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Mais de 30% das startups brasileiras foram impactadas positivamente pela pandemia

Segundo estudo da FDC e Órbi Conecta, mais de 60% das startups mostram postura ativa na reestruturação e inovação dos negócios

Da Redação

01/06/2020 às 8h00

Foto: Shutterstock

Pesquisa revelou que mais da metade (53,2%) das startups brasileiras sofreram impactos negativos com a pandemia do novo coronavírus, em contrapartida, 30,9% foram positivamente afetadas. O estudo “Startups e os desafios da pandemia: adaptações e reinvenções no ecossistema", feito pela Fundação Dom Cabral e o Órbi Conecta, com o apoio da Abstartups, cobriu mais de 30 segmentos de negócios, incluindo tecnologia, serviços, fintechs e edtechs para compreender os impactos da Covid-19 nas atividades das startups brasileiras. Entre os principais impactos está a aceleração da transformação digital delas.

Segundo o levantamento, o grupo não afetado pela pandemia da Covid-19 engloba apenas 4,2% dos entrevistados. Uma parcela de cerca de 11,7% não consegue identificar, ainda, os impactos para suas empresas. Entretanto, os resultados da pesquisa apontam para uma postura ativa das startups na reestruturação e reinvenção de seus negócios. Quase 60% dos respondentes concordam com este ponto, em grau 4 ou 5 - os mais elevados do ranking.

Impactos positivos e negativos da pandemia

Entre os principais impactos da pandemia nas atividades das startups para o grupo positivamente afetado, aparece em primeiro lugar expectativas otimistas em relação ao futuro da empresa; seguido de pressão para resolver problemas de curto prazo; mudança nas prioridades estratégicas da empresa; demanda de novos clientes; e demanda de novos produtos.

"Alguns dos principais impactos que pudemos observar na pesquisa estão relacionados à aceleração forçada do processo de transformação digital das empresas. Embora isto já venha ganhando espaço há algum tempo, nunca foi tão crucial para a adaptação e reinvenção dos negócios e dos relacionamentos com o ecossistema", afirma Carlos Arruda, Professor e Diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e responsável pela pesquisa.

Entre as principais medidas adotadas pelas startups como reação ao momento atual estão, em ordem de relevância para o grupo positivamente afetado: aceleração dos projetos em desenvolvimento; ampliação de negócios de parcerias, investimentos ou participações em projetos com outras empresas; expansão das atividades da equipe; aumento de atividades comerciais da empresa; e ampliação no orçamento para projetos planejados ou já em desenvolvimento.

Os principais impactos da pandemia sobre as startups cujas atividades foram negativamente afetadas são: perda de receita; prejuízo à dedicação das equipes e uso de espaços.

Para aquelas cujas atividades foram positivamente afetadas, os impactos são: demanda de novos clientes; demanda por novos produtos e crescimento da receita. Também há impactos comuns aos dois grupos, que são: pressão para resolver problemas de curto prazo, mudança nas prioridades estratégicas das empresas e alteração das expectativas de faturamento para os próximos anos.

Com relação às reações frente à crise, entre aquelas que foram negativamente afetadas, as cinco principais foram: corte no orçamento 2020 para projetos planejados, mas não iniciados; paralisação de negociações de parcerias, investimentos ou participações em projetos com outras empresas; corte no orçamento 2020 para projetos em desenvolvimento; adiamento de projetos por prazo indeterminado; paralisação ou redução de atividades da empresa em labs ou hubs de inovação.

"Percebemos, nesta pesquisa que, ainda que a pandemia global provoque impactos negativos consideráveis para todos os setores da economia, por outro lado, cria oportunidades únicas para as startups. Elas possuem a capacidade de se adaptar rapidamente e devem usar isso a seu favor para entender a direção das novas demandas dos clientes e assim sobreviverem", diz Anna Martins, Co-founder e Managing Director do Órbi Conecta.

Entre as startups que afirmaram terem sido negativamente afetadas, os fatores de destaque foram (por ordem de relevância): pressão por resolver problemas de curto prazo; mudança nas prioridades estratégicas da empresa; incerteza quanto ao faturamento e ao mercado nos anos 2020 e 2021; perda de receita; e prejuízo à dedicação das equipes próprias, de parceiros e de fornecedores e o uso de laboratórios e de outros espaços próprios e de parceiros.

Entre as medidas adotadas pelo grupo negativamente afetado, destacam-se: corte no orçamento 2020 para projetos planejados, mas não iniciados; paralisação de negociações de parcerias, investimentos ou participações em projetos com outras empresas; corte no orçamento 2020 para projetos em desenvolvimento; adiamento de projetos por prazo indeterminado; e paralisação ou redução das atividades da empresa em labs ou hubs de inovação.

Com relação à adoção do desenvolvimento ou da adaptação de produtos para contribuir com o combate à Covid-19, 33% apontaram intensidade máxima na adoção desta estratégia. Perfil parecido foi observado na adoção da busca por novas parcerias com grandes empresas: de um lado, 29,5% dos envolvidos responderam ser essa uma estratégia adotada em intensidade máxima, enquanto, do outro, 26,1% atribuíram a ela intensidade mínima.

Expectativas

O impacto geral mais imediato à crise diz respeito às expectativas otimistas em relação ao futuro da empresa. Entre as startups que declararam terem sido positivamente impactadas pelo cenário, a pandemia desencadeou certo otimismo em suas expectativas, mesmo diante de forte pressão para resolver problemas de curto prazo, diz o estudo.

Com relação às expectativas quanto ao futuro dos negócios pós-pandemia, os fatores mais mencionados por ordem de relevância foram: vamos aproveitar a crise para promover mudanças significativas na empresa; vemos a situação como temporária, e as atividades serão restabelecidas ao mesmo patamar que antes da crise até o final de 2021; vemos a situação como temporária, e as atividades serão restabelecidas ao mesmo patamar que antes da crise até o final de 2020; as atividades sofrerão bastante com a crise, serão reduzidas e não se restabelecerão antes do final de 2021.