Home  >  Negócios

IBM anuncia saída do mercado de reconhecimento facial

Em carta enviada ao Congresso americano em nome do presidente Arvind Krisnha, companhia também se opõe ao uso da tecnologia

Da Redação

09/06/2020 às 8h12

Foto: Shutterstock

Em carta enviada na útlima segunda (8) ao governo americano, a International Business Machines (ou IBM) anunciou que não trabalhará mais com soluções do mercado de reconhecimento facial.  

Assinada pelo CEO Arvind Krishna, o documento informa que a empresa “se opõe e não tolerará o uso de nenhuma tecnologia, incluindo a tecnologia de reconhecimento facial oferecida por outros fornecedores, para vigilância em massa, perfil racial, violações dos direitos e liberdades humanos básicos ou qualquer finalidade que não seja consistente com nossos valores e Princípios de Confiança e Transparência.” 

Segundo fontes, a empresa já havia se decidido há meses está se preparando para realizar o anúncio. Mas não há como não conectar a notícia aos úlitmos acontecimentos que ocorrem nos EUA, com grandes protestos envolvendo a morte do ex-segurança George Floyd e de outras pessoas negras envolvendo a ação da polícia local. 

Mesmo que de forma paralela, a própria IBM menciona o timing, afirmando em um trecho de carta: “Acreditamos que agora é a hora de iniciar um diálogo nacional sobre se e como a tecnologia de reconhecimento facial deve ser empregada pelas agências policiais nacionais.” 

Mais rigidez às forças policiais 

No início do documento, Krishna também sugere que o Governo realize a implementação da tecnologia de inteligência artificial para auxiliar na ação da polícia e segurança dos cidadãos. Porém, reitera o fato de que ainda é necessário um grande esforço das empresas de tecnologia e clientes para criar algoritmos que não tenham vieses. Lembrando que, em muitos casos, esse viés aponta justamente para populações que já sofrem por conta de pré-conceitos, como negros e árabes. 

O CEO também aponta que “a política nacional também deve incentivar e avançar o uso de tecnologia que traga maior transparência e responsabilidade ao policiamento, como câmeras corporais e técnicas modernas de análise de dados”. 

O executivo também sugere que o Congresso passe a apresentar e punir mais casos de má-conduta policial, além de estabalecer uma base de dados federal listando policiais infratores e revisar políticas de uso de força, para que os cidadãos sintam-se mais seguros para  denunciar más-práticas e que os representantes não irão agir de forma excessiva durante uma abordagem. 

Uma fonte contou à rede de notícias CNBC que o negócio de reconhecimento facial não gerava uma receita significante para a IBM e que a decisão levou em conta tanto o fator ético como a questão de negócios, já que até mesmo funcionários da companhia expressaram preocupações às lideranças sobre as aplicações e consequências da tecnologia. 

*Com informações do Axios