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Por dentro do acordo entre SoftBank e WeWork

O que levou a empresa de Adam Neumann a aceitar uma oferta que deu à gigante japonesa 80% do controle de suas ações?

Da Redação

28/10/2019 às 17h02

Foto: Shutterstock

A crise na WeWork ainda reverbera entre as manchetes na imprensa e as ações daquela que agora é a maior controladora da startup de escritórios compartilhados, a Softbank. Na última terça-feira (22), o grupo japonês Softbank - maior investidor da WeWork - anunciou um plano de recuperação da empresa e com isso a detenção de 80% das suas ações.

Mas o que isso significará para o futuro da WeWork e, afinal, o que levou a empresa de Adam Neumann, a aceitar a oferta da gigante japonesa? Para compreender esses motivos, o Business Insider conversou com fontes anônimas que revelaram aspectos importantes do acordo.

Segundo a publicação, há apenas alguns meses o cofundador da WeWork, Adam Neumann, estava sendo cortejado pelos principais banqueiros de Wall Street - em antecipação a uma das ofertas públicas iniciais mais esperadas deste ano. Em outubro, depois do cancelamento do IPO e totalmente endividado, Neumann recorreu ao maior credor da WeWork para levantar US$ 5 bilhões. De acordo com as informações do Business Insider, sem novos financiamentos, a companhia ficaria sem dinheiro em algumas semanas.

"Vocês ainda acreditam na empresa?", teria questionado Neumann, que deixou o cargo de CEO, mas ainda era presidente da WeWork, aos banqueiros do JPMorgan no dia 6 de outubro. Em resposta, os banqueiros teriam dito a Neumann e a outros diretores da WeWork que iriam apoiar a empresa e que estavam confiantes de que poderiam levantar o dinheiro.

Entretanto, enquanto os banqueiros do JPMorgan tentavam atrair investidores, alguns dias depois um plano alternativo surgiu do maior acionista da WeWork - o SoftBank. A instituição japonesa ofereceu US$ 9,5 bilhões à companhia, mais recursos e a resolução dos problemas de gestão da empresa - o controle de Neumann.

O acordo do SoftBank tiraria o poder de voto de Neumann e o excluiria do conselho administrativo. O executivo foi acusado por outros investidores, como o Benchmark Capital e Hony Capital, como responsável pelo rápido declínio da empresa.

Um plano difícil de recusar

Mesmo depois de deixar o cargo de CEO, em 24 de setembro, Neumann ainda podia exercer poder sobre a empresa. Como fundador da WeWork, cada uma das suas ações tinha 10 direitos de voto. Pensando em uma forma de fazer o executivo renunciar, o SoftBank elaborou um plano irrecusável.

Em reuniões entre Neumann e o diretor de operações do SoftBank, Marcelo Claure, as diretrizes do acordo foram criadas. A mais recente oferta do SoftBank avaliou a empresa em apenas US$ 5,9 bilhões, valor muito distante dos US$ 47 bilhões que havia atribuído à WeWork em janeiro. Além disso, Claure ofereceu US$ 1,7 bilhão para Neumann deixar o conselho da companhia.

O SoftBank divulgou o acordo que aumentou a sua participação na WeWork para 80%. Apesar disso, a instituição precisará mudar a companhia de escritórios compartilhados rapidamente, ou acabará sendo prejudicada.

Desde o final de junho, a WeWork gastou quase US$ 2,5 bilhões, e Claure terá que fazer cortes de custos urgentemente, incluindo a demissão de milhares de funcionários e o encerramento de contratos. Caso contrário, o levantamento financeiro pode não durar tempo suficiente para estabilizar os negócios.

Como previsto, Claure também está enfrentando resistência da equipe por conta do pagamento feito a Neumann. Como justificativa, o diretor de operações do SoftBank afirmou que esse era o "preço" a ser pago para se livrar dos direitos de voto do executivo.