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Com Microsoft, Petrobras aprofunda processo de digitalização

Tecnologia de computação em nuvem coloca a parceria das empresas em posição de vanguarda

Da Redação

24/08/2020 às 13h00

Foto: Adobe Stock

As demandas gerada pela pandemia de Covid-19 levaram a Petrobras a acelerar mudança para plataforma de nuvem da Microsoft. Além da necessidade de uma plataforma que operasse para a demanda do trabalho remoto, a inteligência artificial da gigante de tecnologia foi usada para processar a imensidão de dados geológicos das refinarias da empresa. Testes com as tecnologias da Microsoft já haviam sido iniciados antes dos bloqueios.

De acordo com reportagem do Bloomberg, com a tecnologia, a petrolífera também visa eliminar poços secos durante a exploração e alcançar a produção comercial em poços offshore mais rapidamente, reduzindo custos com a tecnologia.

Fernando Lemos, Diretor de Tecnologia da Microsoft no Brasil, disse em entrevista que a tecnologia já era testada antes dos bloqueios. Porém, as medidas de isolamento social exigiram a migração para o trabalho remoto, inclusive para operação de equipamentos de segurança em embarcações de águas profundas.

“Aumentamos e aceleramos o uso de inteligência artificial em navios
sonda”, disse Lemos. “Fomos colocados à prova como fornecedores da
Petrobras”.

De acordo com a reportagem, a mudança impulsionada pela Covid coloca a Microsoft e a Petrobras na vanguarda da computação em nuvem para a exploração de petróleo, em um setor que teme comprometer informações secretas em plataformas de terceiros. Entretanto, a parceria com uma das maiores petrolíferas do mundo pode colocar a Microsoft na mira dos ambientalistas.

A Microsoft tem um dos planos de redução de emissões de gases de efeito estufa mais agressivos de qualquer empresa de tecnologia. Ela promete ser carbono negativo, removendo mais dióxido de carbono da atmosfera do que emitindo, até 2030.

Paralelamente, a gigante de tecnologia é criticada por ambientalistas por vender software para clientes como a Exxon Mobil Corp. e a Chevron Corp., ajudando-as a impulsionar a exploração e extração ambiental.

“A importância e a complexidade da tarefa que temos pela frente são incríveis e exigirão contribuições de todas as pessoas e organizações do planeta”, disse um porta-voz da Microsoft em resposta a perguntas sobre os negócios da empresa com empresas de petróleo.

“É por isso que estamos comprometidos em continuar a trabalhar com todos os nossos clientes, incluindo os da indústria de energia, para ajudá-los a atender às demandas de negócios de hoje, ao mesmo tempo que inovamos juntos para atender às necessidades de negócios de um futuro zero de carbono”.

A Petrobras e a Microsoft também argumentam que estão reduzindo a
pegada de carbono ao aumentar a eficiência do processo, diz a
publicação.

Computação em nuvem

Embora o setor de óleo e gás seja altamente tecnológico, a computação
em nuvem ainda enfrenta desafios de violação de segurança, e setores
como agricultura e varejo agem mais rapidamente para adotá-la.

A Petrobras depende fortemente de sua própria pesquisa, sobretudo com os desenvolvimentos acerca do pré-sal. Empresas como Exxon e Shell tendem a confiar mais em provedores de serviços como Schlumberger e Halliburton, diz o site. Isso dá à Petrobras uma vantagem na adoção da computação em nuvem para exploração em águas profundas, disse Lemos.

“Poucas empresas no mundo fazem pesquisas em águas marinhas e em águas profundas”, disse Lemos. “Não temos empresas com o mesmo nível de desenvolvimento da Petrobras para fazer isso. Não é nem justo comparar”.

A empresa tem buscado se reinventar como um produtor mais enxuto e eficiente, depois de inúmeras tentativas e negócios malsucedidas. Assim, quando a pandemia chegou e impactou o mercado, a Petrobras já buscava usar a tecnologia para cortar custos, ao mesmo tempo em que conseguia aumentar a produção, diz a publicação.

“Antes estávamos treinando para a revolução digital. Agora estamos em
uma corrida”, disse Melissa Fernandez, Chefe de Tecnologia do Instituto
Brasileiro de Petróleo, um grupo de pesquisa e política com sede no Rio
de Janeiro. Ela prevê que especialistas em inteligência artificial e
robótica terão alta demanda na indústria de petróleo brasileira nos
próximos anos.

Força de trabalho

A Petrobras começou a migrar funcionários para o Office 365 da Microsoft no ano passado e, em seguida, o impacto da Covid levou a empresa a aumentar o uso do Azure. O uso de “terminais virtuais” cresceu para cerca de 15.000 por dia. Geólogos que estudam os dados offshore da empresa agora fazem isso de casa. Um projeto piloto com a Microsoft para monitorar equipamentos de segurança offshore foi expandido, diz a Bloomberg.

De acordo com Nicolas Simone, que assumiu o comando da nova divisão
digital e de inovação da empresa em outubro, a Petrobras fez uma
transformação digital em três a quatro meses, que normalmente levaria
até quatro anos para ser realizada.

A mudança na Petrobras também rendeu ao Facebook o maior contrato da América Latina para sua plataforma corporativa Workplace. Roberto Castello Branco, CEO da Petrobras, tem se dirigido aos funcionários através do Workplace Life, enquanto os funcionários o utilizam para bate-papos e videoconferências.