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TOTVS é o ERP mais utilizado no Brasil, mas SAP ganha em adesão nas grandes empresas

Dado aparece na 31ª Pesquisa anual do uso de TI no Brasil, estudo apresentado pela FGV EAESP

05/06/2020 às 8h00

Foto: Shutterstock

Enquanto, no Brasil, os softwares integrados de gestão (ERP) da TOTVS possuem o maior percentual de adoção dentro das empresas em geral, esse percentual muda de figura quando se restringe análise apenas para as companhias com mais de 1 mil colaboradores: nesse segmento, a SAP se iguala ou até ultrapassa a companhia brasileira. 

Este foi um dos dados apresentados em evento para a imprensa organizado pelo o Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP), e estão inclusos dentro da 31ª Pesquisa anual do uso de TI no Brasil.  

Coordenado pelo professor Fernando  Meirelles, o estudo ouviu 2.622 empresas de médio e grande porte, mensurando indicadores como volume de venda de dispositivos no país, representatividade dos gastos de TI dentro da receita das companhias e as tendências do mercado de software. 

Panorama dos ERPs 

De acordo com a análise feita na edição 2020 da Pesquisa, a companhia fundada por Laércio Cosentino detém 33% do mercado de Sistemas Integrados de Gestão, seguido de perto pela SAP (32%) e de forma mais afastada pela Oracle (12%).  

Porém, a situação se inverte quando a amostra de empresas respondentes é segmentada de acordo com o porte da organização. “Nas empresas menores, a TOTVS tem quase metade da base instalada”, explica Meirelles “Mas a participação da SAP cresce conforme cresce o porte da empresa." 

O estudo apresenta mais dados que comprovam a tendência. Nas empresas com até 180 teclados, a TOTVS chega a representar 47% do total de ERPs instalados. Nas firmas entre 181 e 799, as marcas competem com um pouco mais de igualdade , com 36% de representatividade para TOTVS e 30% para a SAP. 

Porém, quando esse o número de periféricos chega a 800, a participação da marca despensa para 19%, e a SAP dispara em 50%. “Em empresas com mais de 2 mil teclados esse número chega a ser maior”, complementa o professor. 

Meirelles também avalia que o momento atual, que transportou parte da força de trabalho para o formato remoto, fará com que as marcas invistam na renovação ou implementação de novos sistemas, de forma a não perder competitividade. 

Em paralelo ao mercado de ERPs, o estudo também apresenta um uso maior por parte das empresas da chamada inteligência analítica, que compreende o uso de soluções de business intelligence, analytics e CRM. 

O estudo aponta as soluções da SAP como as mais utilizadas, com 25% de participação, seguidas por Oracle (16%), TOTVS (15%) e Microsoft (13%). Mesmo ocupando o quinto lugar, a plataforma Qlik, com 13% de adoção, foi o destaque apresentado por Meirelles. “Há poucos anos, seu uso era menor do que 5%”. 

Outros achados  

Ao medir os investimentos em TI realizados por médias e grandes empresas, a pesquisa apontou que o percentual padrão corresponde a 8% da receita. 

Dividindo os resultados por setores, a área de serviços (com bancos inclusos) tem o maior percentual de gastos (11,4%). Ao isolar apenas as instituições financeiras, o número ficaria em 15,7% de percentual investido. A indústria registra 4,8% e o Comércio 3,8%. 

A métrica de Custo Anual de TI por usuário (que mede os gastos e Investimentos em TI, dividido pelo número de usuários da empresa), ficou com a média de R$ 52 mil reais, atingindo o seu pico maior na área financeira (R$ 114 mil por usuário) e o registro menor no setor de Ensino (R$ 22 mil). 

Dentro do mercado de produtos, a Pesquisa identificou que o Brasil conta com 424 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso no Brasil,, sendo que a média de 4 celular  comprados por cada  TV no país. 

Falando sobre o mercado de computadores, a pesquisa do FGV EAESP identificou que existem 191 milhões de equipamentos no Brasil, somando desktops, laptops e tablets. Mas o número dos dois primeiros pode aumentar nos próximos anos, caso o home office seja de fato adotado por uma parcela maior das companhias. 

Tendências do pós-pandemia 

Falando de futuro, a análise indica acompanha outros estudos que apontam uma aceleração da transformação digital por conta do novo coronavírus (Covid-19), puxando os gastos e investimentos de TI e apostando em vertentes como inteligência analítica e maior de um ERP que acompanhe esse movimento. 

Nas grandes empresas, os esforços anteriores serão somados a iniciativas envolvendo governança de TI, inteligência artificial e Internet das Coisas. 

Sobre o efeito da transformação digital na vida das pessoas, Meirelles acredita que, apesar de não ser possível mensurar o quanto das práticas atuais permanecerão na nossa rotina durante a futura volta ao escritório, é possível afirmar com segurança que alguns hábitos foram modificados de forma definitiva. 

“Posso garantir que vamos ter uma herança disso. Agora o tamanho [dessa mudança], ainda não dá para saber”, resume o coordenador.