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Acelerador de partículas brasileiro busca melhor compreensão do novo coronavírus

Espera-se que suas habilidades possam oferecer imagens inéditas das interações entre vírus e células humanas

Da Redação

18/05/2020 às 19h55

Foto: Shutterstock

O Sirius, acelerador de partículas do tipo síncrotron de quarta geração, busca estar na linha de frente da pesquisa contra a covid-19. Instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM) em Campinas, São Paulo, o Sirius foi concebido para analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas, atuando como uma espécie de "raio X superpotente".

Dessa forma, espera-se que suas habilidades possam oferecer imagens inéditas das interações entre vírus e células humanas. Esse tipo de análise permitiria, então, descobrir detalhes e informações do novo coronavírus.

Segundo reportagem do G1, o Sirius terá duas linhas de luz - entre as 13 linhas previstas na primeira fase do projeto - priorizadas para contribuir com estudos do coronavírus. As linhas em questão, explica o G1, são conhecidas como "cateretê" e "manacá". A primeira permitiria mostrar como o vírus se comporta dentro da célula, enquanto a segunda pode ajudar a encontrar ou melhorar medicamentos atuais para combate à covid-19.

O pesquisador Mateus Borba Cardoso, diz à reportagem, que a diferença da estrutura em montagem no Sirius é sua capacidade de entender - em uma só imagem - todo o processo desencadeado pelo vírus dentro da célula humana.

"Algumas linhas do mundo conseguem olhar apenas uma parte. Vamos ser a primeira do mundo capaz de colocar toda a célula no campo de visão, e podendo distinguir organelas, espaços intercelulares. Processos biológicos, por serem complexos, não acontecem da mesma forma em toda célula. O que acontece é que hoje tem imagem de uma fatia, e ela não representa a biologia", defende Cardoso.

A expectativa é que as duas linhas mencionadas entrem em funcionamento ainda neste semestre. O Sirius representa um investimento de R$ 1,8 bilhão, e pode mudar a forma como a comunidade científica encara o Brasil.