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Debandada de anunciantes: Ford e Microsoft se unem a movimento

Especialistas dizem que mancha na reputação do Facebook, devido às diversas suspensões de anúncios, é maior que ameaça financeira

Da Redação

01/07/2020 às 15h00

Anunciantes deixam Facebook
Foto: Shutterstock

Legenda: Anunciantes deixam Facebook

O grupo de grandes marcas que paralisaram seus anúncios no Facebook está crescendo. Na segunda-feira, 29, Ford, Microsoft e Best Buy também decidiram suspender campanhas nas redes sociais do Facebook, contando Instagram. Anteriormente, Coca-Cola, Verizon, Starbucks, Diageo e Unilever já haviam feito o mesmo.

Este movimento é uma maneira das grandes empresas se posicionarem e exigirem explicações sobre a disseminação de discursos de ódio propagados rede social. Para analistas, a iniciativa ainda tem pouco impacto nas finanças da companhia de Mark Zuckerberg, mas pode causar danos à imagem da empresa.

As ações do Facebook começaram a semana com alta de 2,11%, em recuperação diante da perda da semana passada, com queda de 8%.

A Best Buy e a Ford suspenderam anúncios no território americano por um mês. A montadora ampliou a decisão, levando o corte também ao Twitter e informou estar discutindo a presença da marca em todas plataformas do tipo e avaliando os gastos em outras regiões.

O site de tecnologia Axios conseguiu um documento interno da Microsoft e publicou que a maior preocupação da empresa de tecnologia é estar vinculada.

Os executivos decidiram suspenderam anúncios no Facebook e Instagram para evitarem ligações com publicações que contenham discurso de ódio, pornografia e conteúdo terrorista.

Impacto financeiro

O impacto nas finanças do Facebook ainda é pequeno. A agência Bloomberg estimou que, caso 25 dos 100 maiores anunciantes suspendam propagandas, o dano será de US$ 250 milhões nos resultados do terceiro trimestre.

Se 50 empresas desse grupo aderirem ao movimento o impacto será de US$ 500 milhões. A quantia pode parecer considerável, mas se compararmos com o faturamento do primeiro trimestre de US$ 17,7 bilhões, vemos que ainda é pequena.

Porém, executivos de finaças alertam o perigo de uma repercussão em um futuro próximo. Bradley Gastwirth, da corretora Wedbush Securities, disse em nota a investidores que “dada a quantidade de ruído após o posicionamento da empresa, haverá impacto significativo no negócio do Facebook. É preciso cuidar desse assunto rapidamente antes que ele entre numa espiral fora de controle."

Para Mark Shmulik, da consultoria Bernstein Securities, após as manifestações antirracismo nos EUA, "as marcas que não se engajam no boicote podem soar cúmplices a essas posturas", afirmou ele em nota.

Reação

Na última semana, a rede social anunciou diversas mudanças nas políticas e práticas quanto à liberdade de expressão, alterando regras para considerar que uma publicação seja considerada discurso de ódio.

Outra medida foi a de passar a exibir um selo em publicações de políticos que violem as práticas da plataforma – devido ao interesse público, porém, as publicações serão mantidas, afirmou Mark Zuckerberg. Na visão de grupos ativistas, porém, as mudanças foram irrisórias.