Home  >  Negócios

Reforçar presença na China é uma das metas do Facebook para 2020

Apesar de a rede social não operar dentro do país, as empresas chinesas são o segundo maior anunciante por conta de campanhas para o exterior

Da Redação

09/01/2020 às 12h00

Foto: Shutterstock

Os anunciantes chineses estão na mira do Facebook, que deslocou todo um time de atendimento para esse público e está trabalhando no desenvolvimento de ferramentas capazes de permitir que esse público acesse a rede social sem burlar o sistema local, que impede o acesso a maioria dos sites estrangeiros. 

A Reuters descobriu que o Facebook acabou de montar um escritório em Singapura composto por veteranos de casa de diferentes setores, com o objetivo de estreitar o relacionamento da empresa com a região no geral e com a China no particular. A companhia já confirmou a existência do time. 

Olhando de fora, todo esse esforço em um mercado cujo público não pode acessar sua plataforma não parece fazer sentido. Mas a questão muda de figura quando se pensa pelo lado reverso: são as empresas e o próprio governo chinês que utilizam a ferramenta de publicidade da rede para divulgar produtos, serviços ou iniciativas do país ao mundo. 

  • Leia na IT Trends 

Você está pronto para o futuro do trabalho? 

Transformação digital: adapte-se com estas cinco dicas 

Analisando sob a perspectiva de compras de anúncio, a China é um público de extremo interesse para Mark Zuckerberg: analistas estimam que o Facebook vendeu mais de US$ 5 bilhões em anúncios para empresas do país, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. 

Porém, boa parte desses investimentos vem apenas de marcas gigantescas, como a Bytedance (que injetou milhões na plataforma para promover seu app TikTok). Já companhias menores têm medo de serem penalizadas pelo governo, pois teoricamente não podem fazer negócios com a marca americana. 

Proximidade, mas nem tanto 

As lideranças do Facebook acreditam que construir um escritório na Ásia com foco nesse público fará com que a rede social tenha mais proximidade com potenciais clientes, entendendo quais mudanças teriam que ser feitas na plataforma para incentivar seu uso pelo público chinês. Além deste país, o Facebook também quer aumentar sua presença em locais como Vietnã, Índia e Tailândia. 

Além de prospectar novos clientes, a rede social quer que seu time asiático acompanhe de perto das mudanças tecnológicas na região, apontada pelos executivos da marca como o lugar em que estão nascendo as tecnologias de consumido mais interessantes. 

Um aspecto controverso dentro dessa abordagem está no fato de que, apesar de realizar claros investimentos na China, Zuckerberg já demonstrou em mais de uma ocasião uma postura crítica ao governo e empresas locais.  

Em março do ano passado, o executivo afirmou que sua empresa não hospedaria data centers em locais "com histórico de violação de direitos humanos como liberdade de expressão ou privacidade". Em outubro, Zuckerberg voltou ao assunto afirmando que "nós [equipe] não poderíamos nunca concordar com o que seria necessário para operarmos lá". 

Essas questões não impediram a companhia de promover uma viagem com mais doze empresas chinesas para locais como Índia e Oriente Médio, como forma de convencê-los a expandir os gastos com a plataforma, em geral concentrados nos Estados Unidos. 

Tags