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Escassez no fornecimento de chips deve continuar até meados de 2022, diz Cisco e outras empresas do setor

CEO da Cisco, Chuck Robbins, acredita que o impacto da Covid-19 na produção de semicondutores deverá ser sentido ainda nos próximos seis meses

Da Redação

28/04/2021 às 18h21

Foto: Adobe Stock

A cadeia de suprimentos foi altamente afetada com a pandemia de Covid-19. As empresas que dependem de semicondutores foram uma das mais afetadas na distribuição global. Em entrevista para a rede BBC, Chuck Robbins, CEO da Cisco, disse acreditar que o impacto afetará as cadeias de suprimentos globais por mais seis meses. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), por sua vez, prevê que a escassez continue até 2022.

Segundo o chefe da gigante de redes Cisco, Chuck Robbins, a crise global de chips foi um choque para a indústria e deverá durar a maior parte deste ano. "Achamos que temos mais seis meses para superar o curto prazo", disse ele à BBC. "Os fornecedores estão construindo mais capacidade. E isso ficará cada vez melhor nos próximos 12 a 18 meses".

Segundo Robbins, a indústria não calculou a demanda com a chegada da Covid-19. Os fabricantes enviaram sinas de menor demanda aos provedores, que reduziram a capacidade. “(…) O que aconteceu foi que, quando a Covid chegou, todos pensaram que o lado da demanda cairia significativamente e na verdade vimos o contrário”, disse ele. "O que foi um choque completo para muitos de nós".

Robbins é o mais recente chefe de tecnologia a pesar no debate - e com 85% do tráfego da Internet usando os sistemas da Cisco, sua opinião é importante, ressalta a reportagem da BBC. "No momento, é um grande problema, porque os semicondutores estão em praticamente tudo", diz o CEO.

A TSMC, fabricante terceirizada de chips, disse no início deste mês que espera que a escassez no fornecimento de chips continue até 2022. Da mesma forma, a AMD espera que a escassez impactará a indústria por mais algum tempo.

As interrupções na cadeia de suprimentos de semicondutores, no entanto, afetaram diferentes setores da indústria. Pat Gelsinger, CEO da Intel, disse no início deste mês que sua empresa estava em negociações com fabricantes de semicondutores para preencher a escassez de silício que paralisou a produção de veículos novos.

De acordo com o Financial Times, a escassez global de chips está se espalhando para fabricantes de smartphones, televisores e eletrodomésticos, com Samsung Electronics e LG Electronics com atrasos na fabricação que devem durar até 2022.

Além disso, 75% da capacidade de fabricação global está no Leste da Ásia, segundo a Semiconductor Industry Association, associação do setor, dos Estados Unidos. A TSMC, de Taiwan, e a Samsung, da Coréia do Sul, são os jogadores dominantes e as relações entre os EUA e a China, também afetaram o abastecimento.

Em fevereiro, o presidente norte-americano, Joe Biden, assinou uma ordem executiva que visava resolver a escassez de chips semicondutores. Ele quer que o Congresso autorize US$ 37 bilhões para garantir que os EUA possam abastecer as montadoras.

Intel, IBM, Broadcom, Qualcomm, Nvidia e AMD também pressionaram Biden, em fevereiro, para apoiar a indústria de chips da América como parte de seu plano de recuperação de US$ 2 trilhões.