Home  >  Negócios

Adtechs e Martechs vivem momento de consolidação no Brasil

Pesquisa realizada pela consultoria Distrito mostra que o setor está adquirindo maturidade e deve se desenvolver nos próximos anos

Da Redação

30/01/2020 às 10h00

Foto: Shutterstock

Apesar de o setor de fintechs ter maior atenção dos investidores quando se fala no ecossistema de startups no Brasil, outros segmentos de negócio começam a ganhar espaço.  

Um dos novos (e promissores) mercados que tendem a se desenvolver nos próximos anos está relacionado com as adtechs e martechs, companhias que utilizam tecnologia para melhorar a entrega de campanhas, seja o anúncio de um serviço ou a divulgação de um produto. 

De acordo com o relatório Inside Venture Capital, da consultoria Distrito, só no setor de adtechs foram realizados 17 investimentos em 2019, somando US$ 209 milhões. O mercado também teve um grande movimento de fusões e aquisições no período: 11 no total. 

Segundo análise de Julia Benavides, data miner na companhia, as companhias do setor têm grandes chances de crescer em valor de mercado e quantia de investimentos à medida em que grandes empresas direcionem mais recursos para plataformas web:  “o que nos distancia
dos maiores players é o nível de imersão das corporações: enquanto o
Reino Unido aloca 52% das verbas publicitárias em mídias digitais, o
Brasil ainda se limita a investir 30% no setor.” 

E como é o perfil das empresas brasileiras que atuam nos mercados de adtech e martech? Abaixo, você confere um panorama recém-publicado pela consultoria: 

Mercado de adtechs e martechs no Brasil 

O Distrito AdTech & MarTech Report mapeou 475 startups que atuam dentro do mercado de marketing e publicidade, sendo que as empresas foram divididas em 4 categorias: 

  • Advertising & Promotion  

Companhias que fazem publicidade digital (como buscas patrocinadas em mecanismos de pesquisae) e trabalham com tecnologias como geomarketing, mídia programática e OHH (out-of-home, os paineis de publicidade que aparecem em pontos de ônibus).  

Exemplo: Printi, In Loco Media 

  • Content & Experience  

Empresas
que atuam na produção de conteúdo (por blogs, newsletters ou mesmo
mensagens SMS), e tecnologias como gestão de campanhas, SEO e automação
de marketing. 

Exemplo: Pipefy, Rock Content, Resultados Digitais 

  • Commerce & Sales  

Como foco no mercado varejista on-line, as startups desse setor têm como foco ferramentas como marketing research, programas de fidelidade, big data e business intelligence. 

Exemplo: Méliuz, Dots, Olist 

  • Social e Relationship  

Companhias que viabilizam o gerenciamento de
análise de eventos e webinars. Além de intermediar o contato com
influenciadores ou mesmo clientes, em especial com ferramentas de gestão
e monitoramento de mídias sociais. 

Exemplo: Semantix

Principais dados

De acordo com o relatório, o setor de Commerce e Sales foi o que apresentou maior número de startups (130), sendo seguido pelas categorias de Advertising e Promotion (130), Social e Relationships (105) e Content & Experience (104) 

Mais de dois terços das empresas que se intitulam como adtechs ou martechs (64,5%) vivem na região Sudeste, em sua maioria no estado de São Paulo.  

Falando sobre o perfil de quem funda esses negócios, o retrato do setor é de startups fundadas por dois sócios, em geral homens, nascidos no estado de São Paulo. Eles têm entre 26 e 45 anos e pelo menos o Ensino Superior completo.  

Quase 98% das empresas do setor atuam no mercado B2B, fornecendo soluções de marketing e publicidade para empresas que querem vender seus produtos e serviços. Entre os 2% que fogem à regra, constam marcas como Kuak, Click Card e Flimbo. 

O relatório também aponta que “há indícios de maturidade no setor, dado que aproximadamente 10% das empresas dele contam com mais de 100 funcionários”.  

Dentre as categorias citadas, a que mais emprega é a Content & Experience, por meio de companhias de grande escala como Rock Content e Resultados Digitais. Essa também é a categoria que possui maior percentual de startups com faturamento presumido acima de R$ 25 milhões.

Mas esse cenário é exceção à regra:  80% das startups pesquisadas ainda contam com faturamento presumido menor do R$ 5 milhões.