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Futurecom abre edição digital com ministro Marcos Pontes

Em conversa com Hermano Pinto, diretor do evento, ministro aborda iniciativas do governo para fomentar inovação no país

Mônica Wanderley

26/10/2020 às 10h00

Foto: Reprodução

Evento referência no mercado de Tecnologia da Informação e Comunicação, a Futurecom 2020 se adaptou às questões da pandemia e está realizando sua conferência de forma on-line, sob o nome Futurecom Digital Week. Nesta segunda-feira (26) o evento foi aberto com uma conversa entre Hermano Pinto, diretor do evento, com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC) Marcos Pontes

Durante a conversa, o ministro ressaltou os investimentos que estão sendo realizados pelo governo em tecnologias que envolvam Internet das Coisas, como forma de tornar o país mais competitivo. “Essa é uma área extremamente importante, porque você vê mais e mais a conversa entre máquinas. Facilitando a vida da gente e colocando as coisas de forma mais eficiente.”  

Além das áreas-foco definidas ano passado como prioritárias para investimentos de IoT (indústria, saúde, agricultura e cidades inteligentes), o ministro Pontes comentou a inclusão do turismo como setor que receberá recursos desta área 

“Em conversa com o Marcelo Antônio, ministro do Turismo, nós vimos também [importância da] inclusão do Turismo 4.0, principalmente agora na recuperação do país, durante a pandemia [...] e depois para levantar o país.”  

Colaboração como foco 

Falando sobre o fomento de tecnologia no país, o ministro Pontes explicou que parte da estratégia da sua gestão foi a criação de uma rede de suporte para que seja possível ofertar recursos a negócios espalhados pelo país. 

“A melhor maneira de se fazer isso [desenvolver negócios] é criar uma infraestrutura dentro do Ministério que possa apoiar o desenvolvimento de novos produtos, serviços e empresas de base tecnológica, e fazer essas conexões de forma que nós possamos ajudar, por exemplo, uma startup que está iniciando em Tefé, na Amazônia, e que tem o desenvolvimento até um certo nível de protótipo, mas que não tem recursos científicos e tecnológicos para tornar esse produto pronto para o mercado.” 

A inspiração dessa estrutura, explica o ministro, veio do trabalho realizado por Israel, país conhecido por sua política de incentivos ao desenvolvimento tecnológico e que consegue fazer um ótimo meio de campo entre empresas, pesquisadores e instituições acadêmicas. 

“Obviamente eles têm uma área [territorial] menor, o que facilita essa interconexão. Mas os modelos que eles usam são bastante interessantes. Nós pegamos os modelos da autoridade de inovação e aplicamos aqui [...] O Ministério está bem organizado nesse sentido.” 

Interligação tecnológica 

Ao ser questionado sobre as iniciativas adotadas para implementar ao redor do país uma infraestrutura que permita o uso de tecnologias como Internet das coisas e inteligência artificial, o ministro Pontes citou alguns programas que estão sendo executados para melhorar a qualidade em regiões fora do eixo Sul-Sudeste. 

Como exemplos, Pontes citou os programas ‘Nordeste conectado’, presente em mais de 70 cidades da região, e o ‘Norte conectado’, que pretende implementar na região mais de 10 mil quilômetros de fibra, e também usar parte dos R$ 500 milhões restantes do programa de implementação do sinal digital para melhorar as possibilidades de conexão de toda essa área. 

O ministro também citou o esforço que está sendo realizado na região Centro-Oeste, para que seja possível levar conectividade para as fazendas e propriedades de produção agrícola.

“Fibra ótica, rádio, satélite, internet das coisas, inteligência artificial, sensores... tudo isso somado, dá um ganho muito grande para o nosso país como um todo e para áreas que são muito importantes, como o setor agrícola, por exemplo.” 

Inovações em parceria 

Ao final, o Pontes mencionou os trabalhos realizados em conjunto com outros ministérios. “Costumo falar que o ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações é uma ferramenta para todos os outros ministérios. Nós trabalhamos em apoio à Saúde, Infraestrutura, Defesa etc. Todos os outros ministérios funcionam como linha de frente e nós funcionamos [fornecendo] essas conexões”. 

O ministro citou como exemplo o trabalho realizado em conjunto com o ministério da Saúde no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) para entender quais medicações são mais efetivas contra a Covid-19.  

“Testamos dois mil medicamos com inteligência artificial, com modelo matemático, para ver como a molécula do medicamento se encaixava no combate ao vírus. No final, ficamos com 5 e testamos in vitro, com células de macaco e depois com células humanas, do pulmão, para ver se o medicamento era capaz de inibir o funcionamento do vírus”, explica o ministro, ressaltando que o trabalho é realizado com acompanhamento do ministério da Saúde. 

Por fim, Pontes reforça a importância de se exaltar e incentivar o trabalho e soluções desenvolvidos nacionalmente. “O Brasil tem grande capacidade de desenvolver muita coisa e resolver muitos problemas no Brasil e no mundo”.