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Leilão 5G pode sofrer atraso, admite Anatel

Pandemia da covid-19 gera impacto no cronograma e na cadeia de suprimentos do 5G no curto prazo, afirmou presidente da Anatel

Carla Matsu

22/05/2020 às 19h13

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A pandemia do novo coronavírus deve comprometer o cronograma do leilão de 5G no Brasil. Pela, primeira vez, o presidente da Agência Nacional de Comunicações (Anatel), Leonardo Euler, admitiu a possibilidade de se atrasar o leilão previsto para o final de 2020.

"A pandemia certamente gera algum impacto no cronograma e na própria cadeia de suprimentos do 5G no curto prazo… Isso é inexorável", disse o presidente durante live realizada, nesta sexta-feira (22), pela Aliança Conecta Brasil F4 e organizada pelo site Teletime. Euler, entretanto, buscou se mostrar otimista: "no longo prazo, porém, estimula o 5G, a expansão da fibra e infraestrutura de telecomunicações uma vez que testa a importância das soluções digitais no endereçamento da crise".

A fala de Euler distancia da postura que a Anatel vinha assumindo até então. Em meados de abril, a agência afirmou que monitorava atentamente os efeitos da pandemia para decidir um adiamento do leilão de frequências da quinta geração e alegava ser prematura uma decisão neste sentido.

Já no final de março, a Anatel suspendeu os testes de campo para a frequência de 3,5 GHz, tida como o carro-chefe para a tecnologia. Entretanto, Euler afirmou, que simulações técnicas feitas em computadores seguem em andamento.

O presidente da Anatel destacou que a agência tem monitorado a entrega em "todas as camadas de rede" das operadoras, afirmando que mesmo diante de um salto de 30% a 40% no tráfego de banda larga fixa no Brasil, que não identificou-se nenhuma degradação de qualidade, a não ser uma pontual perda de latência.

Oi prepara investimento de R$ 5 bilhões

Rodrigo Abreu, CEO da Oi, que também participou da live, falou sobre as intenções de investimento da operadora para 2020. Segundo o executivo, o investimento em fibra ótica deve representar mais de 50% do capex da operadora - o que totalizaria R$ 5 bilhões. Abreu também citou a extensão da rede de fibra ótica da operadora, com quase 400 mil km, com capilaridade próxima a 3 mil municípios. Para Abreu, o foco em fibra ótica se coloca como um modelo à prova de futuro: "5G não existe sem fibra nas antenas".

"O plano é usar nossa fibra para equipar não só nossas antenas 5G que porventura venham a existir, mas as de todas as operadoras. Não faz sentido duplicar a infraestrutura em fibra, seria o equivalente a ter várias estradas paralelas entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Essa infraestrutura compartilhada é um foco estratégico", ressaltou.

Sun Baocheng, anunciado nesta semana como novo CEO da Huawei Brasil, substituindo Yao Wei, também participou do evento online. O executivo comentou que o 5G está na fundação de uma sociedade inteligente e a fibra ótica é peça central neste futuro.

“A fibra óptica se tornou uma demanda básica para as pessoas, assim como água e eletricidade", disse Baocheng reforçando a capacidade da Huawei de fabricação local de soluções e tecnologias. A Huawei é uma das principais companhias a liderar a corrida pelo 5G no mundo.