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Data e Analytics são motor de negócios digitais, diz Gartner

Mas a consultoria alerta que, antes de tudo, são necessários propósito claro e mudança de mentalidade

Solange Calvo

29/05/2019 às 17h53

Foto Coletiva Gartner
Foto: Solange Calvo

Neste primeiro dia da Conferência Gartner Data & Analytics 2019, que se encerra amanhã em São Paulo, analistas da consultoria se reuniram com jornalistas e deixaram claro o seguinte recado: não basta colocar os dados no centro da estratégia, é preciso ter um propósito, para que os objetivos fiquem claros, pois eles é quem irão balizar a estratégia.

Para isso, segundo Donald Feinberg, Distinguished VP Analyst do Gartner, um passo importante é adotar uma mentalidade experimental. “E isso ainda não acontece porque as empresas só medem o que é fácil, não adotam métricas novas, mais significativas. A mentalidade da experiência experimental desafia as decisões que já foram tomadas na organização”, explicou.

Além disso, ele disse, dessa forma, é possível antecipar as consequências não intencionais das métricas e experimentar dados novos, novas medidas e novos modelos analíticos. “Temos de questionar, não podemos aceitar tudo. A experimentação está se tornando vital. Não podemos aceitar tudo automaticamente, é preciso testar”, avisou.

Outro princípio destacado nesse guia para o sucesso de lideranças em Data & Analytics é a proteção de dados.  Rita Sallam, Distiguished VP Analyst do Gartner, alertou:Em algum lugar, tem alguém acompanhado os seus passos. Por isso, é importante saber como os líderes de Analytics vão se comunicar com os clientes”.

Ela disse existir um grande paradoxo na questão da privacidade, porque para protegê-los é preciso do máximo de dados. Em qual dimensão? Os dados hoje, prossegue a analista, estão espalhados pelas redes. Sendo assim, os dados são anônimos, porque hoje não existe mais anonimato de dados.

Privacidade, como garantir?

O Gartner sentenciou a privacidade como conhecemos.  Na avaliação da consultoria, a tradicional não existe mais. Isso porque com a IA, IoT e a digitalização dos negócios, não há como garantir privacidade. “É virtualmente impossível.”

“As empresas podem usar dados anônimos e saber muito mais sobre você. Elas podem chegar a outras informações e interpretações a partir da análise de fotos pessoais, de uma viagem, por exemplo. Portanto, não existem mais dados anônimos”, afirmou Rita.

E quanto mais dados existirem, mais algoritmos, lembrou a analista. Para ela, o desafio está em usar os dados com todos os cuidados e entregar valor. “Uma boa estratégia é ter guardiões de dados dos clientes nas empresas.”

A dica do Gartner é cuidar dos dados e valorizá-los para fortalecer o relacionamento com o cliente. É há nessa tarefa um ingrediente essencial: transparência. É preciso informar ao cliente como os seus dados estão sendo usados.

“O melhor caminho é cuidar dos dados do cliente como gostaríamos que cuidassem dos nossos”, ensinou a executiva do Gartner. E acrescentou: “De posse desses dados, o mercado poderá oferecer melhores produtos, melhor atendimento e melhor experiência ao cliente”.

Automatizar é preciso

Para João Tapadinhas, VP Analyst do Gartner, automatizar atividades manuais é vital para a nova era. E este é mais um princípio destacado pelo Gartner na jornada do ouro da nova economia: dados.

Ele disse que a massificação do uso das máquinas reduziu atividades manuais e criou mais empregos na industrialização e o mesmo acontece hoje com a Inteligência Artificial.

De acordo com a pesquisa do Gartner, 67% dos respondentes, acreditam que com a adoção de IA existirão perdas e menos trabalho. Por outro lado, apenas 26% têm opinião contrária, acreditando que a IA é complementar às suas funções.

“Fato é que a IA não deve provocar relacionamentos contraditórios entre homem e máquina. É preciso mudar a mentalidade e voltar-se para as oportunidades que irão surgir com essa movimentação em todas as áreas.”

Peter Krensky, Senior Principal Analyst do Gartner, disse que, de fato, a IA vai acabar com muitos empregos. Mas é o que normalmente acontece com a maior parte das tecnologias que geram inovação, ele reiterou. “Quando surgiram os caixas eletrônicos, falaram que os profissionais iriam perder seus empregos e, no entanto, ainda estão aí.”

De acordo com Feinberg, no Brasil, o impacto da IA vai ser diferente porque a mão de obra é mais barata. Ele afirmou que substituir pessoas por máquinas pode ser mais caro.

“A NCR, por exemplo, não vende no Brasil tantas máquinas como no Chile. Por quê? Porque o contrato de manutenção de uma máquina custa mais caro do que pagar uma pessoa que trabalhe o dia inteiro em uma instituição financeira aqui no País. Esse é um problema que só mudará com o tempo.”

O internet banking tirou não somente muitos clientes das agências, mas também gerentes que fazem atendimentos por meio de telefones, e-mails e whatsApp, destacou Feinberg.

“É claro que ainda há quem quer ir até às agências, apesar da tecnologia, especialmente aqui no Brasil. Mas com o tempo, esse paradigma também será quebrado e quando isso acontecer, os bancos digitais vão crescer bastante. Isso irá reduzir o número de funcionários e outras tarefas serão substituídas pela automatização. É a tendência.”

Krensky botou lenha na fogueira: “O próprio Gartner está produzindo o seu primeiro relatório criado por IA. E isso deve avançar. Estamos preocupados”, disse sorrindo. “Algumas empresas estão criando relatórios de lucros por meio de IA. É verdade que não são muito bons: ainda”, complementou Rita.

Tapadinhas avalia que nessa evolução da tecnologia, haverá perdas de empregos tradicionais, mas, segundo ele, novas funções irão superar essas perdas. “Além disso, vão surgir muitas oportunidades, como, por exemplo, para startups que trarão inovação com tecnologias no modelo de serviços para as organizações.” É viver para ver.