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Estudo: três quartos das empresas no Brasil não conseguiriam recuperar dados após ataque

Estudo da Dell Technologies em parceria com a consultoria Vanson Bourne mostra preocupação de companhias com ameaças como ransomware

Rafael Romer

05/10/2021 às 18h34

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Foto: Shutter Stock

Três a cada quatro (76%) empresas no Brasil não acreditam que conseguiriam recuperar seus dados essenciais de negócio em caso de um ataque cibernético. O dado é parte da edição 2021 do Índice Global de Proteção de Dados (GDPI), estudo realizado pela Dell Technologies e divulgado nesta semana.

O resultado observado no mercado brasilerio também chama a atenção por ser maior que a média global, segundo o estudo. No mundo, 67% das empresas disseram que não têm confiança de que os dados essenciais poderiam ser recuperados.

Segundo Wellington Menegasso, diretor de Vendas para Soluções de Proteção de Dados da Dell Technologies Brasil, o dado mostra como a própria percepção de empresas tem se atualizado com o novo cenário de ameaças enfrentado por corporações, como ransomwares.

“A ameaça mudou. Quando nós falávamos de proteção de dados, as empresas criavam uma estratégia para se proteger contra uma falha de hardware, contra um erro humano, contra um desastre natural”, afirmou. “De três anos para cá, têm novas variáveis”.

Nas últimas três edições da pesquisa, completa o executivo, é possível notar a crescente preocupação das empresas participantes com a questão do sequestro de dados. No Brasil, 72% dos decisores afirmam neste ano que acreditam que seus ambientes não estão suficientemente preparados para lidar com malware e ransomware, por exemplo.

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Outros fatores também têm preocupado os líderes de TI, revela o levantamento. O crescimento do home office é visto como um dos problemas. No total, 74% dos participantes afirmam que a exposição à perda de dados por conta aumentou na pandemia, devido ao trabalho remoto.

Na visão de mais de 60% dos entrevistados, o uso de tecnologias emergentes – como aplicativos nativos na nuvem, contêineres Kubernetes, inteligência artificial e aprendizado de máquina – são mais um fator de risco associado à proteção de dados.

Essas preocupações se refletem também nas experiências pelas quais as empresas passaram nos últimos 12 meses. De acordo com dados do índice, 36% das organizações participantes afirmaram que tiveram perdas por conta de ataques nos últimos 12 meses. Além disso, 42% delas passaram por algum tempo de inatividade não planejada do sistema.

“O investimento em segurança cibernética, historicamente está pautado em proteger, detectar e responder. Prevenir que o ataque aconteça”, explica Menegasso. “Mas elas não investem em um pilar importantíssimo, que é o da recuperação”.

O Índice Global de Proteção de Dados (GDPI) é realizado pela Dell em parceria com a consultoria Vanson Bourne. Neste ano, o estudo foi realizado de fevereiro a abril de 2021 e entrevistou 1.000 executivos tomadores de decisão de TI em empresas com mais de 250 funcionários de 14 setores e 15 países de todos os continentes.