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Huawei inaugura centro de distribuição inteligente com rede 5G privada no interior de São Paulo

Centro de distribuição em São Paulo conseguiu elevar eficiência operacional. Robôs autônomos integram a logística

Carla Matsu

11/08/2020 às 13h00

Foto: Adobe Stock

Os funcionários da Huawei que trabalham no centro de distribuição e logística da companhia, em Sorocaba, interior de São Paulo, têm convivido os últimos meses com robôzinhos que passeiam entre os corredores levando de um lado para o outro cargas em um balé orquestrado e habilitado pela tecnologia 5G.

De acordo com a Huawei, uma rede 5G privada consegue cobrir a área de 22 mil m2 do local. O projeto, uma amostra do potencial da Internet das Coisas sustentada pela quinta geração de telefonia móvel, segundo a gigante chinesa já conta com números que justificam o empreendimento iniciado em fevereiro deste ano. Houve um aumento de 25% da eficiência na operação, além de redução no tempo de envio de materiais.

O chamado 5G Smart Campus Warehouse também atua como uma vitrine para a indústria, indica Tiago Fontes, Gerente de Marketing Estratégico da Huawei Brasil. “Por que não começar dentro de casa?”, indagou-se em coletiva a jornalistas na última semana. “Analisamos as oportunidades que tínhamos nas nossas mãos e vimos que o armazém tinha um grande potencial. Nisso, buscamos analisar os pontos fracos da indústria e um deles era o transporte de material. Resolvemos trazer esta solução, robôs conectados ao 5G para facilitar, e automatizar todo esse processo de transferência de materiais”, explicou.

Como tornar um armazém “inteligente”

Todos os dias, 25 caminhões são desabastecidos no armazém e 5 mil sites são atendidos por mês, uma operação volumosa que eleva o nível de complexidade de ponta a ponta. “A operação exige que você tenha muitos dados trabalhando e algoritmos para que se tenha processo a processo e ciclos mais rápidos. E todos esses processos precisam ser automáticos”, ilustra Fontes.

Para conectar toda a cadeia logística do armazém, a Huawei recorre a etiquetas com RFID (sigla para Radio Frequency Identification ou Identificação por radiofrequência). Apesar de não ser uma novidade na indústria, essas etiquetas são importantes, pois utilizam a frequência de rádio para captura de dados. Segundo a Huawei, todo o centro de logística em Sorocaba foi atualizado de forma a dispensar o uso de papel. “Ao invés de ter pessoas anotando informações em pranchetas, agora tudo é feito por meio de RFID”, ressalta Fontes. Cada caixa, por exemplo, conta com um sensor RFID e nessa orquestração a computação em nuvem entra para armazenar todas as informações e permitir um sistema conectado de fim a fim, o que garante também informações em tempo real sobre o estoque da Huawei.

Esse tipo de conectividade é o que também dará suporte para a “consciência” dos AGVs (Automated Guided Vehicle) - os robôzinhos que se assemelham aos aspiradores de pó que se popularizam aos poucos entre as casas. E por falar em aspirar pó, o armazém da Huawei também conta com robôs industriais que aspiram pó e outros obstáculos corriqueiros que poderiam atrapalhar o fluxo dos AGVs. Segundo Fontes, estes possuem capacidade para suportar até 800 kg e atualmente 100 deles transitam em um fluxo contínuo no centro de distribuição. Uma vez que a bateria do veículo chega a 17% de sua capacidade, o robô consegue transferir sua tarefa para outro e, na sequência, encaminha para a área de recarga. Câmeras internas conectadas à rede 5G privada atuam para monitorar a operação autônoma. A linha de embalagem e pesagem também ganhou conectividade e inteligência.

5G como a única saída

E por quê não recorrer às tecnologias já disponíveis no mercado para habilitar a automação que a Huawei propõe? Fontes explica que o 5G foi a resposta que conseguia garantir tanto alta velocidade e baixa latência para manter o ritmo e conformidade da operação.

“Dentro de um armazém você tem muitos dispositivos e você precisa de uma conexão massiva para ganhar uma eficiência impressionante e que possa atender a necessidade de dentro do armazém", reforça.

De acordo com Fontes, outras tecnologias legadas não dariam conta da operação. “O bluetooth, por conta da distância entre os dispositivos, não resolveria. O Wi-Fi seria instável e colocaria em risco a segurança da operação. E a rede fixa não é flexível, sem falar do custo de colocar cabo de fim a fim em todo armazém”, explica. Vale ressaltar que a Huawei é também uma das empresas que lidera a corrida 5G globalmente.

Atualmente, apenas os AGVs e as câmeras de segurança estão conectadas à rede 5G no armazém em Sorocaba. Próximos passos no projeto devem cobrir outros dispositivos industriais, como as empilhadeiras.

Antes, todo o processo de chegada de materiais e a identificação dos mesmos era feita em um processo manual. Segundo Fontes, com o armazém 5G, a Huawei conseguiu reduzir de 12 etapas de processos para sete. "Desde o recebimento do material, identificado através de RFID para ser armazenado em uma gôndola, isso já otimiza o processo, pois todas as informações são digitais. O modelo é digital. E prova outro conceito para oferecer para indústria", finaliza Fontes justificando investimentos em 5G.