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Com investimento em analytics e metodologias de aprendizado, LIT expande e se prepara para internacionalização

Companhia apresentou dados da sua plataforma de aprendizado e indicou as tecnologias que devem ser integradas no médio e longo prazo

Mônica Wanderley

01/10/2020 às 8h00

Foto: Adobe Stock

Apesar de ter se ampliado com o momento de distanciamento social causado pela Covid-19, o ensino on-line ainda enfrenta desafios como aumentar a retenção de alunos e garantir a melhor experiência possível de aprendizagem.

Desafios que podem ser mais amigáveis quando se une aspectos como análise de dados, curadoria de conteúdo feita por especialistas e uma jornada de ensino bem construída. Pelo menos, este é o caminho que está sendo seguido dentro do LIT, a plataforma de ensino digital da escola de negócios Saint Paul.  

Em evento realizado nesta semana, José Claudio Securato, CEO e idealizador do LIT e Adriano Mussa, Diretor acadêmico e de Inteligência Artificial, apresentaram alguns insights relacionados com o processo de ensino dos alunos e as iniciativas adotadas pela instituição para melhorar o formato de ensino,  além de tecnologias que serão implementadas no médio prazo e o início do processo de internacionalização da plataforma. 

Dos dados para o conhecimento 

De acordo com Mussa, que apresentou algumas das melhorias de aprendizagem realizadas na plataforma, a companhia conta com uma postura focada no aluno, que funciona com base na tríade composta pela jornada de aprendizagem, uso de dados (testes A/B, algoritmos, personalização etc.) e análises e percepções dos alunos. 

“Os dados fazem com que a gente melhore jornada de aprendizagem, o que gera mais alunos ou, ao menos, uma melhor aprendizagem. E assim, realizamos uma coleta de dados mais qualificada, criando um círculo virtuoso incrível", explica o profissional. 

Com o auxílio das informações coletadas, a companhia conseguiu realizar mudanças que aumentaram a retenção do aluno dentro da plataforma, como a criação de trilhas de ensino — para evitar um “efeito Netflix”, no qual as pessoas acabam não escolhendo nada devido às diversas opções — e apresentando formatos de aprendizados de acordo com o perfil do público.  

“Descobrimos que pessoas extrovertidas têm 2,2 pontos a menos nos resultados de performance de aprendizagem”, explica Mussa “para mitigar essa diferença, ofertamos aulas online em alta escala para que o extrovertido pudesse participar. Após um ano de trabalho sério, hoje não existe mais diferença de performance de aprendizagem.” 

O LIT também está investindo em fortalecer outras iniciativas de apoio que ajudem na aprendizagem do aluno, como o aperfeiçoamento do Paul, a inteligência artificial que responde a dúvidas via chatbot, e também ao uso de micro-momentos, nos quais pílulas de conteúdos são disponibilizadas para que os usuários possam aprender ou rever conceitos em situações como um café, ou dentro do transporte público. 

"A duração de um conteúdo de micro-momento depende do tema”, afirma Adriano Mussa “Um vídeo explicativo de 20 minutos com a introdução a derivativos exóticos, que é um tema altamente complexo, é um micro-momento. E é muito mais efetivo do que produzir dez vídeos de 2 minutos." 

Expansão da procura 

Durante o mês de abril, o LIT disponibilizou o acesso gratuito aos seus conteúdos, dentro de uma ação seguidas por outras instituições para auxiliar as pessoas durante o período de quarentena.

"Decidimos abrir a plataforma  pois  achamos  fundamental  contribuir para que as pessoas pudessem tornar o seu tempo em  casa  mais  produtivo,  ocupando  suas  mentes  com  aprendizado  de  qualidade  e  desenvolvendo novas  habilidades  para  o  mundo  que  emerge", explicou José Cláudio Securato, CEO do LIT, no relatório de impacto publicado pela empresa. 

No período, mais de 100 mil alunos utilizaram a plataforma que emitiu cerca de 600 certificados por dia. Além disso, o número de pessoas que acessaram os conteúdos do LIT de outros países praticamente dobrou, saindo de 46 para 90 nações. “A maioria do público é de brasileiros que vivem nesses países e que acessaram os conteúdos do LIT para buscar mais qualificação e fazer o processo de volta para cá”, afirma Securato em evento para jornalistas. 

Outra consequência dessa abertura foi a aproximação de empresas de países de língua portuguesa, como Angola e Cabo Verde, que nos últimos meses procuraram a instituição para entender como é possível oferecer os cursos aos próprios funcionários.  

“O que deu o start nisso [a procura vinda de outros países] foi o modo como a gente abriu a plataforma, que deu às pessoas a oportunidade de conhecer o LIT”, explica Camila Securato, Chief Revenue Officer da empresa. Mas esse processo também está acontecendo de dento para a fora, com o LIT buscando parcerias com instituições estrangeiras para aplicar a metodologia de ensino em outras plataformas. 

Iniciativas futuras 

Em paralelo com os ajustes feitos, a companhia também está investindo em testes para a implementação de tecnologias que possam melhorar ou facilitar a aprendizagem, como o uso de realidade aumentada. “Há três anos estamos estudando isso, porque o nosso objetivo é colocar um holograma na sala de estar do aluno”, explica José Securato. 

Outra iniciativa que deve ser implementada futuramente é o uso de blockchain não só para validar o certificado, mas também como um serviço que comprove a capacidade do aluno de realizar a tarefa aprendida dentro do LIT, dependendo do curso escolhido.

“O blockchain funciona dentro de um ecossistema de comunidade, por isso essa inovação vai demorar um tempo ainda porque precisamos de uma boa rede de parcerias, não é lançar só para dizer que foi lançado”, pondera Marcos Sanchez, Diretor de Tecnologia e Digital do LIT. 

Por fim, a tecnologia em que os trabalhos estão mais avançados é a implementação da voz dentro da inteligência artificial Paul, que conseguirá não só responder a perguntas mais gerais, mas também utilizar a base de conhecimento do próprio LIT para ajudar os alunos a tirarem dúvidas mais conceituais. 

De acordo com José Cláudio, a inteligência artificial é construída dentro de uma rede neural, que ao ser lançada ajudará, com base nas respostas e tempo disponível de aprendizagem do aluno, a absorver determinado conteúdo na ordem correta. “Uma vez que o aluno faz uma pergunta, a partir daqui eu a IA te ajuda com as próximas, porque é possível ir validando o que o aluno sabe ou não.” 

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