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Produção de smartphones cairá 30% no primeiro semestre de 2020 em decorrência do COVID-19

Epicentro do surto de coronavirus é também o centro mundial da produção de smartphones e crise já afeta toda a cadeia de suprimentos do setor

Da Redação

26/03/2020 às 17h00

Foto: Shutterstock

O surto de Coronavírus levará a uma enorme redução na produção de smartphones, com previsão de queda de até 30% no primeiro semestre de 2020, segundo a ABI Research, empresa global de consultoria em mercado de tecnologia global.

Relatório apresentado pela empresa identifica os impactos a curto e longo prazo que a pandemia global terá em dispositivos 5G, smartphones e wearables.

O epicentro do surto de COVID-19 aconteceu na China que testemunhou uma interrupção em massa de suas linhas de produção e uma paralisação das cadeias de suprimentos causadas por falta de mão-de-obra e logística inativa. "As ondas da China serão sentidas globalmente", diz David McQueen, Diretor de Pesquisa 5G Devices da ABI Research.

Como o país também é o centro mundial de fabricação da maioria desses tipos de dispositivos e um de seus maiores mercados, o setor foi muito afetado por atrasos de remessas e um desenvolvimento enfraquecido de produtos da próxima geração.

“Significativamente, no curto prazo, haverá um efeito adverso nos dispositivos 5G. Os smartphones 5G mal começaram a ganhar força e entrar no mercado em números significativos, o surto agora provocará uma supressão do seu crescimento a curto prazo, impedindo o desenvolvimento e a introdução de telefones 5G”, explica McQueen.

Era esperado que esse movimento levasse smartphones a preços mais reduzidos ao mercado, se tornando um fator-chave para impulsionar as remessas dos dispositivos 5G em 2020, mas o impacto desejado agora será reduzido ao longo do ano devido ao surto.

O volume de remessas para smartphones 5G em 2020 será muito menor do que o esperado, desacelerado por uma cadeia de suprimentos estagnada e uma demanda prejudicada. "Sem dúvida, o mercado também enfrentará inúmeras interrupções e atrasos, principalmente o lançamento dos primeiros iPhones 5G da Apple que devem aparecer em setembro de 2020", diz.

A longo prazo, as expectativas são de que o surto fique gradualmente sob controle até o final do 2T 2020, mas levará algum tempo para que a confiança do consumidor retorne e o setor de dispositivos se recupere.

"É importante ressaltar que, com uma proporção tão grande do mercado mundial de dispositivos móveis confiando na China para fabricação e fornecimento de componentes, ficou claro que muitos na cadeia estavam lamentavelmente despreparados para reagir rapidamente", aponta McQueen.

Não está claro qual a extensão ou o efeito duradouro que o COVID-19 terá no ecossistema do setor, mas a curto e médio prazo, isso afetará fortemente o mercado de smartphones. "Além de prejudicar tanto a demanda quanto a cadeia de suprimentos, isso afetará particularmente a ânsia do setor de levar o 5G a preços mais baixos em 2020, atenuando seriamente seu potencial de crescimento", diz McQueen.

O diretor recomenda que vendedores e fornecedores compreendam toda a cadeia para identificar e avaliar todos os riscos relacionados a questões como gerenciamento de capacidade e demanda de mercado, para que eles respondam de acordo e atenuem o impacto de interrupções futuras.