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Fundador foi demitido da própria startup após gastar US$ 76 mil em clubes de striptease

Sem negar as acusações, Eric Gilmore brigou com executivos da Turvo Inc. para manter seu lugar no conselho da empresa

Da Redação

17/12/2019 às 11h00

Foto: Shutterstock

Fundada em 2014, a Turvo Inc. se consolidou no setor de logística por oferecer uma plataforma software que consegue monitorar em tempo real os movimentos das frotas de diferentes clientes. Ao longo dos seus anos de vida, a firma já recebeu US$ 85 milhões de fundos provenientes de venture capital e possui parceiros como a importadora americana DHL. Mas foi por um motivo bem diferente que a startup foi notícia nesta semana. 

Eric Gilmore, um dos co-fundadores e então CEO da Turvo, foi demitido em maio após o time financeiro descobrir que ele gastou exatos US$ 76,120 em clubes de streaptease durante boa parte da sua gestão.

Apesar de a demissão ter acontecido meses atrás, o caso veio à tona no final da semana, após a Bloomberg ter acesso a documentos legais que explicam o caso. 

O que aconteceu 

Veterano no mundo da tecnologia, Gilmore trabalhou por oito anos como Product Manager na Microsoft antes de criar a Turvo. Após receber um aporte de US$ 60 milhões de um fundo soberano de Abu Dhabi, o executivo contratou um Chief Financial Officer (diretor de finanças) para gerenciar todos os custos. E foi esse profissional que percebeu um "padrão incomum" nos reembolsos solicitados por Gilmore. 

De acordo com dados da Turvo, as despesas em clubs de strip representaram mais da metade dos US$ 125 mil dispensados pela startup para atividades de entretenimento. 

Após o CFO comunicar ao conselho a natureza das despesas, Gilmore foi convocado por todos os investidores e informado de que estava fora da empresa. Apesar de não negar os gastos, o ex-CEO se recusa a acatar a decisão pois afirma que seu processo de demissão foi contra as regras estabelecidas anteriormente pela empresa.  

Com três meses de briga judicial, as duas partes entraram em acordo e, apesar de não ser mais o CEO, Gilmore continua no conselho e é o principal acionista da Turvo. 

Novos tempos 

O caso chama a atenção por demonstrar como, muito por conta do movimento #MeToo contra políticas sexistas dentro do trabalho, os conselhos estão agindo de forma mais rigorosa para prevenir ou eliminar atos de má conduta dos executivos — independente do cargo ocupado 

No início de dezembro, o board da Turvo contratou o executivo Scott Lang para o cargo de CEO, com o objetivo de renovar a imagem da companhia e direcionar o foco da marca, que ficou um pouco perdido após o escândalo interno. Sua primeira medida: proibir terminantemente o uso do dinheiro da empresa em "entretenimento adulto";