédio, saiba o quanto seu sistema de ar-condicionado influencia na conta mensal de energia. É necessário medir a demanda de energia (incorporada ou operacional) e a pegada de CO2 de tudo o que você tem e faz para administrar seu negócio. Isso pode ser feito coletando dados e enviando-os para uma plataforma de gerenciamento em nuvem totalmente escalonável e segura”, explica. Do outro lado, softwares e inteligência artificial oferecem uma fotografia do cenário atual e geram informações relevantes para a estratégia e o processo de tomada de decisão em tempo real. “Com essa tecnologia, você obtém visibilidade total de seus processos e sistemas, identifica claramente os pontos de atenção (incluindo perdas e gastos), prioriza investimentos, e otimiza o uso de energia, materiais e recursos naturais ao máximo. Você ganha produtividade e competitividade em uma economia global”, complementa o executivo.

“Há algo que me deixa confiante é que, hoje, temos tecnologias que não estavam disponíveis há 10 anos”, pontua Philippe Delorme. O executivo explica que os investimentos em um plano de sustentabilidade detalhado da Schneider Electric começaram há cerca de 15 anos. “Começamos com a ideia de colocar uma espécie de barômetro que iria medir os diferentes componentes do nosso compromisso com a sustentabilidade. Isso evoluiu para um índice que pode ser auditado por empresas externas de forma que podemos ser absolutamente confiáveis e claros sobre o que fazemos", explica. Entre os pilares que sustentam o plano, há diretrizes sobre clima, economia circular e equidade. Segundo Delorme, tais pilares são suportados, por sua vez, por indicadores que impactam 20% do pagamento coletivo de mais de 5 mil gerentes na companhia mundo afora. Compromissos anunciados publicamente também cobram a responsabilidade interna. “Nós melhoramos o nosso compromisso em sustentabilidade, aceleramos nosso objetivo para neutralizar as emissões de carbono de 2030 para 2025. E ter uma rede de supply chain neutra até 2050”.

Reflexo da pandemia da covid-19, o confinamento social em escala global mostrou neste ano o que a redução da queima de combustíveis e emissão de poluentes pode representar em um curto espaço de tempo. Para Delorme, a pandemia "fez a gente repensar" e a digitalização acelerada como resposta para continuidade dos negócios em meio ao isolamento social poderá contribuir com planos de sustentabilidade futuros. "O mundo costumava seguir muito rapidamente, mas por algumas semanas ou meses, em muitos lugares do mundo, o mundo congelou a um ponto que nós acreditamos que o consumo de energia cairá, pela primeira vez, em muitos anos em 6% e a emissão de carbono irá cair em 8%. Esses são números que mostram que reduzir a nossa pegada de carbono é possível", reflete Delorme.

Da mesma forma que as medidas de isolamento social buscaram 'achatar a curva do contágio' do novo coronavírus, Delorme, recorre a sua analogia para endereçar questões climáticas. "Nós também queremos achatar essa curva, e quanto mais você espera para tomar alguma ação, maior a curva será. E muitos falam que esta pandemia é o que nos preparará para a próxima grande catástrofe que pode vir e que será a questão climática. Ao mesmo tempo, a pandemia levou a uma aceleração da digitalização. Essa aceleração destravou no pensamento de muitas pessoas que fazer as coisas diferente hoje é possível. A covid-19 acelerou fortemente a digitalização que nos preparará para um mundo mais sustentável por mais doloroso que seja", finaliza.

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