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Operadoras querem Huawei na implementação do 5G no Brasil

Empresas temem que exclusão da fabricante nas licitações gere uma concentração de mercado que aumente custos de instalação

Da Redação

02/07/2020 às 10h00

Foto: Shutterstock

Operadoras brasileiras temem que, por conta das restrições impostas pelos Estados Unidos contra a Huawei, o Brasil bloqueie a participação da empresa na construção da rede 5G para se alinhar com a política americana, de acordo com reportagem do Estadão. 

De acordo com a matéria, representantes das principais empresas do setor se reunirão com os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), que farão parte do planejamento do 5G e terão voz para liberar ou barrar a entrada da empresa no Brasil. 

Atualmente, os produtos da Huawei são considerados bons e baratos pelos representantes da indústria, sendo que dentro da rede de equipamentos 4G a empresa conta com participação de mercado entre 40% e 50% no Brasil. E muitos desses aparelhos serão utilizados para a inclusão do 5G, que se iniciará em 2021

Caso a participação da empresa seja proibida, o temor é que a concentração de mercado aumente o valor de contratação de serviços, já que apenas Ericsson e Nokia teriam autorização para realizar essa estrutura.  

Globalmente, a Huawei tem 91 contratos vigentes para implantar redes da nova tecnologia, enquanto a Ericsson soma 95 contratos e a Nokia, 73 contratos, segundo dados divulgados pelas empresas. 

Nada definido 

O principal fator que pode ser utilizado para impedir uma possível entrada da empresa são as acusações dos EUA de que a Huawei utiliza suas tecnologias para compartilhar informações de negócios com o governo chinês. 

Por conta da suspeita, que levou o governo a impedir que a empresa negocie com empresas americanas, outros países agora avaliam em quem acreditar.

Um exemplo é o contrato do Reino Unido para a definição da infraestrutura do 5G: enquanto a Huawei está autorizada a participar, pode apenas se comprometer com infraestruturas que não estejam ligadas à troca e transmissão de dados. 

No Brasil, ainda não há uma legislação ou impedimento para a participação da empresa, mas essa suspeita ainda está forte no país. Tanto que, na semana passada, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se manifestou dizendo que a política externa não pode impedir que o contrato mais benéfico para o consumidor seja escolhido.