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Crescendo pelas bordas: a disrupção das cidades inteligentes

Mais que uma metáfora do futuro, a edge é uma solução que floresce no agora, suportando a inovação e impulsionando novas tecnologias

Fábio Moraes*

08/07/2021 às 20h49

Foto: Adobe Stock

Parece recente, mas a disrupção causada pela tecnologia vem acompanhando o desenvolvimento da sociedade há décadas. Mudamos hábitos, comportamentos e quebramos paradigmas que têm sido constantemente moldados e impulsionados pelos avanços tecnológicos. Com a transformação digital acontecendo de maneira acelerada em todas as áreas – educação, mercado de trabalho, indústrias, finanças etc. –, não havia como deixar de fora uma parte fundamental: a infraestrutura das grandes e pequenas cidades.

Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 55% da população mundial vive hoje em áreas urbanas. A expectativa do órgão é que o número cresça exponencialmente até 2050, chegando a 70%. Por isso, ações voltadas à automação e à implementação de tecnologia nesses espaços têm se tornado tão importantes e prioritárias nas mesas de debate público-privadas.

Os primeiros estudos buscando utilizar tecnologias em benefício dos cidadãos começaram no início dos anos 1990. Desde então o conceito de Smart Cities (cidades inteligentes, em português) vem ganhando força, se consolidando como sinônimo da utilização de soluções tecnológicas para melhorar questões relacionadas à infraestrutura, à mobilidade urbana e à sustentabilidade.

Para apoiar a compreensão dos elementos que tornam uma cidade inteligente, o instituo espanhol, IESE Business School, desenvolveu o Cities in Motion Index. Atualizado anualmente, leva em conta alguns critérios para classificar as cidades segundo seu nível de inteligência, avaliando capital humano, coesão social, economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, mobilidade e transporte e, claro, tecnologia.

Avançando aos poucos

Embora o Brasil não apareça no topo do ranking, algumas cidades do País ocupam posições entre as 165 principais Smart Cities do mundo, segundo o IESE. São Paulo é a mais bem colocada (123ª), seguida por Rio de Janeiro (132ª), Brasília (135ª), Curitiba (138ª), Belo Horizonte (156ª) e Salvador (157ª). Para impulsionar a evolução do país no tema, há um Projeto de Lei em tramitação na Câmara dos Deputados. Conforme informações apresentadas no próprio site do órgão, “o PL 976/21 estabelece uma política para estimular o desenvolvimento das cidades inteligentes. A Política Nacional de Cidades Inteligentes (PNCI) define os princípios gerais e objetivos que deverão ser seguidos pelos municípios.”

Enquanto a proposta segue em análise, cada cidade busca formas próprias de evoluir no tema. O Rio de Janeiro, por exemplo, conta com sensores e câmeras para o monitoramento de trânsito e segurança. Os equipamentos, ligados às centrais meteorológicas, também permitem ações preventivas em casos de tempestades ou outras situações adversas. Em Curitiba, foram instalados semáforos especiais para pedestres. Segundo dados veiculados pelo portal da prefeitura da cidade, os equipamentos contam com tecnologia para leitura dos cartões de transporte utilizado por idosos e portadores de necessidades especiais, ampliando o tempo de abertura. Já Brasília foi escolhida pelas multinacionais TIM, Enel X e Leonardo para o desenvolvimento de soluções conjuntas no segmento.

Em São Paulo, o governo do estado lançou em junho o programa Cidades Inteligentes. O site oficial diz que “a iniciativa prioriza a governança, o trabalho conjunto entre Estado e Prefeituras, a desburocratização administrativa e estimula soluções tecnológicas para questões ligadas ao planejamento urbano sustentável”. Recentemente, a prefeitura de São José dos Campos também anunciou, que o município será o primeiro do país a conquistar a certificação da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) como Cidade Inteligente, considerando normas internacionais. Na região, instituições de ensino têm apoiado empresas e o setor público, na busca pela aceleração da inovação que possam trazer soluções nesse sentido.

Edge e 5G: os motores da inteligência

Um dos grandes motores propulsores desse avanço nas cidades é a edge computing, também conhecida como computação de borda. Processando os dados mais próximo dos usuários, essa tecnologia oferece menor latência e muito mais eficiência. Seu uso em larga escala tem sido impulsionado por novas soluções que vão desde inteligência artificial ao 5G, demandando um alto processamento, rápido e eficiente.

Quanto mais a demanda de dispositivos conectados e integrados aumenta, maior a necessidade de uma resposta ágil. A IDC estima que, até 2025, serão mais de 40 bilhões de dispositivos conectados à IoT, por exemplo, gerando quase 80 zettabytes de dados. Não à toa, as projeções da consultoria mostram que a edge está emergindo como “tecnologia preferida para conduzir automação de processos em vários setores”, incluindo as cidades inteligentes.

Mais que uma metáfora do futuro, a edge é uma solução que floresce no agora, suportando a inovação e impulsionando novas tecnologias. Ajudando a construir um caminho mais sustentável, conectado e ágil, acelera a implementação de cidades inteligentes, entregando espaços de vivência preparados para suportar necessidades de cada comunidade, de forma ágil e eficaz.

*Fábio Moraes é pró-reitor do Centro Universitário ETEP. Gestor educacional e docente com experiência internacional, atua na integração das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) às práticas pedagógicas e na concepção e implantação do modelo de aprendizagem blender learning (aprendizagem híbrida). É educador Google e está à frente da formação de professores em metodologias ativas.