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O RPA pode atuar tecnologia democratizante, mas é preciso preparar os trabalhadores

Para maximizar os benefícios dessa democratização algumas mudanças no comportamento humano precisam acontecer

Por Edgar Garcia*

11/09/2020 às 14h30

Foto: Adobe Stock

Legenda: RPA Robotic process automation artificial intelligence technology.

Ampliada pela ruptura econômica mundial causada pela epidemia do novo coronavírus, a automação está provocando uma importante mudança no local de trabalho.

Mas em vez de percebermos a automação como um destruidor de empregos, considero que devemos encarar a automação de processos robóticos (RPA) como uma tecnologia democratizante. Para maximizar os benefícios dessa democratização, porém, algumas mudanças no comportamento humano precisam acontecer.

Como escreveu o New York Times recentemente: “Economistas, líderes empresariais e especialistas em trabalho advertiram durante anos que uma onda de automação e tecnologia digital viraria de cabeça para baixo a força de trabalho, destruindo alguns empregos e alterando como e onde o trabalho é feito para quase todos. Nos últimos quatro meses, a pandemia de coronavírus transformou algumas dessas previsões em realidade”.

Momento para tomar ações

Durante o mês de maio, a Forrester conduziu a pesquisa on-line com 160 tomadores de decisão na área de automação robótica de processos advindos de operações, serviços compartilhados, finanças e outras linhas de negócios em organizações que abrangem França, Alemanha, Japão, Reino Unido e os EUA.

Uma das principais conclusões foi que agora, mais do que nunca, as habilidades digitais são necessárias. Para aumentar a retenção e ter maior produtividade, é de responsabilidade dos empregadores oferecer capacitação digital - especificamente treinamento em automação.

A requalificação rápida, em grande escala, de grandes segmentos da força de trabalho é uma demanda urgente. Em sua 23ª pesquisa anual com CEOs, a PwC descobriu que as preocupações com a disponibilidade de habilidades-chave são agora um dos principais problemas enfrentados pelos executivos atualmente.

No entanto, apenas 18% dos CEOs disseram ter feito progresso significativo no estabelecimento de um programa de aprimoramento de habilidades soft, técnicas e digitais. Os imperativos de negócios estão impulsionando essa demanda por novas habilidades, especialmente habilidades digitais.

Mas a demanda também vem de muitos funcionários que desejam aprender e usar as habilidades do século XXI. Eles estão gravitando em torno de empresas que podem lhes oferecer essas oportunidades.

Digitalização na prática

A PwC estava à frente dessa curva alguns anos atrás, quando buscou não apenas requalificar, mas também aprimorar sua força de trabalho de 55 mil pessoas nos Estados Unidos (EUA). O presidente da PwC nos EUA, Tim Ryan, percebeu que eles precisavam ser capazes de usar a tecnologia para mudar a forma como os funcionários da PwC trabalhavam e atendiam seus clientes.

Por meio da iniciativa Your Tomorrow, ou, na tradução livre, “Seu Amanhã”, a PwC embarcou em um programa contínuo de transformação digital e aprimoramento interno de vários anos. Este programa buscou aumentar a perspicácia digital geral dos funcionários. Em seguida, concentrou-se em aprimorá-los em tecnologias específicas.

O primeiro passo em sua jornada foi ajudar seus funcionários a avaliar e, em seguida, aumentar sua compreensão e habilidades digitais por meio de um aplicativo móvel proprietário, o Digital Fitness App.

A PwC também tem se empenhado em democratizar o acesso à tecnologia além de sua empresa. No início da crise da COVID-19, quando ficou claro que um grande número de pessoas ficaria sem trabalho, a PwC disponibilizou este aplicativo gratuitamente para o público.

Cada funcionário da PwC nos EUA teve a oportunidade de aprimorar sua perspicácia digital geral. A PwC então pegou um grupo de 1000 candidatos auto-indicados (de um grupo de 3.500 candidatos) e os colocou em um treinamento intensivo como “aceleradores digitais”.

Como parte do treinamento, os participantes aprenderam como programar robôs RPA, mas também foram estimulados a desenvolver soft skills como como contar histórias e pensar em design.

Esses aceleradores digitais se tornaram embaixadores da mudança em toda a PwC, ajudando a possibilitar a transformação digital mais ampla de suas equipes e projetos.

Aprendizados

Assim, tomando o case PwC como exemplo, podemos tirar algumas lições:

  • A falha em priorizar a qualificação dos funcionários colocará uma organização em significativa desvantagem competitiva;
  • A falha em priorizar a qualificação torna a organização mais vulnerável ao comprometimento do funcionário (e pode prejudicar sua marca com possíveis futuros funcionários);
  • Com o aprimoramento digital, você engaja mais seus funcionários, pois eles estarão focados em atividades realmente relevantes para o negócio.

A PwC conseguiu automatizar em torno de cinco milhões de horas de trabalho, realocando profissionais para tarefas mais relevantes e dando-lhe mais tempo para focarem no relacionamento com os clientes. As pontuações da empresa em pesquisas de engajamento de funcionários aumentaram de 20% a 30%.

Quando a PwC conversa com os clientes sobre seu programa de transformação digital, a pergunta inevitável é “como você mede os benefícios?”.

A resposta é considerar uma variedade de métricas. Por exemplo, existe a métrica de satisfação do funcionário. Mas há também a realização ainda mais tangível de melhor retenção de funcionários e aumento nas horas faturáveis.

Concluindo, a pandemia nos evidenciou que é preciso melhorar as habilidades digitais e de máquina, que as empresas precisam ajudar seus funcionários a lidar com os efeitos potenciais da automação e prepará-los para o futuro do trabalho.

*Edgar Garcia é Diretor Comercial na UiPath no Brasil

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