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Preparação digital ajudou as organizações a se adaptarem à Covid-19, aponta estudo

Trabalho remoto trouxe ao topo da agenda de transformação das organizações tópicos como desenvolvimento de competências e bem-estar

Redação

07/05/2021 às 11h30

negócios pandemia covid-19
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Quanto mais as empresas estavam focadas na transformação digital, mais rápido conseguiram recuperar as operações e capacitar as pessoas para seguir em frente, de acordo com estudo encomendado pela Microsoft, divulgado nesta quinta-feira (6), que aponta a preparação digital como a chave para a capacidade de adaptação dos líderes empresariais.

A mudança maciça para o trabalho remoto resultou em um maior foco no engajamento dos funcionários, trazendo novas prioridades à agenda de transformação das organizações, cada vez mais pautadas nas pessoas e na sociedade.

O estudo mostrou um foco renovado de todos os setores em engajar e
conectar as pessoas umas às outras, ao seu trabalho e a um senso de
propósito compartilhado. A porcentagem de todos os entrevistados que
mencionaram o engajamento dos funcionários como um imperativo da
tecnologia aumentou de 24% antes da pandemia para 36% na era da Covid,
com aumento de 10 ou mais pontos percentuais em manufatura, serviços
financeiros, varejo e educação.

A preocupação com as pessoas e a sociedade também se manifestou de outras formas. A maioria das empresas afirmou que a pandemia destacou a necessidade de contribuir com mais vigor para obter resultados sociais. Três quartos (75%) dos entrevistados disseram que a transformação digital deve ir além do sucesso empresarial e apoiar melhorias sociais, como a criação de uma força de trabalho mais inclusiva e acessível e a abordagem das pegadas de carbono e das mudanças climáticas.

“A pandemia de Covid-19 mostrou como as ferramentas digitais são fundamentais para permitir que as empresas criem agilidade e respondam a grandes interrupções”, disse Michael Gold, editor-chefe da Economist Intelligence Unit. “Mas esse estudo mostra que não se trata apenas de negócios. A grande maioria das empresas vê a transformação digital como crucial para superar lacunas de competências, engajar os funcionários e proporcionar benefícios mais amplos à sociedade”.

Encomendada pela Microsoft, a pesquisa da Economist Intelligence Unit
(EIU) busca liberar insights sobre o ano passado, como a relação entre
tecnologia, negócios e pessoas evoluiu durante a pandemia de Covid-19 e
focar no caminho a seguir. O estudo analisou especificamente as cadeias
de suprimentos, o trabalho remoto, a análise preditiva, a tomada de
decisões e a segurança e o bem-estar dos funcionários.

Investimentos em tecnologia

Segundo o estudo, aquelas empresas com pegadas digitais robustas
revelaram mais agilidade em facilitar o trabalho remoto, apoiar funções
distribuídas, recuperar cadeias de suprimentos interrompidas e negociar
com os clientes de novas formas. No entanto, embora a transformação
digital tenha possibilitado a continuidade dos negócios, o estudo também
revelou lacunas de qualificação, privacidade, segurança e conformidade à
medida que as organizações aplicam novas tecnologias.

Preparadas ou não, as organizações de todos os setores aceleraram
suas iniciativas de transformação e passaram a depender muito mais das
ferramentas digitais. Neste ponto, a tecnologia de nuvem ficou à frente:
50% das organizações afirmaram que ela desempenhou um papel crítico em
suas operações na era da Covid. Em seguida, vêm as tecnologias que
permitem o trabalho remoto (40%), inteligência artificial e machine
learning (33%) e Internet das Coisas (31%).

Impacto por setor

O estudo abrangeu 15 países das Américas, Ásia-Pacífico e Europa, com 800 altos executivos entrevistados, 100 de cada um desses oito setores: automotivo, bens de consumo e varejo, educação, serviços financeiros, governo, saúde, manufatura e mídia e comunicações.

Como cada setor opera de forma diferente, a pandemia expôs as lacunas
digitais de maneiras diferentes. Os educadores mostraram preocupação
com acesso e inclusão, enquanto as montadoras se concentraram nas
mudanças climáticas. Em todos os setores, o lado humano da tecnologia
transcendeu suas respostas e, de certa forma, ofuscou os benefícios para
os negócios.

  • Automotivo: Os entrevistados do setor automotivo foram muito mais propensos a citar as mudanças climáticas como benefício principal da transformação digital. O setor também está investindo em automação, eficiência de processos e aprimoramento das competências digitais da força de trabalho.
  • Educação: Os entrevistados da área de educação mencionam o desenvolvimento de competências e a inclusão como os principais benefícios da transformação digital em seu setor, mas estão preocupados que a falta de ferramentas crie uma barreira para o progresso digital, bem como com a aplicação fragmentada de tecnologia nos departamentos.
  • Serviços Financeiros: As organizações de serviços financeiros foram as mais preparadas digitalmente para enfrentar os desafios dos lockdowns regionais e as interrupções da cadeia de suprimentos. Os entrevistados do setor de serviços financeiros foram os mais propensos a concordar que a pandemia destacou a vantagem competitiva das empresas preparadas digitalmente.
  • Governo: As organizações governamentais tiveram mais facilidade em obter orçamento para investir em tecnologias com o impacto da pandemia e, em geral, priorizaram ferramentas para facilitar o trabalho remoto e a colaboração. No entanto, as lacunas de competências e talentos - bem como os impactos negativos observados associados às novas tecnologias - continuam sendo barreiras para a transformação digital.
  • Saúde: As organizações de saúde, que dependem muito da interação presencial, talvez tenham passado pela maior transformação com o impacto da pandemia no que diz respeito às experiências remotas de funcionários e pacientes. Embora mantendo rígida conformidade com os regulamentos de privacidade dos pacientes, os administradores e clínicos se expandiram rapidamente e adotaram recursos virtuais à medida que a pressão da Covid os obrigou a aumentar os investimentos.
  • Manufatura: O setor de manufatura, antes da pandemia, já estava trabalhando para resolver uma lacuna de competências. O setor também mencionou diversidade e inclusão, desenvolvimento de competências e mudanças climáticas como suas principais preocupações que a transformação digital pode ajudar a resolver.
  • Mídia e Comunicações: Os entrevistados do setor de mídia e comunicação demonstraram preocupação em acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas e revelaram acreditar que o combate à desinformação será o principal benefício da transformação digital no setor.
  • Varejo e Bens de Consumo: O setor de varejo e bens de consumo demonstrou otimismo ao afirmar que a transformação digital poderia melhorar as perspectivas de emprego, além de ser o setor mais propenso a focar nos impactos sociais positivos da mudança para o trabalho distribuído e remoto.