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O valor do Blockchain para a indústria financeira

Tecnologia é uma excelente forma de promover transparência, além de evitar erros e eliminar a necessidade de conciliação bancária

Carlos Henrique Duarte da Silva*

30/06/2020 às 18h00

Foto: Shutterstock

Nos últimos anos estamos acompanhando uma verdadeira revolução no uso do Blockchain, tecnologia de processos de negócio que cada vez mais vem sendo utilizada por diferentes segmentos, como cadeias de suprimentos, comércio exterior, alimentos, saúde e, sobretudo, financeiro. Prova disso é que, de acordo com um recente estudo da Deloitte, em 2019, 53% das empresas entrevistadas afirmam que o Blockchain se tornou uma prioridade para as suas organizações – 10% a mais que no ano anterior.

Particularmente na indústria financeira, que conforme a pesquisa lidera a utilização da tecnologia, o Blockchain vem melhorando (e muito) processos legados e está promovendo economia em processos muitas vezes burocráticos em com alta fricção entre partes interessadas.

Quando falamos de Blockchain no setor bancário, pensamos logo em criptomoedas e seu impacto de transformação na economia – e isso é bem natural. Entretanto, quero trazer hoje aqui uma reflexão sobre essa tecnologia, que vai muito além das criptos e que tem auxiliado instituições financeiras em aplicações para otimizar transferências de valores, manutenção de registros, conciliação de informações, resolução de disputas, melhorias em processos de crédito entre outras funções de impacto. Pois é, a transformação é grande – isso se levarmos em consideração que este é um setor conhecido por seus sistemas legados históricos, com alguns chegando a ter mais de 30 anos.

Como o principal atributo do Blockchain é tornar qualquer dado gravado imutável, outra vantagem da tecnologia é rastrear em tempo real qualquer informação já registrada, o que consequentemente produz uma detalhada trilha de auditoria. Essa é uma excelente forma de promover transparência nos processos bancários e financeiros, além de evitar erros e eliminar a necessidade de conciliação bancária – controle usado para avaliar se há inconsistência de dados. A tecnologia ainda permite que normas como LGPD e GDPR sejam atendidas.

Com o Blockchain, também é possível a adoção de contratos inteligentes, que são uma evolução automatizada dos contratos tradicionais. Isso permite a execução confiável e digital das regras preexistentes em acordos pré-estabelecidos, eliminando a necessidade de documentos em papel, além de possibilitar melhoria na aplicação de termos contratuais multilaterais, uma vez que estes são executados automaticamente assim que determinadas condições pré-definidas pelas partes são atendidas. Essa é uma facilidade que pode beneficiar qualquer acordo efetuado pelas instituições financeiras, principalmente envolvendo transações de ativos financeiros complexos, desde que tudo esteja em conformidade com as leis e normativas existentes.

Nacionalmente, como exemplo de uso bem-sucedido da tecnologia, temos a TecBan, que em 2019 anunciou o lançamento de uma solução que utiliza o Blockchain para transações interbancárias. A tecnologia viabiliza o compartilhamento e consumo de serviços hospedados em uma rede compartilhada digital pelas instituições financeiras, otimizando a disponibilidade de dinheiro em suas agências espalhadas por diversas cidades no país e melhorando o acesso ao papel moeda.

Para um futuro não tão distante, você pode ter a certeza de que exemplos como esses serão muito mais frequentes. E não só isso: o uso do Blockchain vai ser a chave para que nosso dinheiro e suas transações estejam em ambientes cada vez mais blindados e seguros, mitigando frequentes preocupações com abusos e fraudes. Se aliarmos o Blockchain a tecnologias adjacentes como internet das coisas (IoT), 5G, inteligência artificial (IA) e Edge Computing, aumentaremos exponencialmente os casos e processos a serem transformados. Pode apostar!

*Carlos Henrique Duarte da Silva é Líder de Serviços Blockchain da IBM América Latina

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