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O que sabemos sobre PIX, plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central

Marca, que foi apresentada na semana passada, facilitará a realização de pagamentos e transferências entre pessoas, empresas e entes governamentais

Da Redação

26/02/2020 às 8h00

Foto: Reprodução/Flickr Banco Central

Com início programado para o mês de novembro, o sistema de pagamentos instantâneos (SPI) criado pelo Banco Central apresentou um avanço no final da semana anterior. Em evento, a autarquia anunciou o lançamento da marca que representará o serviço, chamada PIX.

João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (DIORF), explicou durante o evento como a plataforma beneficiará a vida de toda a sociedade.

A vantagem mais óbvia trata-se da transação quase instantânea (com tempo máximo de dez segundos) de pagamentos para bancos, instituições ou entre pessoas físicas.

Para isso, o meio de pagamento PIX será incorporado em todos os apps de bancos, fintechs e outras instituições de pagamento, da mesma forma que o boleto é utilizado como forma para quitação de dívidas.

A adesão à plataforma será obrigatória para instituições com número igual ou superior a 500 mil contas, sejam elas poupança, corrente, pagamentos etc. Para quem possui uma base menor, a participação será facultativa e não será necessário ativar esse produto já em novembro.

Existe a possibilidade de que os bancos cobrem o serviço para os clientes. Porém, a autarquia acredita que, devido a competição de mercado, essa possibilidade não deva se concretizar.

Histórico de guias

O PIX também será importante para facilitar o pagamento de taxas governamentais, como os pagamentos feitas via Guia de Recolhimento da União (GRU).

Mello dá como exemplo o processo realizado pelas transportadoras para liberar cargas que estão em portos brasileiros. Um dos passos necessários é pagar uma GRU para que a Anvisa inspecione a carga.

Com o PIX, o tempo para compensação do pagamento, que pode levar até dois dias, cai para segundos. Além disso, os órgãos competentes também recebem o histórico da compra, indicando que o pagamento tem relação com determinada carga, eliminando a necessidade de notificação posterior.

Fomento QR codes

Outra facilidade que o PIX deseja expandir está no uso de QR codes, códigos que podem ser lidos pela tela do smartphone e que se traduzem em quantias de pagamento.

O Banco Central definiu dois tipos de pagamentos por QR codes: estático e dinâmico. Enquanto o modelo estático poderá ser utilizado para transferências dentre pessoas físicas, o formato dinâmico terá preferência em pagamentos realizados em comércios como supermercado e restaurantes.

Outra novidade que o PIX poderá trazer trata-se de um endereço virtual de pagamento (EVP), um número hexadecimal (sequência de números e letras) com 32 caracteres para manter a privacidade do cliente, especialmente no caso de QR codes estáticos.

De acordo com o BC, o pagamento por aproximação deverá ser incluso em um momento futuro.

Definições do serviço

Inicialmente, há as chances de que o PIX tenha um valor máximo por transação, que seria aumentando de acordo com a evolução do sistema. Esse limite, porém seria definido pelos prestadores de serviços de pagamento (PSPs) que estejam conectados ao sistema de pagamentos instantâneos (SPI), plataforma na qual o serviço é criado.

Outra proposta é que cada transação tenha uma base centralizada de segurança, com informações detalhadas sobre a transação (como tipo de conta corrente, há quanto tempo a conta existe) para que, com mais
informações, as empresas consigam realizar uma análise de risco mais precisa.

Percepção externa

A implementação da plataforma é vista com otimismo também por instituições no exterior. No sábado (22), o Goldman Sachs divulgou um relatório afirmando que a tecnologia pode aumentar o volume de pagamentos no sistema.

Porém, a instituição também saliente que, para ser usado em larga escala, o PIX terá o desafio de modificar a cultura do público brasileiro, que ainda tem uma ligação bastante forte com o uso de cartões.

Dentro desse setor, o Goldman posiciona companhias como Stone e PagSeguro como melhor preparadas para se adequar ao novo sistema, ao contrário como de marcas como a Cielo.

*Com informações do Valor Econômico, Mobile Time e [2]