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Twitter expande regras contra a desinformação relacionada às eleições

Medida estabelece um confronto com Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos

Da Redação

15/09/2020 às 16h00

Foto: Shutterstock

O Twitter lançou novas políticas contra a desinformação relacionadas às eleições. A expansão das políticas contempla um rótulo de checagem de fatos ou a ocultação de tweets que contenham informações falsas, disse a empresa em uma postagem de blog.

De acordo com o site do canal de notícias CNN Business, a expansão das políticas estabelecem novas regras que provavelmente forçarão a plataforma a checar de forma mais agressiva o Presidente Donald Trump durante os meses finais da campanha de 2020.

A gigante da mídia social disse que adicionará rótulos de checagem de fatos ou ocultará tweets que contenham "informações falsas ou enganosas que causam confusão" sobre as regras eleitorais ou postagens com "informações não verificadas sobre fraude eleitoral". Porém, a empresa não especificou qual processo será usado para determinar o que é notório o suficiente para ser removido em vez de rotulado.

As políticas porosas e subjetivas do Twitter permitiram a Trump espalhar um fluxo constante de desinformação sobre a eleição para milhões de americanos. A empresa abriu o caminho para a Big Tech quando repreendeu Trump por um tweet enganoso em maio, mas aquele momento decisivo acabou parecendo mais como um outlier, disse o canal de notícias.

O Twitter raramente aplica rótulos de verificação de fatos aos tweets de Trump que contêm informações falsas sobre votação, e não está claro o quanto o rotulamento consegue.

De acordo com a empresa, as novas regras entrarão em vigor na próxima semana e proibirão explicitamente muito do material que Trump está propenso a postar, colocando a empresa em rota de colisão com o presidente enquanto tenta ajudar a orientar o país por meio de uma votação e postagem sem precedentes.

As novas regras incluem políticas voltadas para a redução do caos pós-eleitoral em potencial, uma grande preocupação neste ano por causa da retórica de Trump e o influxo de cédulas pelo correio, o que reduzirá a contagem de votos, diz a publicação.

O Twitter agora vai proibir "afirmações enganosas sobre os resultados", afirmações prematuras de vitória ou "incitação de conduta ilegal" que impede uma transição pacífica de poder.

Na semana passada, Trump entrou em conflito com as regras existentes do Twitter quando encorajou seus apoiadores a votarem duas vezes - uma por correio e outra pessoalmente, como forma de testar medidas antifraude. O Twitter escondeu as postagens, enquanto o Facebook adicionou um rótulo de aviso, mas nenhum dos dois observou que votar duas vezes é ilegal, ressaltou a reportagem da CNN.

Dependendo de quão estritamente o Twitter implementa as novas regras, ele pode colocar mais pressão sobre o Facebook, que tem sido criticado por como lida com desinformação do presidente.

As duas gigantes das redes sociais prometeram no início deste ano reprimir a desinformação, mas, segundo a publicação, muitas vezes faltaram respostas, ou rapidez a elas, a vídeos políticos enganosamente editados e postagens prejudiciais sobre a Covid-19.

Um porta-voz do Twitter se recusou a dizer se tweets anteriores de Trump dessa natureza teriam se qualificado para verificação de fatos sob as novas regras. Uma análise detalhada das regras - que incluem amplas proibições e exemplos específicos de material inaceitável - sugere que muitos dos tweets de Trump sobre a eleição nos últimos meses violariam as novas regras do Twitter, diz o CNN.

Trump criticou o Twitter na terça-feira, questionando publicamente por que a plataforma não censurou uma imagem do senador majoritário Mitch McConnell que foi adulterada para fazê-lo parecer que estava vestindo um uniforme militar soviético. Trump twittou: "Pare a Big Tech tendenciosa antes que eles parem você!".

Redes sociais contra a desinformação

A desinformação se espalha amplamente no Twitter e no Facebook, e o Facebook anunciou seus próprios planos na semana passada sobre como vai lidar com as postagens enganosas sobre a eleição deste ano.

Na semana passada, o Facebook rotulou a postagem enganosa de Trump sobre o voto duplo. A empresa inicialmente adicionou um rótulo padrão dizendo às pessoas para navegar em recursos eleitorais autenticados.

Mas depois de alguma reação negativa, o Facebook atualizou a linguagem do rótulo para dizer: "O voto por correspondência tem uma longa história de confiabilidade nos Estados Unidos e o mesmo está previsto este ano".

As novas políticas do Facebook ainda permitem que os políticos exibam anúncios contendo mentiras durante o dia da eleição. E mesmo com regras aparentemente rígidas sobre os livros este ano, o Twitter repetidamente se recusou a tomar medidas contra a desinformação descaradamente falsa que poderia minar a fé do público na eleição.

Esses pontos fracos e lacunas exemplificam o equilíbrio que as empresas de tecnologia estão tentando atingir, diz a reportagem.

"Não permitiremos que nosso serviço seja abusado em relação a processos cívicos, principalmente eleições. Qualquer tentativa de fazê-lo - tanto no exterior quanto no país - terá a aplicação estrita de nossas regras, que são aplicadas igual e judiciosamente para todos", disse a empresa na quinta-feira.

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