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O que a história nos mostrou sobre o avanço tecnológico e por que o RPA não destrói empregos

Como as novas tecnologias não vão destruir empregos se substituem humanos por soluções automatizadas? Acredito que exista uma resposta

Por Edgar Garcia*

03/08/2020 às 14h30

Foto: Adobe Stock

Frequentemente ouvimos a apreensão das pessoas sobre a ameaça de destruição de empregos que será provocada pela implantação do Robotic Process Automation (RPA) e da inteligência artificial (AI). 

Temos inúmeros exemplos na história em que a implantação da tecnologia não destruiu empregos. Como as novas tecnologias criadas durante a Revolução Industrial, que permitiram a migração de empregos de ocupações agrícolas para manufaturas e, em seguida, de manufaturas para empregos relacionados a serviços. Mas as pessoas podem estar preocupadas que desta vez seja diferente. 

De fato: como as novas tecnologias não vã destruir empregos se substituem humanos por soluções automatizadas? A resposta reside no simples fato de que, embora tais tecnologias automatizem alguns empregos, elas também criam novos. 

Outros tempos, mesmas preocupações

Devemos ter em mente que:  

  • Novas tecnologias criam novas necessidades e; 
  • Novas tecnologias aumentam a expectativa humana das necessidades existentes.  

Começando pelas novas necessidades, seria justo dizer que ninguém havia previsto, por exemplo, a importância das mídias sociais. No entanto, aqui estamos, com elas se tornando uma das tecnologias mais utilizadas: só o Facebook tem mais de 2,4 bilhões de usuários ativos.  

Como resultado, foram criadas posições de trabalho, como gerentes de mídia social. Poderíamos dizer o mesmo sobre o telefone, a televisão e inúmeras outras tecnologias que criaram necessidades e novas ocupações relacionadas para satisfazer essas novas necessidades. 

Vamos considerar agora o aumento da expectativa das necessidades existentes provocadas pelas novas tecnologias. Na década de 1980, uma necessidade existente era depositar e recuperar dinheiro da conta bancária de uma pessoa.

Essa necessidade foi atendida visitando uma agência bancária e negociando com um caixa bancário. Depois, veio o caixa eletrônico (ATM), que estava, basicamente, automatizando os trabalhos dos caixas bancários. 

Na época, havia uma grande preocupação de que os caixas perdessem seus empregos, mas o que realmente aconteceu é que a maioria dos caixas se tornou representante de atendimento ao cliente e prestou um serviço mais personalizado a seus clientes. Poucos empregos foram perdidos e os novos empregos proporcionaram melhores salários.  

Mais importante, porém, foram as expectativas dos clientes quanto à necessidade básica de depositar e recuperar dinheiro de sua conta bancária foram alteradas para sempre: após a disponibilidade dos caixas eletrônicos, espera-se que os clientes possam depositar ou recuperar dinheiro de sua conta a qualquer hora do dia, qualquer dia da semana e em qualquer local. 

Novos tempos, novas demandas

Como resultado do duplo fenômeno da criação de novas necessidades e do aumento das expectativas em relação às necessidades existentes, as novas tecnologias criam, continuamente, novos empregos. Para dar um exemplo mais recente, de acordo com o LinkedIn, as posições de cientista de dados nos Estados Unidos (EUA) aumentaram 650% entre 2012 e 2017. 

De acordo com uma pesquisa de 2017 do Massachusetts Institute of
Technology (MIT) e da Universidade de Boston, metade de todo o
crescimento de empregos nos EUA de 1980 a 2007 veio da criação e
expansão de novas categorias de empregos. 

Portanto, RPA e AI, por causa das palavras "robô" e "inteligência", podem ter capturado a imaginação das pessoas mais do que as novas tecnologias anteriores e, como resultado, despertado mais apreensão.  

No entanto, como as novas tecnologias anteriores, o RPA e a AI criarão novas oportunidades de emprego, aliás, já estão criando e, evidentemente, a transição deve ser gerenciada com cuidado, a fim de minimizar o custo humano e oferecer novas oportunidades ao maior número de pessoas possível. 

*Edgar Garcia é diretor comercial da UiPath Brasil

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