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Investidores miram Vale do Silício Baiano e investem em startups de empreendedores negros

O Vale do Dendê, em Salvador, está chamando a atenção dos investidores com soluções tecnológicas de impacto social

Da Redação

19/10/2020 às 8h00

Foto: Adobe Stock

São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis são as capitais tradicionais das startups brasileiras, mas recentemente um “Vale do Silício Negro” começa a se formar em Salvador, na Bahia. Uma reportagem do site TechCrunch conta como a cidade com a maior população negra do país desenvolve seu legado tecnológico.

A Bahia tem cerca de 15 milhões de habitantes, com tamanho equivalente a França. No estado, uma e cada cinco pessoas se declara preta. Salvador, por sua vez, é a capital mais negra do Brasil e também onde se desenvolve o Vale do Dendê, que segundo a reportagem, pode ser o novo epicentro de inovação da América Latina.

A Vale do Dendê coordena com startups locais, investidores e agências governamentais para apoiar o empreendedorismo e a inovação e executa programas de aceleração de startups com foco específico no apoio a fundadores afro-brasileiros, diz a reportagem.

Em quase três anos, a Aceleradora Vale do Dendê já apoiou mais de 90 empresas de diferentes setores. Com alta representatividade em setores de criatividade e de impacto social, já se destacou em publicações internacionais e nacionais por seu trabalho inovador em trazer startups e educação em tecnologia do mainstream para comunidades tradicionalmente carentes.

Segundo o TechCrunch, quase todas as empresas alcançaram um crescimento de dois dígitos e várias delas passaram a levantar mais fundos ou apoio corporativo.

Entre as empresas de destaque, que está no portfólio da aceleradora desde 2019, é a TrazFavela, um aplicativo de entrega que se concentra em vincular clientes e mercadorias das favelas.

Apesar do bloqueio causado pela Covid, o negócio cresceu 230% entre o período de março e maio após a incubação e, recentemente, segundo a publicação, assinou um acordo para suporte e investimento adicional do Google Brasil.

Outra empresa apoiada no início da incubadora foi a Diaspora.Black, iniciativa com foco na cultura negra no setor de turismo e que recebeu apoio do Facebook Brasil. A startup cresceu 770% em 2020.

A AfroSaúde é outra empresa de tecnologia apoiada pela aceleradora baiana. A empresa de saúde voltada para comunidades de baixa renda oferece um novo serviço de prevenção da Covid-19 em favelas.

O aplicativo agora tem mais de 1.000 profissionais de saúde negros em sua plataforma, criando empregos ao mesmo tempo em que aborda a crise de saúde pública que afetou, sobretudo, a população negra do país.

Embora o Brasil enfrente uma situação econômica desafiadora, grandes empresas e investidores globais percebem o boom de startups na região. De olho nesse movimento, de acordo com o TechCrunch, a Qintess, grande empresa de TI, investiu cerca de R$ 10 milhões em startups de empreendedores negros no novo polo tecnológico da América Latina.

O investimento, que será realizado nos próximos cinco anos, inclui uma colaboração com a Vale do Dendê para treinar cerca de 2.000 pessoas em tecnologia e acelerar mais de 500 startups lideradas por fundadores negros.

Além disso, em setembro, o Google lançou um Fundo Black Founders de R$ 5 milhões com o apoio da Vale do Dendê para impulsionar o ecossistema de startups afro-brasileiras.