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Internet das Coisas e 5G: entendendo um pouco melhor suas diferenças e possibilidades

Tecnologias poderão representar transformação profunda para empresas e a sociedade em geral

Por Fernando Moulin*

30/04/2021 às 16h01

Foto: Adobe Stock

O mercado de tecnologia está cada dia mais dinâmico. Há uma explosão de startups, novas tecnologias e soluções em que as empresas têm investido cada vez mais, buscando outras formas de facilitar a vida das pessoas e aumentar seu valor. A bola da vez é a tecnologia 5G, algo que em breve veremos com força no Brasil. Erra quem pensa que o 5G trará apenas uma mudança de velocidade versus o 4G. O 5G trará consigo uma revolução em todas as interações de empresas com empresas, consumidores com empresas, consumidores com outros consumidores e também de empresas e consumidores com os objetos e coisas.

O 5G, que já vem sendo experimentado em caráter piloto em algumas regiões do Brasil, vai muito além de oferecer apenas mais velocidade de conexão, que não deixa de ser um ganho tangível, uma vez que é 20 vezes mais rápido que o 4G.

Na Coreia do Sul, por exemplo, o 5G é uma realidade desde 2019, e diversas soluções de entretenimento inovadoras utilizando a realidade aumentada (potencializada pela tecnologia) podem ser encontradas em vídeos de YouTube. Aqui no Brasil, encerrando o primeiro trimestre de 2021 ainda estamos discutindo o leilão das teles, que já promete novamente ser postergado para o 2º semestre do ano - e o 5G periga ficar para 2022 ou até 2023, o que vai atrasar ainda mais o avanço tecnológico que o país poderá obter com essa tecnologia.

Por ora, poucos aparelhos suportam o 5G no Brasil (ainda que novos lançamentos venham chegando mensalmente), e o máximo que se consegue é ver filmes num streaming mais rápido. Ainda citando o exemplo da Coreia, a realidade já é totalmente diferente, havendo aplicações da tecnologia em soluções que vão desde o melhor monitoramento e controle de serviços públicos como iluminação e água tratada, quanto em fronteiras associadas ao uso mais efetivo da telemedicina para controle da pandemia de COVID-19.

E onde entra a internet das coisas?

O conceito de internet das coisas passa pelo entendimento de que as redes 5G possibilitarão, por suas características, ajudar a conectar os itens usados no dia a dia à rede mundial de computadores – “coisas” como eletrodomésticos, meios de transporte, roupas, partes da casa e maçanetas conectadas via internet a outros dispositivos que já possuem sentido somente plugados à rede, como computadores e smartphones.

O 5G será o que vai potencializar a internet das coisas e complementá-la. Seria como perguntar se o iPhone e o 4G são a mesma coisa; não, o 4G apenas potencializa o iPhone, que tem acesso mais rápido à internet e melhora a experiência. O que o 5G fará com a internet das coisas será o mesmo.

A telemedicina e suas aplicações práticas serão um dos primeiros grandes exemplos desta transformação radical. Imagine que o Dr. João, de São Paulo, poderá operar a Dona Maria, em Recife. Até aí, normal: ele pega um avião e vai. Mas e se o Dr. João permanecer em São Paulo e realizar todo este procedimento à distância?

Usando internet das coisas e o 5G, a cirurgia poderá ser feita remotamente, economizando tempo e recursos valiosos outrora dispensados no trajeto e deslocamento do Dr. João. Ele poderá controlar um braço robótico para operar a paciente de modo remoto e instantâneo, pois o braço emula (reproduz) as ações que ele mandará o robô fazer por intermédio dos sensores nele existentes. Isso é um ganho enorme do “casamento” do 5G com a internet das coisas. E se o Dr. João precisar da Dra. Amanda para ajudar na cirurgia e ela estiver no Japão? Para o 5G, pouco importa, pois a rede será tão potente que não mais diferença a localização física dos médicos, desde que a operação do braço mecânico seja feita utilizando este tipo de tecnologia na mesma sala cirúrgica da paciente.

5G e IoT para o consumidor

Mas os exemplos de aplicação em potencial são virtualmente infinitos. Poderemos realizar expedições a lugares remotos vivenciando emoções iguais a de exploradores, no conforto e segurança de nossos lares; ou ainda aprender com o uso de técnicas de ensino à distância potencializadas pelo emprego de avatares virtuais que serão projetados a partir de nossos televisores ou mesmo smartwatches e com os quais falaremos e interagiremos como se fossem humanos; e diversos outros exemplos de ficção científica de outrora que passarão a ser realidade tangível e massificada.

Quando todos estivermos com esses dispositivos em mãos, veremos efetivamente suas funcionalidades e como vamos nos beneficiar delas. A Whirlpool, por exemplo, já usa dispositivos IoT para manutenção preditiva, controles ambientais, monitoramento de processos usando rede Wi-Fi tradicional da área local. Entretanto, a gigante dos eletrodomésticos espera a tecnologia 5G para implantar empilhadeiras e outros veículos autônomos, para, com isso, reduzir custos e aumentar a produtividade – palavras que todo gestor ama.

Imaginemos uma sociedade em que todas estas economias e eficiências de escala se tornem realidade e possam ser repassadas para proveito de nós, usuários, com melhores e mais baratos produtos e serviços. Isto poderá até mesmo a reduzir algumas das disparidades sociais tão grandes em nosso Brasil, por que não? E antes que alguém me julgue um sonhador, recomendo que procure maiores informações sobre o impacto dos avanços tecnológicos na economia de cada família e na geração de riquezas na sociedade desde a invenção da máquina a vapor e o surgimento da revolução industrial.

O advento da Internet das Coisas e do 5G em escala poderá representar uma transformação tão ou mais profunda do que está para nós mesmos, nossas empresas e a sociedade em geral.

*Fernando Moulin é Business Partner da Sponsorb