Home  >  Negócios

Gigantes de tecnologia respondem à morte de George Floyd e se posicionam entre protestos antirracistas

Twitter, Facebook, Cisco, Dell, Microsoft, Sony, Amazon, entre outras, anunciaram medidas e doações para endereçar injustiças sociais

Carla Matsu

02/06/2020 às 17h00

Foto: Shutterstock

Grandes empresas de tecnologia estão se posicionando sobre os protestos antirracistas que tomaram os Estados Unidos após a morte do ex-segurança negro George Floyd, morto por um policial branco em Mineápolis no último dia 25 de maio. A onda de protestos que começou no mesmo dia de sua morte se estende até esta terça-feira (2).

O Twitter foi uma das primeiras empresas do setor a se posicionar. Uma das ações da rede social, inclusive, desafiou o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Depois de ter sinalizado como “imprecisa" uma publicação de Trump sobre as eleições norte-americanas, na última sexta (29), o Twitter marcou um post do presidente por “enaltecer a violência”. No texto, Trump escreveu: "Esses bandidos estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e lhe disse que o Exército está com ele. Qualquer dificuldade e nós assumiremos o controle, mas, quando o saque começar, o tiroteio começará”.

Em comunicado, a rede social explicou que manteve a decisão de classificar o texto, pois "este tuíte violou as regras do Twitter por glorificar a violência". O Twitter ainda determinou que o post ficaria no ar por considerar ser de interesse do público.

Em sua conta dedicada à diversidade, a TwitterTogether, a rede social do CEO Jack Dorsey chamou atenção sobre o assunto:

“O racismo não adere ao distanciamento social. Em meio ao já crescente medo e incerteza em torno da pandemia, esta semana voltou a chamar a atenção para algo talvez mais difundido: o racismo de longa data e as injustiças enfrentadas diariamente pelos negros e pardos”.


Já o Facebook tem se visto em meio a uma crise de imagem, ao ser pressionado por funcionários para se posicionar na discussão com Trump. Na última semana, o CEO Mark Zuckerberg falou publicamente que a rede social não tomaria o mesmo caminho do Twitter em relação aos posts do líder norte-americano, afirmando que não caberia à rede social mediar os conteúdos publicados. Em reação, funcionários do Facebook, a maioria em home office devido ao distanciamento social provocado pela covid-19, fizeram greve. De acordo com o The New York Times, os funcionários se recusaram a trabalhar e adicionaram uma mensagem automática aos seus e-mails dizendo que estavam fora do escritório em uma demonstração de protesto.

Na noite de domingo, Zuckerberg publicou em um post em sua conta pessoal afirmando que a companhia comprometeria US$ 10 milhões em doações para grupos que trabalham por justiça racial nos Estados Unidos. A publicação veio após funcionários expressarem suas frustrações com o posicionamento do Facebook e sinalizarem a greve virtual.

"Para ajudar nessa luta, sei que o Facebook precisa fazer mais para apoiar a igualdade e a segurança da comunidade negra por meio de nossas plataformas. Por mais difícil que fosse assistir, sou grato por Darnella Frazier ter postado no Facebook seu vídeo do assassinato de George Floyd, porque todos precisávamos ver isso. Precisamos saber o nome de George Floyd. Mas está claro que o Facebook também tem mais trabalho a fazer para manter as pessoas seguras e garantir que nossos sistemas não ampliem o viés”, escreveu.

Solidariedade, eventos adiados e doações

CEOs das gigantes de tecnologia também se posicionaram sobre os protestos. O CEO da Apple, Tim Cook, que historicamente se posiciona publicamente sobre questões sociais, disse à sua equipe que é a hora de ouvir.

"É um momento em que muitas pessoas podem querer nada mais do que retornar à normalidade ou a um status quo que só é confortável se desviarmos o olhar da injustiça. Por mais difícil que seja admitir, esse desejo é em si um sinal de privilégio. A morte de George Floyd é uma prova chocante e trágica de que devemos almejar muito mais do que um futuro "normal" e construir um que atenda aos mais altos ideais de igualdade e justiça”.

O executivo diz que a empresa fará doações para a Equal Justice Initiative e outras organizações sem fins lucrativos, mas não especificou valores.

Em carta aberta aos funcionários, o CEO da Intel, Bob Swan, anunciou a doação de US$ 1 milhão para organizações sem fins lucrativos e organizações comunitárias empenhadas no combate às injustiças sociais e ao racismo. O executivo também informou que a estratégia e objetivos de responsabilidade corporativa para 2030 da companhia focam em diversidade e inclusão. Segundo ele, o plano busca incentivar o trabalho com outras empresas para acelerar negócios inclusivos em todos os setores.

Michael Dell também verbalizou o assunto. Em sua conta no Twitter, o fundador da Dell publicou carta endereçada aos funcionários e informou que a empresa “também está escutando”. “Tem sido uma época incrivelmente difícil para a América - problemática e triste. O assassinato de George Floyd é uma atrocidade”, escreveu. “Dos impactos devastadores e desproporcionais da covid-19 aos impactos devastadores da brutalidade policial, a injustiça racial de longa data na América que começa há 400 anos é impossível de ser ignorada. E as pessoas que foram ignoradas agora demandam ser escutadas. Estamos escutando”.


O executivo segue dizendo que se reuniu com funcionários negros da equipe da Dell para ouvi-los. “Como estamos nos saindo? Nós tivemos sucesso em criar uma companhia onde todos os membros da nossa equipe se sentem seguros e valorizados? Como podemos fazer mais? Como podemos ser melhores?”, escreveu. Dell ainda afirma que o Chefe de Diversidade e Inclusão da Dell, Brian Reeves, está em conversas internas e com parceiros para avaliar investimentos adicionais para endereçar o tema. "Estou pensando sobre o meu papel. Espero que vocês estejam pensando sobre o de vocês", afirmou.

Também no Twitter, a Amazon se posicionou: "O tratamento desigual e brutal do povo negro em nosso país deve parar. Juntos, somos solidários com a comunidade negra - nossos funcionários, clientes e parceiros - na luta contra o racismo sistemático e a injustiça.

Em post no LinkedIn, Satya Nadella, CEO da Microsoft, abordou o tema de forma breve: "Nossa identidade, nossa própria existência, está enraizada em capacitar todos no planeta. Portanto, cabe a nós usar nossas plataformas, nossos recursos, para conduzir essa mudança sistêmica, certo? Esse é o verdadeiro desafio aqui. Não é apenas um incidente, mas são todas as coisas que levaram ao incidente que precisam absolutamente mudar”.

Na noite de segunda-feira (1), o CEO da Cisco, Chuck Robbins, anunciou em vídeo no YouTube que a companhia decidiu adiar a conferência Cisco Live! que começaria nesta terça-feira (2) em respeito aos protestos. O executivo condenou o assassinato de Floyd: "horrível, enlouquecedor e verdadeiramente abominável”. "As pessoas nos EUA e no mundo estão lidando com tanta dor, frustração e raiva", disse Robbins. "Queremos dar espaço a você nesta semana para fazer o que você precisa fazer dentro de suas próprias organizações e comunidades”. O executivo também anunciou a doação de US$ 5 milhões para entidades de combate às injustiças raciais.

A Sony também decidiu por adiar o evento PlayStation 5, que aconteceria nesta semana. A fabricante disse que está atrasando o evento para "recuar e permitir que vozes mais importantes sejam ouvidas”.

O Google seguiu o mesmo tom ao adiar o lançamento beta do Android 11, dizendo: "Estamos entusiasmados em contar mais sobre o Android 11, mas agora não é hora de comemorar".