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Project Loon, da Google, fornecerá internet para o Quênia

Após dois anos de teste, a substisidária da Google realizou a primeira transmissão de internet movida a balões na África

Da Redação

09/07/2020 às 12h30

Foto: Divulgação/Loon

Desde a última terça-feira (7), dezenas de milhares de pessoas no Quênia passaram a receber serviços de internet através de balões. Situados a cerca de 20 quilômetros da estratosfera, bem acima da altura dos aviões comerciais, uma frota de balões fornecerá, inicialmente, uma conexão de rede 4G LTE a uma área de 13 mil quilômetros quadrados no centro e oeste do Quênia, incluindo a capital Nairobi, de acordo com o New York Times.

Esse serviço será proporcionado pela Loon, subsidiária da Google, que é controlada pela Alphabet. Nos últimos meses, a iniciativa lançou 35 balões nos últimos meses, em preparação para o início do serviço. A unidade atua em parceria com a terceira maior provedora de telecomunicação do país da África Oriental, a Telkom Kenya.

Os executivos da Loon, que surgiu no laboratório de pesquisa e desenvolvimento da Alphabet, conhecido como X, não revelaram os custos do contrato com a Telkom ou de quaisquer acordos financeiros.

A tecnologia já foi usada em caso de emergência em Porto Rico, em 2017, após o furacão Maria e já vinha sendo testado nos últimos dois anos. Ela é considerada pela unidade da Alphabet um serviço que pode servir de solução econômica para o fornecimento de internet em locais de difícil acesso.

Entretanto, a inauguração oficial do serviço ocorreu no Quênia, um país que tem cerca de 39 milhões de pessoas, entre 48 milhões, com acesso à internet, de acordo com a reportagem. Os líderes da Loon dizem que a escolha da região se deu devido à abertura do país para adoção de novas tecnologias.

Objetivos do projeto

As autoridades quenianas disseram que os balões ajudarão o país a manter sua vantagem competitiva em inovação tecnológica. "O Quênia é o local ideal para começarmos esta nova era das comunicações estratosféricas", disse Alastair Westgarth, Executivo-chefe da Loon, em entrevista concedida por e-mail ao NYT.

“O país tem sido incrivelmente inovador ao encontrar novas maneiras de conectar populações não conectadas. Como uma tecnologia nova e inovadora, essa é uma ótima opção”, completa.

No decorrer dos testes que levaram ao lançamento de terça-feira, mais de 35.000 usuários da rede Telkom se conectaram à Internet por meio de um balão Loon, diz a reportagem.

De acordo com a publicação, os balões são de feitos de folhas de polietileno do tamanho de quadras de tênis, alimentados por painéis solares e controlados por software no solo. Enquanto estão no ar, eles agem como "torres de células flutuantes", transmitindo sinais da Internet para estações terrestres e dispositivos pessoais. Eles duram bem mais de 100 dias na estratosfera antes de serem devolvidos à Terra.

Ao permitir que as companhias telefônicas expandam sua cobertura quando necessário, os balões visam oferecer aos países uma opção mais barata do que instalar cabos ou construir torres de celular.

O projeto, entretanto, dividiu opiniões.

De acordo com o NYT, alguns dizem que Loon e Telkom estão lançando o serviço em partes do país onde as redes celulares já foram expandidas, em vez de segmentar a regiões carentes, como o norte ou o nordeste do Quênia. Muitas pessoas em áreas remotas ou pobres não podem comprar telefones compatíveis com o serviço 4G que a Loon fornece.

"Sinto que esta é uma solução muito mais complexa do que o problema que está sendo resolvido", disse ao jornal Phares Kariuki, Executivo-chefe da Node Africa, uma empresa de gerenciamento de dados.

Por outro lado, outros no Quênia receberam bem o projeto, dizendo que os balões estratosféricos complementam as tecnologias terrestre e de satélite para ajudar a colocar mais pessoas on-line.