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Funcionários do Facebook criticam decisão da empresa de manter mensagem de Donald Trump

Profissionais acreditam que postura da rede social, que manteve postagem aludindo violência, vai contra os critérios da própria companhia

Da Redação

01/06/2020 às 15h00

Foto: Shutterstock

Funcionários do Facebook se manifestaram ao longo do último final de semana criticando o posicionamento da empresa, que manteve sem nenhum tipo de aviso uma mensagem postada por Donald Trump, presidente dos EUA, dando a impressão de que o governo autorizaria o uso de armas para conter a onda de protestos existentes no país após ao assassinato de George Floyd. 

Na madrugada de sexta (29), Trump publicou uma mensagem no Twitter informando que o governador de Minnesota  (que responde por Mineápolis, cidade onde o crime ocorreu), teria apoio do Exército para conter os protestos 

Tradução livre: "Esses VÂNDALOS estão desonrando a memória de George Floyd e não deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e disse a ele que o Exército está totalmente do lado dele. Qualquer dificuldade e assumiremos o controle mas, quando os saques começarem, começaremos a atirar. Obrigado!" 

Momentos depois, a mensagem foi sinalizada pelo Twitter como imprópria por incentivar a violência. Em outros casos, o texto seria removido pela empresa. Mas como o conteúdo foi publicado por uma pessoa política, a marca adota a postura de manter o conteúdo, mas diminuir o alcance. 

Em paralelo, o presidente havia assinado na quinta (28) uma ordem executiva, que nos EUA tem valor de decreto, para questionar a autonomia de moderação interna que empresas como Twitter e Facebook possuem no país. 

Acontece que uma mensagem similar foi publicada pela página de Trump no Facebook e nenhuma medida de restrição foi tomada pela empresa, atitude que despertou críticas em diversos funcionários, de acordo com a CNBC

 A reportagem, que colheu depoimentos de colaboradores da rede social, afirma que muitos funcionários se mostraram "desapontados" com a atitude da empresa e "profundamente preocupados" que o conteúdo não tenha sido removido.  

Na sexta, o próprio Zuckerberg veio à público para esclarecer o assunto.  

 "Discordo totalmente de como o Presidente falou sobre isso [a atuação do governo nos protestos], mas acredito que as pessoas devem ser capazes de ver isso por si mesmas, porque, em última análise, a responsabilidade por aqueles em posições de poder só pode acontecer quando seu discurso é examinado abertamente", explicou por mensagem. 

 Mesmo assim, a postura ainda está gerando questionamentos dentro da empresa. 

 No domingo, Trump e Zuckerberg falaram por telefone em uma conversa classificada como "produtiva" por ambos os lados. Do que foi divulgado, o fundador da rede social se comprometeu a doar US$ 10 milhões para grupos que trabalham com justiça racial, além de um investimento anula de US$ 40 milhões para entidades que atuam nesta causa.