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Acionistas da Amazon planejam pressionar empresa sobre saúde de trabalhadores durante pandemia

Pelo menos oito funcionários de depósitos da empresa nos EUA morreram por Covid-19

Da Redação

26/05/2020 às 10h08

Foto: Shutterstock

À medida que cresce o número de casos positivos e mortes pela Covid-19 entre trabalhadores de instalações da Amazon, nos Estados Unidos, aumenta a pressão entre trabalhadores, a empresa e seus investidores. Um grupo de acionistas planeja pressionar a Amazon na próxima reunião anual, na quarta-feira (27), sobre suas medidas de segurança contra o coronavírus. Eles querem que a gigante divulgue um relatório detalhando os investimentos em segurança do trabalhador durante a pandemia.

Segundo divulgado no site do canal CNBC, um grupo de acionistas da Amazon está ouvindo trabalhadores de armazéns da empresa, que levantaram alertas sobre as condições de segurança nas instalações durante o surto de coronavírus. Eles pedem ao conselho de administração da Amazon que divulgue mais dados na reunião anual de acionistas da empresa.

Do outro lado, os trabalhadores pediram que a empresa estabelecesse maiores medidas de proteção e segurança nos armazéns, incluindo fornecimento de licença médica remunerada e fechamento de instalações onde existem casos positivos para limpeza adicional.

A companhia confirmou as oito mortes, relatadas por vários meios de comunicação. Apesar de não divulgar o número de pessoas que adoeceram com o coronavírus, Jana Jumpp, colaboradora da Amazon em Indiana, estima um total de 900 casos em todo o país.

A Amazon já enfrenta uma pressão crescente de procuradores-gerais, senadores e grupos de defesa para tratar das preocupações dos trabalhadores, mas as ligações de alguns acionistas adicionam uma nova camada de pressão, diz a publicação.

Força de trabalho

Os investidores têm ouvido os colaboradores da empresa, como na última quinta-feira (21), durante um evento “alternativo” entre os acionistas e trabalhadores das instalações da Amazon. O evento foi liderado pelo CtW Investment Group, uma organização que trabalha com vários fundos de pensão patrocinados por sindicatos e que possui cerca de 890.000 ações da Amazon. Aproximadamente 260 acionistas compareceram à reunião com a participação de funcionários da empresa, incluindo um ex-motorista de entrega que foi demitido depois de levantar questões de segurança, de acordo com a CNBC.

A CtW e o International Brotherhood of Teamsters General Fund, um fundo de pensão supervisionado pelo sindicato dos Teamsters, já haviam solicitado à Amazon, em abril, que apresentasse mais informações sobre seus esforços de segurança no local de trabalho.

"O que está faltando é o relatório sobre o impacto disso. […] A impressão é que ainda não estamos lá, que ainda existem condições de trabalho inseguras", disse Anna Pot, Chefe de Investimentos Responsáveis para as Américas da APG Asset Management, gerente de fundos de pensão holandesa, em entrevista ao canal.

A publicação conta que na semana passada, Pot co-assinou uma carta com Scott Stringer, o controlador que supervisiona os cerca de US$ 211 bilhões em pensões da cidade de Nova York, pedindo à Judith McGrath, Diretora da Amazon, que explique a eficácia dos investimentos da organização em medidas de segurança para coronavírus.

“Como acionistas de longo prazo da Amazon, com US$ 4,2 bilhões investidos em ações da empresa em uma base combinada, estamos preocupados com a possível desconexão entre as iniciativas de funcionários relatadas pela gerência e esses relatos da mídia sobre preocupações generalizadas de saúde e segurança Covid-19 entre os funcionários da Amazon”, diz trecho da carta.

Pot e Stringer querem que McGrath libere dados sobre taxas de transmissão de vírus, reclamações registradas na Administração de Saúde e Segurança Ocupacional e o impacto na produtividade, ânimo dos funcionários e cultura do local de trabalho após esses investimentos. Eles também estão pedindo à McGrath que forneça informações que mostrem que a Amazon está em conformidade com sua política de não retaliação contra trabalhadores que levantam questões de segurança nas instalações.

Um porta-voz da Amazon se recusou a comentar a carta ao canal CNBC.
A Amazon disse anteriormente, segundo a reportagem, que implantou mais de 100 milhões de máscaras, 34 milhões de luvas, aproximadamente 1,5 milhão de litros de desinfetante para as mãos e milhares de funcionários de limpeza para melhorar a segurança em suas instalações durante a pandemia. A empresa também se comprometeu a investir seu lucro esperado no segundo trimestre de US$ 4 bilhões em esforços relacionados ao coronavírus, como a compra de equipamentos de segurança adicionais para os trabalhadores e o desenvolvimento de seus recursos de teste de coronavírus, entre outras coisas.

O porta-voz acrescentou em uma declaração: "Nada é mais importante que a saúde e o bem-estar de nossos funcionários e estamos fazendo todo o possível para mantê-los o mais seguros possível".

Louis Malizia, Diretor Assistente do Departamento de Estratégias de Capital da Teamsters, caracterizou a resposta da Amazon como "dispersa" e disse que a empresa precisa divulgar o número de trabalhadores que testaram positivo ou morreram com o vírus.

Dieter Waizenegger, Diretor Executivo da CtW, disse esperar que o conselho da Amazon use a reunião anual, que acontecerá on-line este ano, para tratar das preocupações dos acionistas e dos trabalhadores. "Acho que os investidores estão sendo pacientes para ver qual será sua resposta. Não há lugar melhor do que a reunião anual para fazer isso”, disse Waizenegger.