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A inovação aberta é o caminho para sua transformação digital

“Open Innovation Labs” são verdadeiros parques de diversões para gerar a nova onda de inovações e marcar para a história nossa década

Henrique von Atzingen*

09/05/2016 às 8h00

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Foto: Shutterstock

Devem brotar, por dia, centenas de artigos nas mídias de tecnologia falando sobre as maravilhas da transformação digital. Esse é mais um deles. Só que nesse artigo vou explorar um outro lado da transformação digital. Nada de falar sobre a importância da tecnologia, ou sobre a democratização do mundo de Apps e Redes Sociais. Vou falar do pilar número um da transformação digital, que alego serem as pessoas. São as pessoas que criam a inovação, e essa inovação é focada em transformar as vidas das próprias pessoas.

Há 4 anos atrás Scott Anthony em seu artigo “The New Corporate Garage” da Harvard Business Review atestou que: “... as inovações serão mais relacionadas a redesenho de modelos de negócios do que breakthroughs tecnológicos.” É fato.

Analisando a história da inovação vemos sempre presente o papel humano. No início do século XX, a inovação tinha a assinatura do inventor e assim ficaram marcados pela história Edison, Gutenberg e outros. Com a evolução tecnológica iniciando seu caminho, como o estabelecimento da linha de produção, a inovação passou a necessitar de investimentos corporativos, e as grandes empresas passaram a liderar nesse campo.

Os inovadores estavam livres e com as ferramentas necessárias para criar dentro dessas grandes empresas. Mas chegando à metade do século passado, as empresas começaram a ficar muito burocráticas, e as mentes inovadoras começaram a se rebelar e procurar formas de manter a chama criativa da inovação viva. Essas pessoas saíram das grandes empresas e com o apoio dos Venture Capitalists fundaram novos negócios.

Nos anos 70, essa tendência ganhou enorme escala. Vários VCs buscavam inovadores e seus sonhos de transformar o mundo. Chegamos ao início do século 21, o boom das startups chegou à sua maturidade. Não adianta mais ter apenas um modelo de negócios inovador e fazer uso das tecnologias mais recentes, agora é preciso conseguir ser mais rápido e se proteger das várias startups que vão surgir copiando seu modelo de negócios.

Hoje, o quadro coloca as grandes empresas novamente no páreo da inovação. Ao ver inúmeras mentes brilhantes saindo para inovar em outros lugares, as grandes empresas entenderam que podem fazer essa inovação acelerada dentro de casa.

Surge o personagem do Corporate Catalyst, que lidera o discurso de inovação dentro das grandes empresas. Surge também o conceito de Open Innovation, onde as grandes empresas criam o ambiente para a aglutinação de inovadores, catalysts, dentro de casa.

Os inovadores são dos mais variados perfis e possuem conhecimentos distintos. Juntos eles fazem design thinking, montando mapas de empatia, jornadas de usuários, mapas de proposição de valor, mapas de modelos de negócios. Juntos eles discutem, criam, cocriam, prototipam, pivotam ou escalam um novo modelo de negócios. Juntos eles transformam a experiência do usuário e criam novas formas disruptivas de se fazer as coisas.

Esses ambientes criados pelas grandes empresas unem todo o aprendizado de mais de cem anos de inovação da humanidade. São seres deste ecossistema: universitários, startups, cientistas, executivos de negócios, técnicos da indústria, VC’s, evangelistas de tecnologia, e outros. Isso implica que a inovação não deve estar limitada às fronteiras da empresa. Ela precisa estar aberta para o mundo.

O poder do crowdsourcing confirma a máxima que duas cabeças pensam melhor que uma. Os chamados “Open Innovation Labs” são os verdadeiros parques de diversões para gerar a nova onda de inovações e marcar para a história nossa década.

Enfim, se você está em uma grande empresa lendo este artigo e sente que pode fazer muito mais do que está em seu job description. Se você entende de modelo de negócios, ou simplesmente vê formas mais criativas e inteligentes de fazer as coisas. Se você questiona porque uma regra de 40 anos não pode se transformar ou se ajustar para a realidade que vivemos hoje.

Enfim, se você realmente quer um mundo melhor, seja você parte desta transformação. Torne-se um Corporate Catalyst e mude o mundo aí mesmo onde você se encontra, na sua empresa.

*Henrique von Atzingen é executivo de Mobilidade da IBM Brasil. Twitter: @hvon

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