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O pós-pandemia será ainda mais data driven

Com um futuro incerto, a cultura data driven talvez seja a única certeza que temos pela frente

Por Beatriz Bernardi*

12/04/2021 às 17h37

Foto: Adobe Stock

Muitas pessoas têm perguntado sobre os impactos da pandemia no mundo da tecnologia, especialmente para os próximos anos. O home office realmente veio para ficar? A aceleração digital nas empresas será o novo normal? Embora nem tudo ainda possa ser previsto, o que é possível afirmar é que nunca foi tão importante falar sobre dados.

Os novos hábitos de distanciamento, o fechamento do comércio e o crescimento das atividades remotas acabaram limitando o tão importante “olho no olho” com o consumidor. E, nesse cenário, coletar e analisar dados para entender as necessidades do cliente, seu nível de satisfação e até mesmo antecipar seus comportamentos se tornou ainda mais necessário.

O conceito de data driven, que se refere à tomada de decisão totalmente orientada pelo uso de dados, já discutido há algum tempo, tem sido aplicado de forma cada vez mais robusta, especialmente diante do fortalecimento das estratégias digitais em empresas de todos os setores e portes. Com o surgimento de startups e empresas ligadas aos temas da nova economia se tornou cada vez mais fácil acessar tecnologias que ajudem na formação de uma cultura orientada a dados nas organizações.

Mas, de fato, quando se fala em data driven há dois esforços essenciais que precisam ser encarados com a mesma urgência: o primeiro tem a ver com a adoção de tecnologias para coletar e organizar os dados e o segundo, com a consolidação de uma cultura que compreenda os benefícios de transformar dados em informações úteis e adote esse como processo padrão.

Isso tudo ganhou ainda mais evidência no momento atual. Um restaurante com aplicativo próprio ou cadastrado em uma plataforma de entrega, por exemplo, pode usufruir de diversas informações coletadas automaticamente na ferramenta para melhorar seu nível de atendimento, seu mix de produtos e até personalizar a experiência para cada cliente. Um estudo da consultoria McKinsey mostrou que, em 2020, as empresas avançaram o equivalente a sete anos em seus portfólios de serviços digitais em função da pandemia. Além disso, negócios de todas as áreas que já eram orientados a dados foram os que tiveram menos dificuldades para lidar com os desafios desse período e reagir.

O potencial de negócios data driven é imenso, mas sua implementação demanda esforços. Primeiro, porque implica no investimento de recursos e tempo, por exemplo, para definir a governança de acesso para cada informação, os responsáveis por atualizações, a capacitação das pessoas. E depois, porque há uma quantidade enorme de dados disponíveis. De acordo com um levantamento da Seagate, de 2020, mais de 68% dos dados coletados por empresas não é utilizado. Ou seja, além da construção de uma estrutura adequada para armazenar os dados, também é preciso saber como usá-los para ampliar ao máximo o seu valor.

Um movimento recente que ilustra bem essa realidade é o open banking, sistema do Banco Central para compartilhamento de dados bancários entre instituições. Essa nova mentalidade dentro do setor financeiro – que já é referência em inovações tecnológicas – deve revolucionar todo o segmento e impulsionar ainda mais a cultura orientada a dados.

Estamos em um momento de transformação na maneira em como nos relacionamos com os consumidores, colaboradores e todas as partes interessadas de um negócio, e a combinação entre o uso de dados e o cuidado no atendimento ao cliente final é essencial. Com um futuro incerto, a cultura data driven talvez seja a única certeza. Nesse sentido, as empresas que reagirem com velocidade às transformações e se tornarem data driven o quanto antes são as que devem desenvolver com protagonismo a habilidade essencial para sobreviver ao futuro: a capacidade de analisar os cenários e se adaptar a eles.

*Beatriz Bernardi é Diretora de Crédito e Data Science no Agibank