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Era da conveniência: a logística e os novos hábitos de consumo

Quando se fala no setor de transporte de mercadorias, é fundamental ter em mente que ele é composto por dois processos que funcionam paralelamente

Por Horstt Brinck*

08/09/2020 às 14h30

Foto: Adobe Stock

Comprar pela internet tornou-se uma ação recorrente nos últimos meses. Desde medicamentos, roupas, calçados, acessórios e eletrodomésticos até o supermercado passaram a ser adquiridos em apenas um clique. Mas, para muitos, esse foi o primeiro contato com as lojas virtuais.

De acordo com a Neotrust/Compre&Confie, 5,7 milhões de consumidores fizeram sua primeira compra on-line entre os meses de abril e junho de 2020. Essas compras virtuais representam um aumento de 61%, segundo os dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

Entretanto, 70% dos consumidores perceberam prazos maiores de entregas, o que nos faz repensar sobre o quanto a logística precisa se adaptar e modernizar para atender à demanda das vendas virtuais.

Como funciona o fluxo logístico de entregas?

Quando se fala no setor de transporte de mercadorias, é fundamental ter em mente que ele é composto por dois processos que funcionam paralelamente: o fluxo lógico, que corresponde às informações, aos dados de compra e pagamento. E o fluxo físico, responsável pela produção, estoque, separação de pedido, transporte e entrega das mercadorias.

No que diz respeito ao fluxo lógico, a tecnologia é o que tem proporcionado uma grande evolução nos últimos anos. Isso se deu com websites cada vez mais responsivos, checkouts eficientes e com menos cliques, além sistemas de pagamento seguros e conexões com internet mais velozes, melhorando substancialmente a experiência do cliente.

Já o fluxo físico não tem conseguido incorporar toda essa inovação, sobretudo no que se refere aos modelos de negócio e à tecnologia utilizada.

Entrega faz parte da jornada de compra

O novo consumidor não quer que sua encomenda seja entregue “no prazo possível”. Ele espera por seu pedido no momento mais conveniente, determinando as janelas de horário para recebimento. Quer ter o controle e acompanhar o entregador em tempo real, com previsão exata da hora de chegada.

Essa busca por conveniência traz possibilidades de novos modelos de negócio, como os armários guardadores inteligentes, nos quais as compras feitas on-line são deixadas para que os clientes retirem quando preferirem.

Seguindo as tendências, outro modelo que vem sendo explorado e ganha força é o “shipping from store”. Nesse caso, as mercadorias são enviadas diretamente das lojas de bairros e, não, do estoque central. Isso diminui o tempo de entrega, aumenta a facilidade de compras e atendem ao senso de entrega com urgência.

Tecnologia como aliada

Ferramentas como Big Data, Machine Learning e Inteligência Artificial são os grandes aliados para os operadores logísticos. Isso porque respondem ao altíssimo nível de exigência por informações de seus usuários na era da conveniência. A tecnologia de roteirização, por exemplo, reorganiza rotas e estoques, aumentando a eficiência e velocidade com que a compra é realizada e entregue.

Essas tecnologias que utilizam inteligência artificial são capazes de identificar as melhores rotas e fazer uma distribuição de cargas mais assertiva entre os veículos de forma quase que imediata, o que traz uma redução de custo logístico e a possibilidade de oferecer
um preço vantajoso ao consumidor final.

Outra tecnologia interessante é o monitoramento de cargas. A capacidade de monitorar os veículos é indispensável quando se pensa em melhorar a experiência do cliente.

Isso porque, ao adicionar essa ferramenta, é possível identificar potenciais problemas que podem ter ocorrido durante a rota de entrega e resolvê-los imediatamente quando ocorrem. Identificar o status do pedido do cliente na mesma hora em que se está em contato com ele, traz confiabilidade e segurança.

O padrão de exigência será ainda mais elevado nos próximos meses e anos, o que demonstra a necessidade de inovar em formas de entrega, trabalhar com os dados e aprender sobre o hábito de consumo e comportamento dos clientes.

Essa é a chave para o diferencial competitivo no mercado de entregas ao novo modelo de consumidor.

*Horstt Brinck é Coordenador de SDR da RoutEasy