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Após aquisição da UD Tecnologia, Scala Data Centers ambiciona infraestrutura digital da América Latina

Em entrevista exclusiva à Computerworld, CEO Marcos Peigo revela as estratégias da empresa e do fundo da Digital Colony dedicado à região

Carla Matsu

01/06/2020 às 12h00

Foto: Shutterstock

Marcos Peigo, ex-IBM e ex-UOL Diveo, assumiu o cargo de CEO da nova Scala Data Centers em um momento onde o distanciamento social provocado pela pandemia da covid-19 colocou desafios sem precedentes nas lideranças e na condução de negócios mundo afora. Com ele, não foi diferente. “Este é o maior desafio da minha vida”, diz Peigo em entrevista exclusiva à Computerworld Brasil por videoconferência. Ao “desafio”, Peigo não indica uma equação sobre investimentos e o tamanho da operação que a Scala ambiciona. Afinal, por trás dela há o fundo americano Digital Colony com previstos US$ 4 bilhões para investimentos na América Latina. 

"É conseguir colocar a operação de pé neste cenário”, destaca Peigo. “Imagina concluir uma diligência, uma negociação, operacionalizar uma nova companhia com sócio estrangeiro, transferir ativos, contratar pessoas e escritórios, construir data center, tocar projeto. Tudo isso, a gente está fazendo remoto. E o mais difícil, quem me me conhece sabe que sou muito ligado às pessoas, é viver na base da tela do computador”, acrescenta o executivo.

A Scala Data Centers iniciou sua operação no dia 22 de abril deste ano. A companhia é resultado de um investimento do fundo americano Digital Colony que tem em Peigo o seu sócio para a América Latina. Na região, o fundo conta com três investimentos anteriores: Mexico Tower Partners, Andean Telecom Partners e a Highline do Brasil, vendida pela Patria Investimentos no final do ano passado. As aquisições refletem a orientação dos investimentos do fundo, que se dá em três pilares: conectividade, mobilidade e infraestrutura digital, este que se reflete nos 94 data centers mundo afora. 

"Não somos o UOL Diveo"

Os primeiros passos da Scala Data Center poderiam ter atmosfera familiar para Marcos Peigo. Isso porque a companhia se inicia com a aquisição da UD Tecnologia, do grupo UOL, por estimado R$ 1,5 bilhão, montante apurado pelo jornal Valor Econômico, do qual Peigo não confirma, mas sugere: "Não divulgamos valores, mas podemos dizer que são investimentos de ordem bilionária. Não tem nada em infra digital que é na casa do milhão, é sempre na casa do bilhão”.

Antes de assumir o cargo de vice-presidente de Value Creation na IBM, que ocupou até abril deste ano, Peigo foi COO da UOL Diveo. Entretanto, o executivo afasta possíveis comparações. “A Scala é uma plataforma. A Scala não é o UOL Diveo, e o lançamento deste terceiro data center mostra isso”, reforça. No final de maio, a companhia anunciou o SP3, data center que, segundo Peigo, terá capacidade instalada superior a 50 MW e certificação única na América Latina, a ANSI/TIA-942-B rated 3. A inauguração é prevista para janeiro de 2021 e já conta com cliente à espera.

“É uma outra concepção de arquitetura, outro foco de cliente”, diz Peigo ao afastar as naturezas entre a Scala e o UOL Diveo. "A gente está falando de uma plataforma para tratar hyperscale, então falamos dos grandes provedores de nuvem, de clientes que têm grandes empresas com demandas muito grandes, escaláveis e cada vez mais intensas do ponto de vista energético”, acrescenta. Em sua condição, o SP3 é uma estrutura modular, explica Peigo, podendo ser expandido para escalar a medida seus clientes crescem em demanda. “É como se fossem vários data centers dentro de um”, compara.

Pavimentar digitalmente a América Latina 

Segundo o CEO da Scala Data Center, a companhia tem planos de operacionalizar localmente no Brasil, México, Chile, Colômbia e Peru. Com a possibilidade de levar a operação para a Argentina ainda sendo estudada. A sede principal fica em São Paulo, com escritório para 150 pessoas a ser inaugurado na região de Alphaville. Da equipe da UD Tecnologia, a Scala manteve o seu time de engenharia. Novas contratações compõem o restante da equipe. 

No Brasil, a Scala já começa com 280 clientes, sendo o grupo UOL um deles. Há outros grandes portais e e-commerces no portfólio. Peigo não discrimina nomes, mas informa que os grandes provedores de nuvem também são clientes. “Teremos novidade fora da caixa logo, com provedores que não são os tradicionais e que estão vindo para o Brasil, que vão confiar na nossa infraestrutura”, adianta.

A ambição com a Scala Data Centers não é nada modesta. “Estamos falando de fazer a maior infraestrutura em um único lugar fora dos Estados Unidos”, promete Peigo. Para entregar essa capilaridade, Peigo afirma que no momento roda seis operações de M&A (Merge and Acquisition), entre empresas, prédios e clientes que possuem ativos. “É um ritmo bem acelerado”, afirma. O modelo de crescimento da companhia passa desde a construção de novos data centers como a aquisição de outras empresas alinhadas à Scala. 

O fundo de investimentos da Digital Colony, que suporta a empresa, tem destinados US$ 4 bilhões. Captação para um segundo fundo que, segundo Peigo, será maior que o primeiro, já está em andamento. O fundo é tido como um dos maiores dedicados à infraestrutura digital no mundo. Ele integra a Colony Capital, empresa de capital aberto que tem sob a sua administração US$ 50 bilhões de dólares. Segundo Peigo, a Colony Capital, que nasceu com vocação orientada para o setor imobiliário começa agora a aumentar sua presença em ativos digitais - uma orientação que se alinha com o momento global vivido. O grupo tem sob sua administração 350 mil antenas de celular e alcance de 200 mil quilômetros de fibra.

O timing da Scala Data Centers não poderia ser melhor. Afinal, em meio a uma pandemia histórica, que cobra e pressiona a digitalização dos serviços de infraestrutura, a Scala se lança ao mercado altamente capitalizada. “Estamos em uma jornada muito interessante, no local certo e na hora certa”, atesta Peigo.

No horizonte da Scala, para além da digitalização que as companhias vão demandar de infraestrutura de nuvem de seus provedores, a companhia também mira demandas latentes como o 5G e a edge computing necessária. “O 5G vai trazer para gente uma visão diferente de como consumir data center. Vamos ver o edge computing como uma verdade e estamos muito atentos a isso”, sinaliza.