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Executivo da TikTok desafia concorrentes a abrirem algoritmos e acusa Facebook de tentativa de boicote

Empresas rivalizam com apelo ideológico; enquanto Facebook responde a perguntas sobre monopólio a congressistas dos EUA, chinesa acusa perseguição

Da Redação

03/08/2020 às 17h30

Foto: Adobe Stock

Kevin Mayer, executivo-chefe da TikTok, acusou o Facebook de tentar boicotar os negócios da empresa chinesa nos Estados Unidos e, ainda, por imitar o aplicativo com seu recente lançamento, o Instagram Reels.

Em declaração feita nesta quarta-feira (29), o executivo também contou os planos de criar um centro de transparência, para divulgação dos algoritmos, políticas de moderação e fluxos de dados aos reguladores, estimulando as concorrentes a fazer o mesmo.

De acordo com publicação do Financial Times, nos primeiros comentários públicos desde que ingressou no TikTok, Mayer defendeu o aplicativo - que está sob pressão dos órgãos reguladores dos Estados Unidos e pode ser banido no país - alegando o benefício da competitividade no mercado.

Segundo o executivo, sem o TikTok os anunciantes americanos "ficariam novamente com poucas opções". Ele descreveu o Instagram Reels, como um "produto imitador" e observou que um serviço semelhante do Facebook chamado Lasso "falhou rapidamente".

O TikTok possui hoje dezenas de milhões de usuários nos Estados Unidos e ameaça as plataformas do Facebook.

"No TikTok, congratulamo-nos com a competição", disse ele, segundo o jornal. "Mas vamos focar nossas energias na concorrência justa e aberta a serviço de nossos consumidores, em vez de ataques maliciosos de nosso concorrente disfarçados de patriotismo e projetados para pôr um fim à nossa presença nos EUA".

O Facebook, por outro lado, no mesmo dia das declarações de Mayer, respondia através de Mark Zuckerberg, seu CEO, perguntas do Congresso norte-americano sobre denúncias de monopólio.

Zuckerberg já havia apontado anteriormente o TikTok como um exemplo de competição no espaço de aplicativos sociais e usa a empresa como uma demonstração do porquê as empresas de tecnologia americanas precisam ser livres para combater a ascensão da China.

"Acreditamos em valores - democracia, competição, inclusão e liberdade de expressão - nos quais a economia americana foi construída", escreveu Zuckerberg. "Muitas outras empresas de tecnologia compartilham esses valores, mas não há garantia de que nossos valores vencerão. Por exemplo, a China está construindo sua própria versão da Internet focada em ideias muito diferentes e está exportando sua visão para outros países”, conforme divulgado no site The Verge.

O discurso do CEO do Facebook, publicado nesta terça-feira, apela para o patriotismo, estratégia que vai ao encontro dos interesses da cúpula - e do próprio presidente norte-americano - de Donald Trump, que já se pronunciou em diferentes momentos sobre a empresa chinesa, sugerindo que ela funcione como um “espiã” chinesa.

O Financial Times diz que a declaração forte dará o tom à liderança de Mayer, um executivo de mídia americano, ex-executivo da Disney, que chegou em junho para aumentar a reputação da TikTok entre os parlamentares dos EUA no Capitólio.

Em particular, investidores e especialistas da empresa especularam que o Facebook está fazendo lobby contra a TikTok a portas fechadas, diz o jornal.

Transparência

Em sua declaração, Mayer observou os planos da TikTok de gastar US$ 200 milhões com desenvolvedores de seu aplicativo e a criação de 10.000 empregos nos EUA.

Ele também destacou os planos de lançar um "Centro de Transparência e Responsabilidade" que permitirá que pessoas de fora observem suas políticas de moderação "em tempo real" e "examinem o código real que aciona nossos algoritmos", segundo o jornal.

Em um post publicado nesta quarta-feira, Mayer, disse que as mudanças colocam o país "um passo à frente do setor" e desafia os rivais a seguir o exemplo, de acordo com trecho publicado no The Verge.

"Acreditamos que todo o nosso setor deve ser mantido com um padrão excepcionalmente alto", escreve Mayer. "É por isso que acreditamos que todas as empresas devem divulgar seus algoritmos, políticas de moderação e fluxos de dados aos reguladores. Não esperaremos a regulamentação chegar, mas o TikTok deu o primeiro passo ao lançar um Centro de Transparência e Responsabilidade para práticas de moderação e dados”.

O lançamento do centro foi adiado devido à pandemia.

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