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Prepare-se para a cloud distribuída na edge

Segundo dados da Cisco, até 2023 haverá 14,7 bilhões de conexões M2M no mundo, compreendendo metade dos dispositivos e conexões globais conectados

Por Herbert J. Preuss*

01/12/2020 às 11h00

Foto: Adobe Stock

Os casos de uso de internet das coisas (IoT) e inteligência artificial (IA) já estão gerando grandes quantidades de dados na edge — em dispositivos móveis, edifícios, fazendas etc.

De acordo com uma pesquisa recente da Frost & Sullivan, até 2022, 90% das indústrias usarão computação de ponta e, com o avanço na implementação do 5G, veremos tantos dados gerados na edge que transportá-los para centros de processamento centralizados já não fará sentido em termos de desempenho ou custo de rede.

O 5G também será a base de cidades inteligentes, veículos autônomos, grandes avanços na indústria e logística, e muito mais. Isso levará a um crescimento exponencial na comunicação machine-to-machine (M2M).

Segundo dados da Cisco, até 2023 haverá 14,7 bilhões de conexões M2M no mundo, compreendendo metade dos dispositivos e conexões globais conectados. A importância disso é que, mesmo com as aplicações de consumidor tolerando latência bem acima de 20 milissegundos (ms), a maioria das aplicações M2M exige latência inferior a 20 ms.

Para que isso aconteça, é preciso que a computação e o armazenamento de dados estejam mais próximos dos usuários. Estamos vendo duas tendências intimamente relacionadas se unindo para superar esse desafio: edge computing e cloud distribuída.

Edge computing

O termo Empowered Edge foi nomeado pelo Gartner no artigo 10 principais tendências em tecnologia estratégica para 2020. A edge computing é uma topologia em que o processamento de informações e a coleta e entrega de conteúdo são colocados mais próximos das fontes das informações, considerando-se que manter o tráfego local e distribuído reduzirá a latência.

No passado, toda informação coletada por dispositivos como smartphones ou equipamentos industriais tinha que passar por “backhaul” para um local de processamento centralizado.

Na edge computing, a computação e o armazenamento são distribuídos mais perto de onde os dados são gerados e consumidos, geralmente adicionando infraestrutura por meio de servidores, roteadores ou data centers próximos.

Além dos casos de uso mencionados acima, existem muitos casos de uso atuais e futuros para a edge computing, como robôs conectados e coisas autônomas, manufatura inteligente e sistemas domésticos inteligentes. Com o 5G no papel de viabilizador essencial, a edge computing agregará o "inteligente" a muitas outras tecnologias.

Cloud distribuída

O termo cloud distribuída também foi indicado pelo Gartner como uma das “10 principais tendências em tecnologia estratégica para 2020”. Cloud distribuída se refere à distribuição de serviços de cloud pública para locais fora dos data centers físicos do provedor de cloud, mas que ainda são controlados pelo provedor.

Essencialmente, a cloud distribuída aplica a ideia de edge computing à infraestrutura de cloud pública. Considere o desafio que os provedores de serviços de cloud (CSPs) enfrentam para atender às necessidades de casos de uso sensíveis à latência. Se um CSP tiver uma zona de disponibilidade de cloud em Londres, pode ser que as empresas em muitas regiões da Europa não consigam acessar os seus serviços com latência inferior a 20 ms.

Além disso, uma empresa que emprega estratégias de edge computing vai querer gerenciar os recursos distribuídos usando uma estratégia simples, centralizada e semelhante à cloud. Um dos primeiros exemplos de cloud distribuída é o Outpost da Amazon Web Services.

Como o 5G impacta essas tendências

Para resolver esses desafios, os CSPs estão seguindo o modelo de edge computing e fazendo parcerias com provedores de serviços de rede (NSPs) e Telecom para distribuir a capacidade de computação e armazenamento localizada no mundo inteiro. E o 5G está apenas acelerando a convergência dessas tendências de edge computing e cloud distribuída.

Por exemplo, a AWS está em parceria com a Verizon, o Google firmou parceria com a AT&T e a Microsoft se juntou à Vodafone em soluções de edge computing/cloud distribuída.

Embora ainda estejam nos estágios iniciais de implantação, os possíveis benefícios dessas soluções são vastos. Eles permitirão o gerenciamento de aplicações e dados distribuídos em infraestrutura heterogênea, ao mesmo tempo em que entregarão computação, armazenamento, rede e segurança abrangentes e integrados — tudo gerenciado de maneira centralizada e contínua.

O desafio da multicloud híbrida

Mesmo com a edge computing e as clouds distribuídas amadurecendo, um obstáculo importante permanece. Em geral, as empresas gostariam de contar com várias clouds para permitir o aumento da inovação, evitar o bloqueio de fornecedor e permitir o uso da melhor cloud para cada perfil de trabalho.

A criação de um ambiente multicloud exige que as empresas implantem infraestrutura virtual em cada cloud, e cada infraestrutura precisa ser gerenciada separadamente. E, como as cloud públicas de hoje são projetadas, as aplicações implantadas em múltiplas infraestruturas de clouds distribuídas não podem ser facilmente conectadas.

Esse desafio levou muitos tomadores de decisão de TI a acharem que suas infraestruturas, na verdade, estão ficando mais complexas. Segundo uma pesquisa recente do Enterprise Strategy Group, as organizações digitalmente maduras estavam três vezes mais propensas do que aquelas sem iniciativas de transformação digital a dizer que a TI é significativamente mais complexa hoje.

A cloud distribuída na edge ajudará a preparar o caminho para a verdadeira multicloud do futuro, permitindo que as empresas gerenciem perfeitamente serviços on-premise e serviços espalhados por diferentes clouds como se fosse uma cloud lógica com duplicação mínima de infraestrutura.

As soluções de interconexão vendor-neutral também estão ajudando a resolver o desafio da multicloud híbrida, fornecendo ecossistemas de cloud, operadoras e empresas com conexões de alta velocidade, baixa latência e virtualizadas em todo o mundo.

Dessa forma, os CSPs podem distribuir e dimensionar o armazenamento de computação onde precisam estar, ao mesmo tempo em que permitem que as empresas tenham acesso a vários serviços CSP interconectados.

*Herbert J. Preuss atua como Senior Solutions Architect da Equinix