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O que a ciência de dados nos reserva para 2021?

Em um mundo onde a geração de dados é exponencial, três tendências devem pautar os negócios e as inovações

Por Felipe Senise*

12/01/2021 às 16h44

Foto: Adobe Stock

Dados estão em toda parte. Em em um mundo cada vez mais digital, a ciência que os reúne e os analisa tem sua importância aumentada constantemente. 2020 foi um ano que nos apresentou novas interfaces de Inteligência Artificial, o aprimoramento de outras já existentes e trouxe à tona temas como a LGPD e como são feitas as análise das informações que deixamos nas redes. Mas o que nos espera em 2021? Diversos fatores devem influenciar o mercado de trabalho. E um deles está na chegada ao mercado de jovens nativos em data, que já enxergam o mundo com bastante familiaridade em análise de dados. Como Lucy Kosturko, gerente de inovação social da SAS, apontou, esses jovens vivem nesse ecossistema desde o momento que se alimentam até quando vão dormir. Essa geração que tem um entendimento e rastreio de dados adquiridos de maneira inata e com certeza suas ações marcarão 2021. Diante de cenários como esse, reúno as três tendências do setor para o ano que vem que devem dar as caras no Brasil.

A primeira, e a mais polêmica, é a hiperconectividade do 5G. O tema não é novidade, mas promete revolucionar a tecnologia no mundo e, quando falamos de Brasil, não poderia ser diferente. A implementação da quinta geração de internet deve não apenas possibilitar a adoção de novas tecnologias, mas também ser um dos pilares principais da economia quando se pensa nas medidas de recuperação pós-pandemia. Com ele, é esperada uma adaptação do mercado para a Indústria 4.0 que engloba outros mecanismos importantes para a troca de dados como a Internet das Coisas (IoT) e a Computação em Nuvem, que poderão ser usados como mecanismos para evolução de negócios, impulsionando máquinas inteligentes ou interconectando aparelhos - medidas muito bem-vindas para auxiliar na retomada da economia. Estudos como o “Why 5G in Latin America?”, realizado pela Nokia e pela Omdia, já apontam que a solução impactará cerca de US$ 1,2 trilhões no PIB de 2021 até 2035, o que já é mais do que suficiente para nos deixarmos esperançosos quanto à sua performance.

Outra tendência que deve ganhar evidência em 2021, e que já deu seus primeiros sinais em 2020, é o Auto Machine Learning, que seria basicamente uma IA responsável por desenvolver a construção de outros modelos de Machine Learning dispensando totalmente ou parcialmente a necessidade de intervenção humana. Essa tecnologia ajudará muito em áreas como inovação, uma vez que os profissionais poderão focar em áreas mais desafiadoras e que exijam processos criativos, enquanto deixam as tarefas mais repetitivas para máquinas. É esperado que cada vez mais partes repetitivas do fluxo do processo de desenvolvimento do Machine Learning sejam realizadas sem a presença humana.

Por fim, com todos os debates que rolam desde o escândalo da Cambridge Analytica, é esperado que, assim como foi em 2020, o ano que vem seja marcado ainda mais por uma segurança de dados. Hoje, por exemplo, os dados passam por três tecnologias que asseguram sua integridade: a primeira, fornece um ambiente confiável para o processamento deles, a segunda é responsável por realizar esse processamento e análise e, por fim, a terceira, encarregada da criptografia. Em 2021, uma das tendências definitivamente será a fortificação dessas ferramentas para que não ocorra uma vazão indesejada dos dados, mas que ao mesmo tempo, não sacrifique o conteúdo que está sendo protegido.

*Felipe Senise é Partner & Head of Strategy da Ilumeo